Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 463-464

e terrível por ser tanto tempo retardado. “O Senhor Se levantará como no monte de Perazim, e irará, como no vale de Gibeom, para fazer a Sua obra, a Sua estranha obra, e para executar o Seu ato, o Seu estranho ato”. Isaías 28:21. Para o nosso misericordioso Deus, o infligir castigo é um ato estranho. “Vivo Eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva”. Ezequiel 33:11. O Senhor é “misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; [...] que perdoa a iniqüidade, e a transgressão, e o pecado”. Todavia, “ao culpado não tem por inocente”. Êxodo 34:6, 7. Conquanto Ele não Se deleite na vingança, executará juízo sobre os transgressores de Sua lei. É obrigado a fazer isto, para preservar os habitantes da Terra da depravação e ruína totais. A fim de salvar alguns deverá Ele eliminar os que se tornaram endurecidos no pecado. “O Senhor é tardio em irar-Se, mas grande em força, e ao culpado não tem por inocente”. Naum 1:3. Reivindicará com terríveis manifestações a dignidade de Sua lei espezinhada. A severidade da retribuição que aguarda o transgressor pode ser julgada pela relutância do Senhor em executar justiça.

Mas, ao mesmo tempo em que infligia o juízo, Deus Se lembrava da misericórdia. Os amalequitas deviam ser destruídos, mas os queneus, que habitavam entre eles, foram poupados. Este povo embora não estivesse inteiramente livre da idolatria, eram adoradores de Deus, e mantinham amistosas relações com Israel. Dessa tribo era o cunhado de Moisés, Hobabe, que acompanhara os israelitas em suas viagens através do deserto, e, pelo seu conhecimento do território, prestara-lhes valioso auxílio.

Desde a derrota dos filisteus em Micmas, Saul tinha feito guerra contra Moabe, Amom e Edom, e contra os amalequitas e filisteus; e, para onde quer que volvesse suas armas, ganhava novas vitórias. Recebendo a incumbência contra os amalequitas, proclamou imediatamente a guerra. À sua própria autoridade foi acrescentada a do profeta, e ao chamado para a batalha os homens de Israel congregaram-se sob seu estandarte. Esta expedição não deveria ser iniciada com o propósito de engrandecimento próprio; não deveriam os israelitas receber quer a honra da vitória quer o despojo de seus inimigos. Deviam empenhar-se na guerra unicamente como um ato de obediência a Deus, a fim de executar Seu juízo sobre os amalequitas. Era intuito de Deus que todas as nações vissem a condenação daquele povo que desafiara a Sua soberania, e notassem que foram destruídos pelo mesmo povo que haviam desprezado.

“Feriu Saul os amalequitas desde Havilá até chegar a Sur, que está defronte do Egito. E tomou vivo a Agague, rei dos amalequitas; porém a todo o povo destruiu ao fio da espada. E Saul e o povo perdoaram a Agague, e ao melhor das ovelhas e das vacas, e às da segunda sorte, e aos cordeiros e ao melhor que havia, e não os quiseram destruir totalmente; porém a toda a coisa vil e desprezível destruíram totalmente”. 1 Samuel 15:7-9.

Esta vitória sobre os amalequitas foi a mais brilhante que Saul alcançou, e serviu para suscitar novamente o orgulho de coração que era o seu maior perigo. O decreto divino que votava os inimigos de Deus à completa destruição, não foi cumprido senão em parte. Ambicionando aumentar a honra de sua volta triunfal, mediante a presença de um cativo real, Saul aventurou-se a imitar o costume das nações em redor, e poupou Agague, o cruel e belicoso rei dos amalequitas. O povo reservou para si o melhor que havia dos rebanhos, das vacas e das bestas de carga, desculpando o seu pecado sob o fundamento de que o gado era reservado para ser oferecido como sacrifício ao Senhor. Era, entretanto, seu propósito fazer uso do mesmo meramente como substituto, a fim de poupar o seu próprio gado.

Saul havia agora sido submetido à prova final. Sua arrogante desconsideração pela vontade de Deus, mostrando sua determinação de governar como um rei independente, provou que não se lhe poderia confiar poder real como representante do Senhor. Enquanto Saul e seu exército marchavam para casa no entusiasmo da vitória, havia profunda angústia no lar do profeta Samuel. Ele havia recebido uma mensagem do Senhor, denunciando o procedimento do rei: “Arrependo-Me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de Me seguir, e não executou as Minhas palavras”. 1 Samuel 15:11. O profeta ficou profundamente magoado pela conduta do rei rebelde, e chorou e orou a noite toda pedindo uma revogação da terrível sentença.

O arrependimento de Deus não é como o do homem. “Aquele que é a Força de Israel não mente nem Se arrepende; porquanto não é um homem para que Se arrependa”. 1 Samuel 15:29. O arrependimento do homem implica uma mudança de intuitos. O arrependimento de Deus implica uma mudança de circunstâncias e relações. O homem pode mudar sua relação para com Deus, conformando-se com as condições sob as quais pode ser levado ao favor divino; ou pode, de moto próprio, colocar-se fora da condição favorável; mas o Senhor é o mesmo “ontem, e hoje e eternamente”. Hebreus 13:8. A desobediência de Saul mudou sua relação para com Deus; mas as condições de aceitação por parte de Deus ficaram inalteradas — as reivindicações de Deus eram ainda as mesmas; pois nEle “não há mudança nem sombra de variação”. Tiago 1:17.

Com coração dolorido o profeta partiu na manhã seguinte para encontrar-se com o rei, que procedia erradamente. Samuel acariciava a esperança de que, refletindo, pudesse Saul ter consciência de seu pecado, e, pelo arrependimento e humilhação, ser de novo restabelecido ao favor divino. Quando, porém, o primeiro passo é dado no caminho da transgressão, este caminho se torna fácil. Saul, aviltado por sua desobediência, veio ao encontro de Samuel com uma mentira nos lábios. Exclamou: “Bendito tu do Senhor; executei a palavra do Senhor.”

Os sons que vinham aos ouvidos do profeta desmentiram a declaração do desobediente rei. À incisiva pergunta: “Que balido, pois, de ovelhas é

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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