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Atos dos Apóstolos, página 234

quando lhes apresentaria as verdades do evangelho. No tempo marcado, “muitos foram ter com ele à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o reino de Deus, e procurava persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde pela manhã até à noite” (At 28:23). Ele relatou-lhes sua própria experiência, e apresentou argumentos das Escrituras do Antigo Testamento com simplicidade, sinceridade e poder.

O apóstolo mostrou que a religião não consiste em ritos e cerimônias, credos e teorias. Se assim fosse, o homem natural poderia entendê-la pela pesquisa, como entende as coisas do mundo. Paulo ensinou que a religião é uma coisa prática, uma energia salvadora, um princípio inteiramente de Deus, uma experiência pessoal do poder renovador de Deus sobre a alma.

Mostrou como Moisés tinha apontado Cristo a Israel como o profeta a quem deviam ouvir; como todos os profetas haviam testificado dEle como o grande remédio de Deus para o pecado, o inocente que devia levar os pecados do culpado. Paulo não censurou sua observância de formas e cerimônias, mas mostrou que enquanto mantinham o ritual com grande exatidão, estavam rejeitando a Cristo, que era o antítipo de todo aquele sistema.

Paulo declarou que em seu estado inconverso tinha conhecido a Cristo, não por contato pessoal, mas simplesmente pela concepção que, em comum com outros, tinha nutrido concernente ao caráter e obra do Messias por vir. Tinha rejeitado a Jesus de Nazaré, considerando-O um impostor porque Ele não preenchia esta concepção. Mas agora a visão que tinha de Cristo e Sua missão era muito mais espiritual e exaltada; pois tinha sido convertido. O apóstolo afirmou que não lhes apresentava a Cristo segundo a carne. Herodes tinha visto a Cristo nos dias de Sua humanidade; vira-O Anás; Pilatos, os sacerdotes e príncipes tinham-nO visto; viram-nO os soldados romanos. Mas não O haviam visto com os olhos da fé; não O tinham visto como o Redentor glorificado. Apreender a Cristo pela fé, ter dEle um conhecimento espiritual era mais para desejar que um contato pessoal com Ele como apareceu na Terra. A comunhão com Cristo na qual Paulo agora se rejubilava era mais íntima, mais duradoura que um mero e humano companheirismo terrestre.

Ao falar Paulo do que sabia e testificar do que vira, concernente a Jesus de Nazaré como a esperança de Israel, os que honestamente estavam procurando a verdade foram convencidos. Em alguns espíritos, pelo menos, suas palavras fizeram uma impressão que jamais se apagou. Mas outros se recusaram obstinadamente a aceitar o claro testemunho das Escrituras, mesmo quando apresentado a eles por alguém que tinha especial iluminação do Espírito Santo. Eles não podiam refutar seus argumentos, mas recusaram aceitar suas conclusões.

Muitos meses se passaram depois da chegada de Paulo a Roma, antes que os judeus de Jerusalém aparecessem em pessoa para apresentarem suas acusações contra o prisioneiro. Tinham sido repetidas vezes impedidos em seus desígnios; e agora que Paulo deveria ser julgado perante o mais elevado tribunal do império romano, não tinham desejos de se arriscar a uma outra derrota. Lísias, Félix, Festo e Agripa tinham todos declarado acreditar na sua inocência. Seus inimigos poderiam esperar êxito unicamente procurando pela intriga influenciar o imperador em favor deles. A demora lhes

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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