Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 54
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 60-61
como escaldantes desertos de areia — uma desoladora ruína. Os bosques dedicados ao culto dos ídolos estão desfolhados; as árvores das florestas, descarnados esqueletos da natureza, não dão sombra. O ar é seco e sufocante; tempestades de poeira cegam os olhos e quase impedem a respiração. Cidades e vilas outrora prósperas tornaram-se lugares de lamento. Fome e sede atingem homens e animais com terrível mortalidade. A inanição, com todos os seus horrores, aproxima-se cada vez mais.
Mas não obstante essas evidências do poder de Deus, Israel não se arrependeu nem aprendeu a lição que Deus intentava ensinar-lhe. Eles não viram que Aquele que criou a natureza controla suas leis, e pode fazer delas instrumento de bênção ou de destruição. Presumidos, enamorados de seu falso culto, não se dispunham a humilhar-se debaixo da potente mão de Deus, e começaram a refletir em busca de alguma outra causa à qual atribuir seus sofrimentos.
Jezabel recusou inteiramente reconhecer a seca como juízo de Jeová. Decidida em sua determinação de desafiar o Deus do Céu, uniu-se com aproximadamente todo o Israel em denunciar Elias como a causa de toda a sua miséria. Não havia ele dado testemunho contra suas formas de culto? Se tão-somente ele fosse afastado do caminho, argumentava ela, a ira de seus deuses se aplacaria, e seus problemas teriam fim.
Instigado pela rainha, Acabe instituiu a mais diligente busca para descobrir o lugar de esconderijo do profeta. Às nações circunvizinhas, de longe e de perto, enviou mensageiros em busca do homem que odiava, mas também temia; e em sua ansiedade por tornar a busca tão completa quanto possível, exigia desses reinos e nações um juramento de que nada sabiam do paradeiro do profeta. Mas a busca fora em vão. O profeta estava a salvo da maldade do rei cujos pecados tinham levado sobre a terra a denúncia de um Deus ofendido.
Fracassando em seus esforços contra Elias, Jezabel determinou vingar-se matando todos os profetas de Jeová em Israel. Nenhum devia ser deixado vivo. A enfurecida mulher executou o seu propósito no massacre de muitos servos de Deus. Nem todos, entretanto, pereceram. Obadias, mordomo da casa de Acabe, mas fiel a Deus, “tomou cem profetas”, e com risco da própria vida “de cinqüenta em cinqüenta os escondeu numa cova, e os sustentou com pão e água”. 1 Reis 18:4.
Passou o segundo ano de fome, e os céus inclementes ainda não deram sequer sinal de chuva. A sequidão e a fome continuavam sua devastação através do reino. Pais e mães, impotentes para aliviar os sofrimentos de seus filhos, eram forçados a vê-los morrer. Ainda assim o apóstata Israel recusou humilhar o coração perante Deus, e continuou a murmurar contra o homem por cuja palavra esses terríveis juízos haviam sido trazidos sobre eles. Pareciam incapazes de discernir em seus sofrimentos e angústias um chamado ao arrependimento — uma
interposição divina para salvá-los de dar o passo fatal para além dos limites do perdão do Céu.
A apostasia de Israel era um mal mais tremendo que todos os horrores multiplicados da fome. Deus estava procurando libertar o povo de seu engano, e levá-los a compreender sua responsabilidade para com Aquele a quem deviam a vida e todas as coisas. Estava procurando ajudá-los a recobrar sua fé perdida, e era necessário trazer sobre eles grande aflição.
“Desejaria Eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor Jeová; não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós um coração novo e um espírito novo; pois por que razão morreríeis, ó casa de Israel? Porque não tomo prazer na morte do que morre, diz o Senhor Jeová; convertei-vos, pois, e vivei”. Ezequiel 18:23, 31, 32. “Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis, ó casa de Israel?” Ezequiel 33:11.
Deus havia enviado mensageiros a Israel, com apelos para que retornasse a sua fidelidade. Tivessem eles aceito esses apelos, houvessem retornado de Baal para o Deus vivo, e a mensagem de juízo de Elias jamais teria sido dada. Mas as advertências que deviam ter sido um cheiro de vida para vida, provou-se-lhes um cheiro de morte para morte. Fora ferido seu orgulho; sua ira suscitada contra os mensageiros; e agora devotavam intenso ódio ao profeta Elias. Se ele tão-somente lhes tivesse caído nas mãos, alegremente tê-lo-iam entregue a Jezabel — como se fazendo calar sua voz pudessem impedir o cumprimento de suas palavras! Em face da calamidade, continuaram firmes na idolatria. Estavam assim aumentando a culpa que havia trazido os juízos do Céu sobre a terra.
Para o ferido Israel só havia um remédio — afastarem-se dos pecados que haviam atraído sobre eles a mão punidora do Onipotente, e tornarem-se para o Senhor com inteiro propósito de coração. A eles fora dada a certeza: “Se Eu cerrar os céus, e não houver chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste contra o Meu povo; e se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha face e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos Céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. 2 Crônicas 7:13, 14. Foi para fazer que chegasse a este bendito resultado, que Deus continuou a reter deles o orvalho e a chuva até que tivesse lugar uma decidida reforma.
Profetas e Reis · Ellen G. White