Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 111-112

iria renunciar à oportunidade de se tornar mensageiro de Deus, ou sacrificar o privilégio da associação com o Seu servo. Ele “tomou uma junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram. Então se levantou e seguiu a Elias, e o servia”. 1 Reis 19:20, 21. Sem hesitação deixou um lar onde era amado, para assistir ao profeta em sua vida incerta.

Tivesse Eliseu perguntado a Elias o que se esperava dele — qual seria sua obra — e lhe teria sido respondido: Deus o sabe; Ele o fará conhecido de ti. Se esperares no Senhor, Ele responderá a todas as tuas inquirições. Podes vir comigo, se tens a evidência de que Deus te chamou. Sabe por ti mesmo que Deus me está sustentando, e que é Sua voz que ouves. Se podes considerar todas as coisas como escória, para que possas ganhar o favor de Deus, vem.

Semelhante ao chamado que veio a Eliseu foi a resposta dada por Cristo ao jovem doutor que Lhe fez a pergunta: “Que bem farei para conseguir a vida eterna?” “Se queres ser perfeito”, disse Jesus, “vai, vende tudo o que tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no Céu; e vem, e segue-Me”. Mateus 19:16, 21.

Eliseu aceitou o chamado para o serviço, não lançando um olhar sequer para trás, aos prazeres e confortos que estava deixando. O jovem doutor, quando ouviu as palavras do Salvador, “retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades”. Mateus 19:22. Ele não estava disposto a fazer o sacrifício. Seu amor por suas posses era maior que seu amor por Deus. Recusando-se a renunciar tudo por Cristo, ele se provou indigno de um lugar no serviço do Mestre.

O chamado para depor tudo no altar do serviço vem a cada um. Não nos é pedido que sirvamos como Eliseu serviu, nem que vendamos tudo que possuímos; mas Deus nos pede que demos ao Seu serviço o primeiro lugar em nossa vida, e não permitamos se passe um só dia sem que façamos alguma coisa para avançar Sua obra na Terra. Ele não espera de todos a mesma espécie de serviço. Um pode ser chamado a servir em terras estrangeiras; outro pode ser chamado a dar de seus meios para o sustento do evangelho. Deus aceita a oferta de cada um. É a consagração da vida e de todos os seus interesses que é necessário. Os que fazem essa consagração, ouvirão e obedecerão ao chamado do Céu.

A todos que se tornam participantes de Sua graça, o Senhor aponta uma obra a ser feita em favor de outros. Individualmente devemos permanecer em nosso lugar, dizendo: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Isaías 6:8. Quer seja um ministro da Palavra ou um médico, quer seja mercador ou fazendeiro, profissional ou mecânico, a responsabilidade repousa sobre ele. Sua obra deve revelar a outros o evangelho de sua salvação. Toda atividade em que se empenhe deve ser um meio para este fim.

Não foi grande a obra de início requerida de Eliseu; deveres comuns ainda constituíam sua disciplina. É dito dele que derramava água nas

mãos de Elias, seu mestre. Ele estava disposto a fazer o que fosse que o Senhor ordenasse, e a cada passo aprendia lições de humildade e serviço. Como assistente pessoal do profeta, ele continuou a provar-se fiel nas pequenas coisas, enquanto com diário fortalecimento de propósito devotava-se à missão apontada por Deus.

A vida de Eliseu depois de unir-se a Elias não foi isenta de tentações. Provas ele as teve em abundância; mas em toda emergência confiou em Deus. Foi tentado a pensar no lar que havia deixado, mas não deu guarida a essa tentação. Havendo lançado mão do arado, resolveu não voltar atrás, e através de provações e lutas provou-se fiel a seu encargo.

O ministério compreende muito mais que pregar a Palavra. Significa educar jovens como Elias educou Eliseu, tirando-os de seus deveres comuns e dando-lhes responsabilidades para levarem na obra de Deus — pequenos encargos a princípio, e maiores na medida em que ganharem força e experiência. Há no ministério homens de fé e oração, homens que podem dizer: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida; [...] o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos”. 1 João 1:1-3. Obreiros jovens, inexperientes, devem ser treinados por trabalho prático em associação com esses experimentados servos de Deus. Assim, aprenderão como levar as cargas.

Os que assumem este treinamento de jovens obreiros estão fazendo um nobre serviço. O Senhor mesmo coopera com seus esforços. E os jovens sobre quem têm sido pronunciadas as palavras de consagração, cujo privilégio é estar em íntima associação com obreiros piedosos e fervorosos, devem aproveitar o máximo de suas oportunidades. Deus os tem honrado por havê-los escolhido para o Seu serviço e por havê-los colocado onde possam alcançar maior habilidade para isto; e eles devem ser humildes, fiéis, obedientes e dispostos para o sacrifício. Se se submeterem à disciplina de Deus, seguindo Suas indicações, e escolhendo Seus servos como seus conselheiros, redundarão em homens justos, firmes, e de princípios elevados, a quem Deus pode confiar responsabilidades.

Ao ser o evangelho proclamado em sua pureza, homens serão chamados do arado e das atividades comerciais comuns que ocupam em grande medida a mente, e serão educados em associação com homens de experiência. Ao aprenderem a trabalhar com eficácia, proclamarão a verdade com poder. Através das mais maravilhosas operações da divina providência, montanhas de dificuldades serão removidas e lançadas no mar. A mensagem que significa tanto para os habitantes da Terra será ouvida e entendida. Os homens saberão o que é a verdade. Para a frente, sempre para a frente a obra avançará, até que toda a Terra tenha sido advertida; e então virá o fim.

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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