Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 219-220

Nesse mesmo tempo mensagens de juízo impendente foram levadas a príncipes e povo, e a seu governante Jeoaquim, que devia ter sido um líder espiritual sábio, o primeiro na confissão dos pecados e em reforma e boas obras, estava gastando o seu tempo em prazeres egoístas. “Edificarei para mim uma casa espaçosa”, ele se propôs; e esta casa, “forrada de cedro e pintada de vermelhão” (Jeremias 22:14), foi construída com dinheiro e trabalho obtidos pela fraude e opressão.

A ira do profeta foi despertada, e ele foi inspirado a pronunciar juízo sobre o governante sem fé. “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito”, ele declarou, “que se serve do serviço do seu próximo sem paga, e não lhe dá o salário do seu trabalho. [...] Reinarás tu, porque te encerras em cedro? acaso teu pai não comeu e bebeu, e não exerceu o juízo e a justiça? por isso lhe sucedeu bem? Julgou a causa do pobre e do necessitado; então lhe sucedeu bem; porventura não é isto conhecer-Me? diz o Senhor. Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua avareza, e para o sangue inocente, a fim de derramá-lo, e para a opressão, e para a violência, a fim de levar isso a efeito.

“Portanto assim diz o Senhor acerca de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não lamentarão por ele, dizendo: Ai, irmão meu, ou, ai, minha irmã nem lamentarão por ele, dizendo: Ai, Senhor, ou, ai, Majestoso Em sepultura de jumento o sepultarão, arrastando-o e lançando-o para bem longe, fora das portas de Jerusalém”. Jeremias 22:13-19.

Dentro de poucos anos este terrível juízo recairia sobre Jeoaquim; mas antes o Senhor em Sua misericórdia informou a impenitente nação de Seu decidido propósito. No quarto ano do reinado de Jeoaquim, “falou o profeta Jeremias a todo o povo de Judá, e a todos os habitantes de Jerusalém”, ressaltando o fato de que por mais de vinte anos, “desde o ano treze de Josias [...] até este dia” (Jeremias 25:2, 3), ele havia dado testemunho do desejo de Deus para salvar, mas que suas mensagens haviam sido desdenhadas. E agora a palavra do Senhor a eles era:

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Visto que não escutastes as Minhas palavras, eis Eu enviarei, e tomarei a todas as gerações do norte, diz o Senhor, como também a Nabucodonosor, rei de Babilônia, Meu servo, e os trarei sobre esta terra, e sobre os seus moradores, e sobre todas estas nações em redor, e os destruirei totalmente, e pô-los-ei em espanto, e em assobio, e em perpétuos desertos. E farei perecer entre eles a voz de folguedo, e a voz de alegria, a voz do esposo, e a voz da esposa, o som das mós, e a luz do candeeiro. E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; e estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos”. Jeremias 25:8-11.

Embora a sentença de condenação houvesse sido claramente pronunciada, seu horrível conteúdo mal podia ser compreendido pelas multidões

que ouvia. Para que impressões mais profundas pudessem ser feitas, o Senhor procurou ilustrar o significado das palavras pronunciadas. Ele ordenou que Jeremias assemelhasse a sorte da nação à libação de um copo de vinho da ira divina. Entre os primeiros a beber deste copo de ai, deviam estar “Jerusalém, e as cidades de Judá, e os seus reis”. Outros deviam partilhar do mesmo copo, a saber, “Faraó, rei do Egito, e seus servos, e seus príncipes, e todo o seu povo”, e muitas outras nações da Terra, até que o propósito de Deus houvesse sido cumprido. Jeremias 25:18, 19.

A fim de melhor ilustrar a natureza dos juízos iminentes, o profeta recebeu ordem de tomar consigo “os anciãos do povo, e os anciãos dos sacerdotes”, e ir “ao vale do filho de Hinom”, e ali, depois de recapitular a apostasia de Judá, devia fazer em pedaços “uma botija de oleiro”, e declarar em defesa de Jeová, cujo servo era ele: “Deste modo quebrarei Eu a este povo, e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não pode mais refazer-se”.

O profeta fez como lhe fora ordenado. Então, retornando à cidade, ele se pôs no átrio do templo, e declarou aos ouvidos do povo: “Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre esta cidade, e sobre todas as suas cidades, todo o mal que pronunciei contra ela, porquanto endureceram a sua cerviz, para não ouvirem as Minhas palavras”. Jeremias 19.

As palavras do profeta, em lugar de levar à confissão e arrependimento, suscitaram a ira dos que tinham posição de autoridade, e como conseqüência Jeremias ficou privado de sua liberdade. Preso e posto no cepo, o profeta continuou ainda assim a transmitir as mensagens do Céu aos que lhe estavam próximo. Sua voz não podia ser silenciada pela perseguição. A palavra da verdade, declarou ele, “foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e estou fadigado de sofrer, e não posso”. Jeremias 20:9.

Foi cerca deste tempo que o Senhor ordenou a Jeremias que escrevesse as mensagens que desejava levar àqueles por cuja salvação seu coração piedoso estava continuamente a arder. “Toma o rolo dum livro”, ordenou o Senhor a Seu servo, “e escreve nele todas as palavras que te tenho falado de Israel, e de Judá, e de todas as nações, desde o dia em que Eu te falei a ti, desde os dias de Josias até hoje. Ouvirão talvez os da casa de Judá todo o mal que Eu intento fazer-lhes; para que cada qual se converta do seu mau caminho, e Eu perdoe a sua maldade e o seu pecado”. Jeremias 36:2, 3.

Em obediência a esta ordem, Jeremias chamou em seu auxílio um fiel amigo, o escriba Baruque, e ditou-lhe “todas as palavras do Senhor, que Ele lhe tinha revelado, no rolo de um livro”. Jeremias 36:4. Estas palavras foram cuidadosamente escritas num rolo de pergaminho, e constituíam solene reprovação do pecado, uma advertência dos resultados infalíveis da constante apostasia, e um fervente apelo para renúncia a todo mal.

Quando o escrito ficou completo, Jeremias, que estava ainda prisioneiro, enviou Baruque para ler o rolo às multidões que se reuniam no templo

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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