Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 297
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 465-467
este nos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço?” Saul respondeu: “De Amaleque as trouxeram; porque o povo perdoou ao melhor das ovelhas e das vacas, para as oferecer ao Senhor seu Deus; o resto porém, temos destruído totalmente”. 1 Samuel 15:13-15. O povo havia obedecido às determinações de Saul; mas, a fim de defender-se, queria este atribuir a eles o pecado de sua desobediência.
A mensagem da rejeição de Saul trouxe indizível pesar ao coração de Samuel. Tinha ela de ser transmitida perante todo o exército de Israel, quando estava cheio de orgulho e regozijo triunfal por uma vitória que se atribuía ao valor e às aptidões de general de seu rei, pois que Saul não havia relacionado com Deus o êxito de Israel nesse conflito; mas, quando o profeta viu a prova da rebelião de Saul, foi tomado de indignação pelo fato de que aquele que fora tão altamente favorecido por Deus, transgredisse o mandamento do Céu, e levasse Israel ao pecado. Samuel não foi enganado pelo subterfúgio do rei. Com um misto de dor e indignação, declarou: “Espera, e te declararei o que o Senhor me disse esta noite. [...] Porventura, sendo tu pequeno aos teus olhos, não foste por cabeça das tribos de Israel? e o Senhor te ungiu rei sobre Israel.” Repetiu a ordem do Senhor com relação a Amaleque, e perguntou os motivos da desobediência do rei.
Saul persistiu na justificação de si mesmo: “Antes dei ouvidos à voz do Senhor, e caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou; e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas destruí totalmente. Mas o povo tomou do despojo ovelhas e vacas, o melhor do interdito, para oferecer ao Senhor teu Deus em Gilgal.”
Com severas e solenes palavras o profeta varreu o refúgio de mentiras, e pronunciou a irrevogável sentença: “Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, Ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.”
Ao ouvir o rei esta terrível sentença, exclamou: “Pequei, porquanto tenho traspassado o dito do Senhor e as tuas palavras; porque temi ao povo, e dei ouvidos à sua voz.” Aterrorizado pela acusação do profeta, Saul reconheceu a sua falta, que antes pertinazmente negara; mas ainda persistia em lançar a culpa ao povo, declarando que pecara por medo deles.
Não era a tristeza pelo pecado, mas o temor pelo castigo ao mesmo, o que influía no rei de Israel, ao rogar ele a Samuel: “Agora, pois, te rogo, perdoa-me o meu pecado; e volta comigo, para que adore ao Senhor”. 1 Samuel 15:16, 17, 20-25. Se Saul tivesse tido o verdadeiro arrependimento, teria feito confissão pública de seu pecado; era, porém, sua maior ansiedade manter a autoridade, e conservar a fidelidade do povo. Desejava a honra da presença de Samuel a fim de fortalecer sua própria influência
junto à nação. “Não tornarei contigo”, foi a resposta do profeta; “porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, já te rejeitou o Senhor, para que não sejas rei sobre Israel”. Volvendo-se Samuel para partir, o rei, na agonia do medo, lançou mão de seu manto para o fazer voltar, mas este rasgou-se em suas mãos. Com isto, o profeta declarou: “O Senhor tem rasgado de ti hoje o reino de Israel, e o tem dado ao teu próximo, melhor do que tu”. 1 Samuel 15:26, 28.
Saul ficou mais perturbado com o afastamento de Samuel do que com o desagrado de Deus. Sabia que o povo tinha mais confiança no profeta do que nele mesmo. Se um outro fosse agora por ordem divina ungido rei, entendia Saul que seria impossível manter sua autoridade. Ele temia uma revolta imediata, caso Samuel o abandonasse inteiramente. Saul rogou ao profeta que o honrasse diante dos anciãos e do povo, unindo-se publicamente a ele em um serviço religioso. Por determinação divina, Samuel cedeu ao pedido do rei, para que se não desse ocasião a uma revolta. Mas ele ficou apenas como uma testemunha silenciosa daquele serviço religioso.
Um ato de justiça, severo e terrível, seria ainda realizado. Samuel devia publicamente reivindicar a honra de Deus, e repreender a conduta de Saul. Ordenou que o rei dos amalequitas fosse trazido perante ele. Dentre todos os que haviam sido vencidos pela espada de Israel, Agague era o mais criminoso e implacável; ele foi o que havia odiado e procurado destruir o povo de Deus, e cuja influência fora mais forte para promover a idolatria. Veio ele pela ordem do profeta, lisonjeando-se com a idéia de que o perigo de morte havia passado. Samuel declarou: “Assim como a tua espada desfilhou as mulheres, assim ficará desfilhada a tua mãe entre as mulheres. Então Samuel despedaçou a Agague perante o Senhor em Gilgal”. 1 Samuel 15:33. Isto feito, Samuel voltou à sua casa em Ramá, e Saul à sua em Gibeá. Apenas uma vez depois disso encontraram-se o profeta e o rei.
Quando foi chamado ao trono, Saul tinha uma opinião humilde de suas aptidões, e estava disposto a ser instruído. Era deficiente em conhecimentos e experiência, e tinha graves defeitos de caráter. Mas o Senhor concedeu-lhe o Espírito Santo como guia e auxiliador, e o colocou em uma posição em que poderia desenvolver as qualidades indispensáveis a um governador de Israel. Houvesse ele se conservado humilde, procurando constantemente ser guiado pela sabedoria divina, e ter-se-ia habilitado a desempenhar os deveres de seu elevado cargo, com êxito e honra. Sob a influência da graça divina, toda boa qualidade estaria a ganhar força, enquanto as más tendências teriam perdido o seu poder. Tal é a obra que o Senhor Se propõe fazer por todos os que se consagram a Ele. Há muitos a quem chamou para desempenhar cargos em Sua obra, porque possuem um espírito humilde e dócil. Em Sua providência Ele os coloca onde podem aprender dEle. Revelar-lhes-á seus defeitos de caráter, e a todos os que Lhe buscam o auxílio Ele dará força para corrigir seus erros.
Mas Saul atreveu-se em sua exaltação, e desonrou a Deus pela incredulidade e desobediência. Embora quando a princípio chamado ao trono fosse humilde e não tivesse confiança em si mesmo, o êxito tornou-o confiante em si próprio. Mesmo a primeira vitória de seu reino suscitara aquele orgulho de coração que foi o seu maior perigo. O valor e a habilidade militar ostentados no livramento de Jabes-Gileade, despertaram o entusiasmo da nação inteira. O povo honrou a seu rei, esquecendo-se de que ele não era senão o agente pelo qual Deus operara; e, posto que a princípio Saul atribuísse a glória a Deus, tomou mais tarde a honra para si. Perdeu de vista sua dependência de Deus, e em seu coração afastou-se do Senhor. Assim se preparou o caminho para o seu pecado de arrogância e sacrifício em Gilgal. A mesma cega confiança levou-o a rejeitar a reprovação de Samuel. Saul reconhecia que Samuel era um profeta enviado de Deus; portanto deveria ter aceitado a reprovação, ainda que não pudesse ver que havia pecado. Se ele estivesse disposto a ver e confessar o seu erro, esta amarga experiência se teria demonstrado uma salvaguarda para o futuro.
Se o Senhor tivesse então Se separado inteiramente de Saul, não lhe teria de novo falado pelo Seu profeta, confiando-lhe uma obra definida para a realizar, a fim de que pudesse corrigir os erros do passado. Quando alguém que professa ser filho de Deus, se torna descuidado ao fazer a Sua vontade, influenciando deste modo a outros a serem irreverentes, e a se esquecerem das ordens expressas do Senhor, é possível ainda que seus fracassos se tornem em vitórias se tão-somente aceitar a reprovação com verdadeira contrição de alma, e voltar-se a Deus com humildade e fé. A humilhação da derrota demonstra-se muitas vezes uma bênção, mostrando-nos a nossa incapacidade para fazer a vontade de Deus sem o Seu auxílio.
Quando Saul se desviou da reprovação a ele enviada pelo Espírito Santo de Deus, e persistiu em sua contumaz justificação própria, rejeitou o único meio pelo qual Deus poderia agir a fim de o salvar de si mesmo. Voluntariosamente ele se separara de Deus. Não poderia receber auxílio ou guia divina, antes que voltasse a Deus pela confissão de seu pecado.
Em Gilgal, Saul tinha tido a aparência de ser muito consciencioso, achando-se perante o exército de Israel a oferecer um sacrifício a Deus. Sua piedade, porém, não era genuína. Uma cerimônia religiosa realizada em oposição direta à ordem de Deus, servia apenas para enfraquecer as mãos de Saul, colocando-o fora do auxílio que Deus estava tão disposto a conceder-lhe.
Na expedição contra Amaleque, Saul julgara ter feito tudo que era essencial daquilo que o Senhor lhe ordenara; mas o Senhor não Se agradara da obediência parcial, nem estava disposto a revelar o que fora negligenciado por um motivo tão aceitável. Deus não deu aos homens liberdade para se afastarem de Seus mandados. O Senhor declarou a Israel: “Não fareis [...] cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos”; mas “guarda e ouve todas estas palavras que te ordeno”. Deuteronômio 12:8, 28. Ao resolver sobre
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White