Cristo A Igreja

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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 232-233

Capítulo 43 — Em Roma

Vindo o tempo próprio para a navegação, o centurião e seus prisioneiros retomaram a viagem para Roma. Um navio alexandrino, o “Castor e Polux” (At 28:11), tinha invernado em Malta, em sua viagem para o oeste, e nele os viajantes embarcaram. Embora um pouco retardada por ventos contrários, a viagem foi a salvo levada a termo, e o navio lançou âncora no belo porto de Potéoli, na costa da Itália.

Neste lugar havia uns poucos cristãos, e eles se empenharam com Paulo para permanecer com eles por sete dias, privilégio este bondosamente concedido pelo centurião. Desde que receberam a epístola de Paulo aos romanos, os cristãos da Itália tinham avidamente desejado uma visita do apóstolo. Não haviam imaginado vê-lo como prisioneiro, mas seus sofrimentos apenas o tornaram mais querido deles. Sendo a distância de Potéoli a Roma de apenas uns 220 quilômetros, e estando o porto marítimo em constante comunicação com a metrópole, os cristãos de Roma foram informados da aproximação de Paulo, e alguns deles se adiantaram para encontrá-lo e saudá-lo.

No oitavo dia depois de sua chegada, o centurião e seus prisioneiros retomaram o caminho de Roma. Júlio de boa vontade permitiu ao apóstolo cada favor que estava em suas forças conceder, mas não lhe podia mudar a condição de prisioneiro, ou libertá-lo das cadeias que o ligavam ao soldado que o guardava. Foi com o coração opresso que Paulo partiu para sua muito ansiada visita à metrópole do mundo. Quão diversas eram as circunstâncias do que ele imaginara! Como poderia ele, acorrentado e estigmatizado, proclamar o evangelho? Suas esperanças de conquistar muitas almas para a verdade em Roma, pareciam destinadas ao desapontamento.

Os viajantes chegaram afinal à praça de Ápio, sessenta e quatro quilômetros distante de Roma. Enquanto abrem caminho entre a multidão que transita na grande via, o encanecido ancião, acorrentado com um grupo de criminosos mal-encarados, recebe muitos olhares de zombaria, tornando-se objeto de muito gracejo rude e escarnecedor.

De súbito ouve-se um grito de alegria e um homem se destaca da turba que passa, e lança-se ao pescoço do prisioneiro, abraçando-o e chorando de alegria, como um filho que saudasse o pai por muito tempo ausente. A cena se repete muitas vezes à medida que, com a vista aguçada por expectante amor, muitos reconhecem no preso acorrentado aquele que em Corinto, Filipos e Éfeso, lhes havia pregado as palavras da vida.

Os amantes discípulos ansiosamente afluem ao redor de seu pai no evangelho, obrigando todo o cortejo a parar. Os soldados impacientam-se com a demora, mas não têm coragem de interromper essa feliz reunião; pois também eles aprenderam a respeitar e estimar seu prisioneiro. Nessa face macerada e batida pela dor, os discípulos vêem refletida a imagem de Cristo.

Asseguram a Paulo que nunca o esqueceram nem deixaram de amá-lo; que lhe são devedores pela feliz esperança que lhes anima a vida, e dá-lhes paz para com Deus. Na ardência de seu amor o levariam nos ombros todo o caminho até a cidade, fosse-lhes dado esse privilégio.

Poucos consideram o significado das palavras de Lucas, quando diz que Paulo, vendo seus irmãos “deu graças a Deus e tomou ânimo” (At 28:15). No meio do simpatizante e lacrimoso grupo de crentes, os quais não se envergonhavam de suas cadeias, o apóstolo louvou a Deus em voz alta. A nuvem de tristeza que estava sobre seu espírito se dissipara. Sua vida cristã tinha sido uma sucessão de sofrimentos, desapontamentos e provações, mas neste momento ele se sentia abundantemente recompensado. Com passos mais firmes e o coração repleto de alegria, ele continuou seu caminho. Não podia queixar-se do passado nem temer o futuro. Cadeias e aflições o esperavam, disto ele sabia; mas sabia também que lhe coubera libertar almas de um cativeiro infinitamente mais terrível, e se rejubilava em seus sofrimentos por amor de Cristo.

Em Roma, o centurião Júlio entregou seus prisioneiros ao comandante da guarda imperial. A boa referência que deu de Paulo, somada à carta de Festo, permitiram ser o apóstolo favoravelmente considerado pelo comandante, e em vez de ser metido na prisão, foi-lhe permitido viver em sua própria casa alugada. Embora ainda constantemente acorrentado a um soldado, tinha liberdade para receber seus amigos e trabalhar para o avançamento da causa de Cristo.

Muitos dos judeus que haviam sido banidos de Roma alguns anos antes, tiveram permissão para voltar, de maneira que agora ali se encontravam em grande número. A estes, antes de tudo, queria Paulo apresentar os fatos que diziam respeito a si mesmo e a sua obra, antes que seus inimigos tivessem ocasião de os incitar contra ele. Três dias depois de sua chegada a Roma, portanto, reuniu os líderes judeus, e de maneira simples e direta, declarou porque viera a Roma como prisioneiro.

“Varões irmãos”, disse ele, “não havendo eu feito nada contra o povo, ou contra os ritos paternos, vim contudo preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos; os quais, havendo-me examinado, queriam soltar-me, por não haver em mim crime algum de morte. Mas, opondo-se os judeus, foi-me forçoso apelar para César, não tendo, contudo, de que acusar a minha nação. Por esta causa vos chamei, para vos ver e falar; porque pela esperança de Israel estou com esta cadeia” (At 28:17-20).

Ele nada disse dos abusos que havia sofrido às mãos dos judeus, nem das repetidas tramas para assassiná-lo. Suas palavras caracterizaram-se pela prudência e bondade. Ele não estava procurando ganhar atenção pessoal ou simpatia, mas defender a verdade e manter a honra do evangelho.

Em resposta, seus ouvintes afirmaram que não tinham recebido acusação alguma contra ele, por carta pública ou particular, e que nenhum dos judeus que tinham vindo a Roma o acusara de qualquer crime. Expressaram ainda um forte desejo de ouvir as razões de sua fé em Cristo. “Quanto a esta seita”, disseram, “notório nos é que em toda a parte se fala contra ela” (At 28:22).

Uma vez que eles próprios desejavam isto, Paulo ordenou-lhes marcarem um dia,

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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