Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 101
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 112-114
mãos de Elias, seu mestre. Ele estava disposto a fazer o que fosse que o Senhor ordenasse, e a cada passo aprendia lições de humildade e serviço. Como assistente pessoal do profeta, ele continuou a provar-se fiel nas pequenas coisas, enquanto com diário fortalecimento de propósito devotava-se à missão apontada por Deus.
A vida de Eliseu depois de unir-se a Elias não foi isenta de tentações. Provas ele as teve em abundância; mas em toda emergência confiou em Deus. Foi tentado a pensar no lar que havia deixado, mas não deu guarida a essa tentação. Havendo lançado mão do arado, resolveu não voltar atrás, e através de provações e lutas provou-se fiel a seu encargo.
O ministério compreende muito mais que pregar a Palavra. Significa educar jovens como Elias educou Eliseu, tirando-os de seus deveres comuns e dando-lhes responsabilidades para levarem na obra de Deus — pequenos encargos a princípio, e maiores na medida em que ganharem força e experiência. Há no ministério homens de fé e oração, homens que podem dizer: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida; [...] o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos”. 1 João 1:1-3. Obreiros jovens, inexperientes, devem ser treinados por trabalho prático em associação com esses experimentados servos de Deus. Assim, aprenderão como levar as cargas.
Os que assumem este treinamento de jovens obreiros estão fazendo um nobre serviço. O Senhor mesmo coopera com seus esforços. E os jovens sobre quem têm sido pronunciadas as palavras de consagração, cujo privilégio é estar em íntima associação com obreiros piedosos e fervorosos, devem aproveitar o máximo de suas oportunidades. Deus os tem honrado por havê-los escolhido para o Seu serviço e por havê-los colocado onde possam alcançar maior habilidade para isto; e eles devem ser humildes, fiéis, obedientes e dispostos para o sacrifício. Se se submeterem à disciplina de Deus, seguindo Suas indicações, e escolhendo Seus servos como seus conselheiros, redundarão em homens justos, firmes, e de princípios elevados, a quem Deus pode confiar responsabilidades.
Ao ser o evangelho proclamado em sua pureza, homens serão chamados do arado e das atividades comerciais comuns que ocupam em grande medida a mente, e serão educados em associação com homens de experiência. Ao aprenderem a trabalhar com eficácia, proclamarão a verdade com poder. Através das mais maravilhosas operações da divina providência, montanhas de dificuldades serão removidas e lançadas no mar. A mensagem que significa tanto para os habitantes da Terra será ouvida e entendida. Os homens saberão o que é a verdade. Para a frente, sempre para a frente a obra avançará, até que toda a Terra tenha sido advertida; e então virá o fim.
Por vários anos após o chamado de Eliseu, este e Elias trabalharam juntos, o mais jovem adquirindo diariamente maior preparo para a sua obra. Elias havia sido o instrumento para a derrota de gigantescos males. A idolatria que, sustentada por Acabe e a pagã Jezabel, tinha seduzido a nação, havia sido decididamente contida. Os profetas de Baal haviam sido mortos. Todo o povo de Israel tinha sido profundamente despertado, e muitos estavam retornando à adoração a Deus. Como sucessor de Elias, Eliseu, mediante instrução cuidadosa e paciente, devia procurar guiar Israel em caminho seguro. Sua associação com Elias, o maior profeta desde Moisés, preparou-o para a obra que deveria logo assumir sozinho.
Durante esses anos de ministério unido, Elias era de tempos em tempos chamado a opor-se a flagrantes males com severa repreensão. Quando o ímpio Acabe apoderou-se da vinha de Nabote, foi a voz de Elias que profetizou sua condenação e a condenação de toda sua casa. E quando Acazias, após a morte de seu pai Acabe, voltou-se do Deus vivo para Baal-Zebube, o deus de Ecrom, foi a voz de Elias que uma vez mais se fez ouvir em veemente protesto.
As escolas dos profetas, estabelecidas por Samuel, tinham entrado em decadência durante os anos da apostasia de Israel. Elias restabeleceu essas escolas, tomando providência para que os jovens adquirissem uma educação que os levasse a engrandecer a lei e fazê-la gloriosa. Três dessas escolas, uma em Gilgal, outra em Betel, e a terceira em Jericó, são mencionadas no registro. Pouco antes de Elias ser levado para o Céu, ele e Eliseu visitaram esses centros de educação. As lições que o profeta de Deus lhes havia propiciado em visitas anteriores, ele as repetiu agora. Especialmente instruiu-os com respeito ao alto privilégio de lealmente manterem obediência ao Deus do Céu. Imprimiu-lhes também na mente a importância de permitirem que a simplicidade marcasse cada aspecto de sua educação. Somente assim poderiam receber a modelagem do Céu, e saírem para trabalhar nos caminhos do Senhor.
O coração de Elias se encheu de júbilo quando viu o que estava sendo alcançado por meio dessas escolas. A obra de reforma não estava completa, mas ele podia verificar através do reino a exatidão da palavra do Senhor: “Também Eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda a boca que o não beijou”. 1 Reis 19:18.
Enquanto Eliseu acompanhava o profeta em sua rotineira visita de escola a escola, sua fé e resolução foram uma vez mais provadas. Em Gilgal, e também em Betel e Jericó, ele foi convidado pelo profeta a retornar. “Fica-te aqui”, disse Elias, “porque o Senhor me enviou a Betel”. 2 Reis 2:2. Mas em seu primitivo trabalho de guiar o arado, Eliseu havia aprendido a não fracassar nem se desencorajar; e agora que havia lançado mão do arado em outro ramo do dever, não poderia deixar-se desviar de seu propósito. Ele não se afastaria de seu mestre enquanto tivesse oportunidade
de conseguir maior capacidade para o serviço. Desconhecida por Elias, a revelação de que estava para ser trasladado fora dada a conhecer aos seus discípulos nas escolas dos profetas, e em particular a Eliseu. E agora o provado servo do homem de Deus conservava-se bem junto a ele. Tantas vezes quantas lhe fora feito o convite para retornar, sua resposta foi: “Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei”.
“E, assim, ambos foram juntos. [...] E eles ambos pararam junto ao Jordão. Então, Elias tomou o seu manto enrolou-o, e feriu as águas, as quais se dividiram para os dois lados; e passaram ambos em seco. Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti”. 2 Reis 2:6-9.
Eliseu não pediu honras seculares, ou um lugar elevado entre os grandes homens da Terra. O que ele ambicionava era uma grande medida do Espírito que Deus havia derramado tão abundantemente sobre aquele que estava para ser honrado com a trasladação. Ele sabia que nada a não ser o Espírito que havia repousado sobre Elias, podia capacitá-lo a preencher em Israel o lugar para o qual Deus o havia chamado; assim respondeu: “Peço-te que haja porção dobrada do teu espírito sobre mim”. 2 Reis 2:9.
Em resposta a este pedido, Elias disse: “Coisa dura pediste. Se me vires quando for tomado de ti, assim se fará; porém, se não, não se fará. E sucedeu que indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao Céu num redemoinho”. 2 Reis 2:1-11.
Elias foi um tipo dos santos que estarão vivendo na Terra por ocasião do segundo advento de Cristo, e que serão “transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta” (1 Coríntios 15:51, 52), sem provar a morte. Foi como representante dos santos a serem assim trasladados que, ao aproximar-se o fim do ministério terrestre de Cristo, foi permitido a Elias estar com Moisés ao lado do Salvador no monte da transfiguração. Nesses entes glorificados os discípulos viram em miniatura a representação do reino dos redimidos. Eles contemplaram a Jesus revestido com a luz do Céu; ouviram uma voz que “saiu da nuvem” (Lucas 9:35), reconhecendo-O como o Filho de Deus; viram Moisés representando os que serão ressuscitados da morte por ocasião do segundo advento; e ali estava também Elias, representando os que, no fim da história terrestre, serão mudados do estado mortal para o imortal, e serão trasladados ao Céu sem ver a morte.
No deserto, em solidão e desencorajamento, Elias dissera que já havia vivido bastante, e orara pedindo a morte. Mas o Senhor em Sua misericórdia não o tomara pela palavra. Grande obra havia ainda para ser feita por Elias; e quando sua obra tivesse terminado, não devia ele ser deixado a perecer em desencorajamento e solidão. Não lhe estava reservado descer à tumba, mas ascender com os anjos de Deus à presença de Sua glória.
Profetas e Reis · Ellen G. White