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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 221-222

por ocasião de um dia nacional de jejum, “no quinto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, no mês nono”. “Pode ser”, o profeta dissera, “que caia a sua súplica diante do Senhor, e se converta cada um do seu mau caminho; porque grande é a ira e o furor que o Senhor tem manifestado contra este povo”. Jeremias 36:9, 7.

Baruque obedeceu, e o rolo foi lido perante todo o povo de Judá. Posteriormente foi o escriba convocado à presença dos príncipes, a fim de ler as palavras perante eles. Eles ouviram com grande interesse, e prometeram informar o rei sobre tudo o que tinham ouvido, mas aconselharam o escriba a se esconder, pois temiam que o rei rejeitasse o testemunho, e procurasse matar os que haviam preparado e apresentado a mensagem.

Quando o rei Jeoaquim foi informado pelos príncipes do que Baruque havia lido, imediatamente ordenou que o rolo fosse trazido e lido em sua presença. Um dos assistentes reais, de nome Jeudi, trouxe o rolo, e pôs-se a ler as palavras de reprovação e advertência. Era o tempo do inverno, e o rei e seus companheiros de Estado, os príncipes de Judá, estavam reunidos junto de uma crepitante lareira. Apenas uma pequena parte havia sido lida, quando o rei, longe de tremer ante o perigo pendente sobre si e seu povo, tomou o rolo, e num frenesi de ira, cortou-o “com um canivete de escrivão, e lançou-o no fogo que havia no braseiro, até que todo o rolo se consumiu no fogo”. Jeremias 36:23.

Nem o rei nem seus príncipes temeram, “nem rasgaram os seus vestidos”. Alguns dos príncipes, entretanto, pediram “ao rei que não queimasse o rolo, mas não lhes deu ouvido”. Havendo sido destruído o escrito, a ira do ímpio rei se levantou contra Jeremias e Baruque, e prontamente os mandou prender; “mas o Senhor tinha-os escondido”. Jeremias 36:24-26.

Levando à atenção dos adoradores do templo, e dos príncipes e rei, as admoestações escritas contidas no rolo inspirado, Deus estava graciosamente procurando advertir os homens de Judá para o seu bem. “Ouvirão talvez”, disse Deus, “os da casa de Judá todo o mal que Eu intento fazer-lhes; para que cada qual se converta do seu mau caminho, e Eu perdoe a sua maldade e o seu pecado”. Jeremias 36:3. Deus Se compadece dos homens em luta na cegueira da perversidade; Ele procura iluminar a mente entenebrecida, enviando reprovações e ameaças destinadas a levar os mais exaltados a sentirem sua ignorância e deplorarem seus erros. Ele procura ajudar o indulgente consigo mesmo a se tornar insatisfeito com suas vãs realizações, e a buscar bênção espiritual por meio de íntima comunhão com o Céu.

O plano de Deus não é enviar mensageiros que lisonjeiem e adulem os pecadores; Ele não envia mensagens de paz para adormentar o não santificado em segurança carnal. Ao contrário, Ele coloca pesado fardo sobre a consciência do praticante do mal, e mortifica-lhe a alma com os aguilhões da convicção. Anjos ministradores lhe apresentam os terríveis

juízos de Deus, a fim de aprofundar o senso da necessidade, levando o agonizante a clamar: “Que é necessário que eu faça para me salvar?” Atos dos Apóstolos 16:30. Mas a Mão que humilha até o pó, reprova o pecado e submete à vergonha o orgulho e a ambição, é a Mão que ergue o penitente e abatido. Com a mais profunda simpatia, Aquele que permite caia o castigo, interroga: “Que queres que Eu faça por ti?”

Quando o homem peca contra um Deus santo e misericordioso, não pode seguir mais nobre caminho que arrepender-se sinceramente, e confessar seus erros com lágrimas e amargura de alma. Isto Deus requer dele; Ele não aceita nada menos que um coração quebrantado e um espírito contrito. Mas o rei Jeoaquim e seus cortesões, em sua arrogância e orgulho, recusaram o convite de Deus. Eles não iriam aceitar a advertência e arrepender-se. A graciosa oportunidade que lhes fora ofertada quando o rolo sagrado foi lançado ao fogo, foi a última. Deus havia declarado que se então recusassem ouvir-Lhe a voz, Ele lhes daria terrível retribuição. Eles se recusaram ouvi-Lo, e Ele pronunciou Seu juízo final sobre Judá; e Ele visitaria com ira especial o homem que orgulhosamente havia-se levantado contra o Todo-poderoso.

“Assim diz o Senhor, acerca de Jeoaquim, rei de Judá: Não terá quem se assente sobre o trono de Davi, e será lançado o seu cadáver ao calor de dia, e à geada de noite. E visitarei sobre ele, e sobre a sua semente, e sobre os seus servos, a sua iniqüidade; e trarei sobre ele e sobre os moradores de Jerusalém, e sobre os homens de Judá, todo aquele mal que lhes tenho falado”. Jeremias 36:30, 31.

A incineração do rolo não foi o fim da questão. As palavras escritas foram mais facilmente removidas do que a reprovação e advertência que elas continham e a iminente punição que Deus havia pronunciado contra o rebelde Israel e que estava prestes a vir. Mas até o próprio rolo escrito foi reproduzido. “Toma ainda outro rolo”, o Senhor ordenou a Seu servo, “e escreve nele todas as palavras que estavam no primeiro volume, que queimou Jeoaquim, rei de Judá.” O registro das profecias concernente a Judá e Jerusalém tinha sido reduzido a cinzas; mas as palavras estavam ainda vivas no coração de Jeremias, “como um fogo devorador”, e foi permitido ao profeta reproduzir o que a ira do homem teria de bom grado destruído.

Tomando outro rolo, Jeremias deu-o a Baruque, “o qual escreveu nele da boca de Jeremias todas as palavras do livro que Jeoaquim, rei de Judá, tinha queimado no fogo; e ainda se acrescentaram a elas muitas palavras semelhantes”. Jeremias 36:28, 32. A ira do homem tinha tentado impedir a ação do profeta de Deus; mas o próprio meio pelo qual Jeoaquim tinha procurado limitar a influência do servo de Jeová, proveu posterior oportunidade para tornar claros os divinos reclamos.

O espírito de oposição à reprovação, que levou à perseguição e aprisionamento de Jeremias, existe hoje. Muitos recusam atender a repetidas

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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