Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 58-59

temporais. Não deveria cair sobre a terra nem chuva nem orvalho, até que voltassem para Deus em arrependimento, e O reconhecessem como a Fonte de toda a bênção.

A Elias fora confiada a missão de levar a Acabe a mensagem de juízo. Ele não pediu para ser o mensageiro do Senhor; a palavra do Senhor veio a ele. E, cioso da honra da causa de Deus, não hesitou em obedecer à intimação divina, embora a obediência parecesse um convite a imediata destruição às mãos do ímpio rei. O profeta pôs-se a caminho sem detença, e viajou dia e noite até alcançar Samaria. Chegando ao palácio não solicitou ser admitido, nem esperou ser formalmente anunciado. Vestido de roupas rústicas como comumente usavam os profetas da época, passou pelos guardas, aparentemente sem ser notado, e deteve-se um momento diante do rei atônito.

Elias não apresentou escusas por sua abrupta presença. Alguém maior que o rei de Israel tinha-o comissionado para falar; e, erguendo a mão em direção do céu, afirmou solenemente pelo Deus vivo que os juízos do Altíssimo estavam prestes a cair sobre Israel. “Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou”, declarou ele, “que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra”. 1 Reis 17:1.

Foi somente pelo exercício de forte fé no infalível poder da palavra de Deus que Elias apresentou sua mensagem. Não possuísse ele implícita confiança nAquele a quem servia, e jamais teria aparecido perante Acabe. Em sua viagem para Samaria, Elias havia passado por correntes sempre a fluírem, montes cobertos de verdura, majestosas florestas que pareciam estar além do alcance da seca. Tudo em que seus olhos repousavam estava coberto de beleza. O profeta podia ter sido levado a duvidar de como poderiam essas fontes que jamais cessaram de fluir tornarem-se secas, ou esses montes e vales serem calcinados pela sequidão. Mas ele não deu lugar à incredulidade. Cria plenamente que Deus humilharia o apóstata Israel, e que mediante juízos eles seriam levados ao arrependimento. O decreto do Céu tinha sido pronunciado; a palavra de Deus não poderia falhar; e com perigo da própria vida Elias cumpriu destemidamente sua missão. Como um raio que partisse de um céu claro, a mensagem de juízo iminente caiu sobre os ouvidos do ímpio rei; mas antes que Acabe pudesse recobrar-se de seu espanto ou arquitetar uma resposta, Elias desapareceu tão repentinamente como havia chegado, sem esperar testemunhar os efeitos de sua mensagem. E o Senhor foi perante ele, aplainando o caminho. “Vai-te daqui, e vira-te para o Oriente”, foi ordenado ao profeta, “e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E há de ser que beberás do ribeiro; e Eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem”. 1 Reis 17:2-4.

O rei procurou diligentemente, mas o profeta não foi achado. A rainha Jezabel, irada com a mensagem que tinha fechado os tesouros do

céu, sem perda de tempo confabulou com os sacerdotes de Baal, os quais se lhe uniram em amaldiçoar o profeta e desafiar a ira de Jeová. Não obstante seu desejo de encontrar aquele que havia pronunciado a palavra de calamidade, estava-lhes destinado o desapontamento. Não podiam eles ocultar de outros o conhecimento dos juízos pronunciados em conseqüência da predominante apostasia. A notícia da denúncia que Elias fizera dos pecados de Israel, e sua profecia da punição próxima a vir, espalhou-se rapidamente através da terra. Os temores de alguns foram despertados, mas em geral a mensagem celestial foi recebida com escárnio e ridículo.

As palavras do profeta tiveram cumprimento imediato. Os que a princípio estavam inclinados a escarnecer ao pensamento da calamidade, logo tiveram ocasião para reflexão séria, porque depois de poucos meses a terra, não refrigerada pelo orvalho nem pela chuva, tornou-se ressequida e secou-se a vegetação. Com o tempo, os rios de que nunca se ouvira houvessem secado, começaram a baixar, e os regatos a minguar. No entanto os dirigentes do povo instavam com ele a que confiassem no poder de Baal, e desprezassem como ociosas as palavras do profeta Elias. Os sacerdotes ainda insistiam em que era pelo poder de Baal que as chuvas caíam. Não temais o Deus de Elias, nem tremais diante de suas palavras, insistiam eles; é Baal quem produz as colheitas em sua estação própria, e provê para o homem e para os animais.

A mensagem de Deus a Acabe deu a Jezabel e seus sacerdotes, bem como a todos os seguidores de Baal e Astarote, a oportunidade de provar o poder de seus deuses, e, se possível, que a palavra de Elias era falsa. Contra as positivas afirmações de centenas de sacerdotes idólatras, a profecia de Elias permaneceu sozinha. Se, não obstante a declaração do profeta, Baal ainda pudesse dar orvalho e chuva, de maneira que as correntes continuassem a fluir e a vegetação a reflorir, que o rei de Israel então o adorasse, e o povo dissesse que ele era Deus.

Determinados a conservar o povo no engano, os sacerdotes de Baal continuam a oferecer sacrifícios a seus deuses, e a invocá-los noite e dia para que refrigerassem a terra. Mediante custosas oferendas os sacerdotes procuram acalmar a ira de seus deuses; com zelo e perseverança dignos de melhor causa, demoram-se em torno de seus altares pagãos, e pedem com insistência a chuva. Noite após noite através da terra condenada, erguem-se os seus gritos e rogos. Mas nenhuma nuvem aparece no céu durante o dia para esconder os causticantes raios do Sol. Nem orvalho nem chuva refrigeram a terra sedenta. A palavra de Jeová permanece imutável apesar de tudo quanto os sacerdotes de Baal possam fazer.

Passa-se um ano, e não há chuva. A terra está calcinada como que pelo fogo. O abrasador calor do Sol destrói a pouca vegetação que sobreviveu. Os rios secam, e os rebanhos mugindo e balando vagueiam desesperados de um para outro lugar. Campos outrora florescentes, tornam-se

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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