Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 146
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 235-236
favoreceria o objetivo, visto que lhes proporcionaria tempo para aperfeiçoar e executar seus planos; e assim esperaram algum tempo antes de levarem pessoalmente suas acusações contra o apóstolo.
Na providência de Deus esta demora resultou no avanço do evangelho. Pelo favorecimento daqueles que tinham Paulo sob sua guarda, foi a este permitido morar em uma casa cômoda, onde podia encontrar-se livremente com seus amigos e também apresentar diariamente a verdade aos que o iam ouvir. Assim, durante dois anos continuou seus labores, “pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (At 28:31).
Durante este tempo, não esqueceu as igrejas que havia estabelecido em muitas terras. Compreendendo os perigos que ameaçavam os conversos da nova fé, o apóstolo procurou tanto quanto possível satisfazer-lhes às necessidades por meio de cartas de admoestação e instrução prática. E de Roma enviou obreiros consagrados para trabalharem não somente por essas igrejas, mas em campos que ele próprio não tinha visitado. Tais obreiros, como sábios pastores, fortaleciam a obra tão bem iniciada por Paulo; e o apóstolo, que se conservava informado das condições e perigos das igrejas mediante comunicação constante com elas, estava habilitado a exercer uma sábia direção sobre todas.
Deste modo, enquanto aparentemente separado do trabalho ativo, Paulo exercia uma influência maior e mais duradoura do que se estivesse livre a viajar entre as igrejas como nos anos anteriores. Como prisioneiro do Senhor, ele retinha mais firmemente as afeições de seus irmãos; e suas palavras, escritas por quem estava em cadeias por amor de Cristo, impunham maior atenção e respeito do que quando ele estava pessoalmente com eles. Não antes que Paulo fosse deles separado, compreenderam os irmãos quão pesados eram os encargos que ele tinha levado em benefício deles. Até então tinham-se em grande parte escusado de responsabilidade e obrigações, porque sentiam a falta de sua sabedoria, tato e indomável energia; mas agora, deixados em sua inexperiência a aprender as lições que eles tinham rejeitado, apreciaram seus conselhos, advertências e instruções como não haviam considerado seu trabalho pessoal. E ao aprenderem de sua coragem e fé durante sua longa prisão, foram estimulados a maior fidelidade e zelo na causa de Cristo.
Entre os assistentes de Paulo em Roma, havia muitos de seus anteriores companheiros e coobreiros. Lucas, “o médico amado” (Cl 4:14), que o tinha assistido em sua viagem a Jerusalém, durante os dois anos de sua prisão em Cesaréia, e em sua perigosa viagem a Roma, estava ainda, com ele. Timóteo também ministrava para o seu conforto. Tíquico, um “irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor” (Cl 4:7), permaneceu nobremente ao lado do apóstolo. Demas e Marcos também estavam com ele. Aristarco e Epafras eram seus companheiros de prisão. Cl 4:7-14.
Desde os primeiros anos de sua profissão de fé, a experiência cristã de Marcos tinha-se aprofundado. Ao estudar mais acuradamente a vida e a morte de Cristo, tinha ele obtido mais clara visão da missão do Salvador, Suas provas e conflitos. Lendo nas cicatrizes das mãos e pés de Cristo as marcas de Seu serviço pela humanidade, e até aonde leva a abnegação para salvar os perdidos e quase a perecer, Marcos se dispusera a
seguir o Mestre na senda do sacrifício. Agora, partilhando a sorte de Paulo, o prisioneiro, ele compreendeu melhor que nunca, que é infinito ganho ganhar a Cristo, e infinita perda ganhar o mundo e perder a alma por cuja redenção foi o sangue de Cristo derramado. Em face de severa adversidade e prova, Marcos continuou firme, um sábio e amado auxiliar do apóstolo.
Demas, firme por algum tempo, abandonou mais tarde a causa de Cristo. Referindo-se a isto, Paulo escreveu: “Demas me desamparou, amando o presente século” (2Tm 4:10). Por ganho mundano trocou Demas toda alta e nobre consideração. Com que pouco discernimento fizera ele a troca! Possuindo apenas riquezas e honras mundanas, Demas era de fato pobre, por muito que ele pudesse orgulhosamente chamar seu; enquanto Marcos, escolhendo sofrer por amor de Cristo, possuía riquezas eternas, sendo considerado no Céu como herdeiro de Deus e co-herdeiro de Seu Filho.
Entre os que deram o coração a Deus por intermédio do trabalho de Paulo em Roma, estava Onésimo, escravo pagão que havia lesado a seu senhor, Filemom, crente cristão de Colosso, e havia escapado para Roma. Na bondade de seu coração, Paulo procurou aliviar a pobreza e angústia do desventurado fugitivo, e em seguida procurou derramar a luz da verdade em sua mente obscurecida. Onésimo ouviu as palavras da vida, confessou seus pecados e foi convertido à fé em Cristo.
Onésimo tornou-se caro a Paulo por sua piedade e sinceridade, não menos que por seu terno cuidado pelo conforto do apóstolo, e seu zelo em promover a obra do evangelho. Paulo viu nele traços de caráter que poderiam torná-lo útil auxiliar no labor missionário, e aconselhou-o a retornar sem delonga a Filemom, suplicar-lhe perdão, e fazer planos para o futuro. O apóstolo prometeu responsabilizar-se pela soma de que Filemom havia sido roubado. Estando pronto para despachar a Tito com cartas para várias igrejas na Ásia menor, enviou com ele Onésimo. Era uma severa prova esta para o servo, apresentar-se ao senhor a quem havia lesado, mas havia sido convertido de verdade, e não se furtou a este dever.
Paulo tornou Onésimo portador de uma carta a Filemom, na qual, com seu usual tato e bondade, o apóstolo pleiteava a causa do servo arrependido, e manifestava o desejo de retê-lo para seu serviço no futuro. A carta começava com uma afetuosa saudação a Filemom como um amigo e cooperador:
“Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo. Graças dou ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações; ouvindo a tua caridade e a fé que tens para com o Senhor Jesus Cristo, e para com todos os santos; para que a comunicação da tua fé seja eficaz no conhecimento de todo o bem que em vós há por Cristo Jesus” (Fm 4-6). O apóstolo recordava a Filemom que cada bom propósito e bom traço de caráter que ele possuía devia-o à graça de Cristo; somente esta o tornou diferente dos perversos e pecadores. A mesma graça pode tornar o envilecido criminoso um filho de Deus e útil obreiro no evangelho.
Paulo podia ter imposto a Filemom seu dever como cristão; mas escolheu antes a linguagem da súplica: “...sendo eu tal como sou, Paulo o velho, e também agora prisioneiro de Jesus Cristo. Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minha prisões; o qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil” (Fm 9-11).
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White