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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 57-58

Capítulo 9 — Elias, o tesbita

Este capítulo é baseado em 1 Reis 17:1-7.

Entre as montanhas de Gileade, ao oriente do Jordão, habitava nos dias de Acabe um homem de fé e oração cujo destemeroso ministério estava destinado a deter a rápida disseminação da apostasia em Israel. Distanciado de qualquer cidade de renome, e não ocupando nenhuma alta posição na vida, Elias o tesbita não obstante entregou-se a sua missão, confiante no propósito de Deus de preparar diante dele o caminho e dar-lhe abundante sucesso. A palavra de fé e poder estava em seus lábios, e toda a sua vida estava devotada à obra da reforma. Sua voz era a de quem clama no deserto para repreender o pecado e fazer refluir a maré do mal. E conquanto viesse ao povo como reprovador do pecado, sua mensagem oferecia o bálsamo de Gileade a toda alma enferma do pecado que desejasse ser curada.

Ao Elias ver Israel aprofundar-se mais e mais na idolatria, sua alma ficou angustiada e despertou-se-lhe a indignação. Deus havia feito grandes coisas por Seu povo. Tinha-o libertado do cativeiro e lhe dado “as terras das nações, [...] para que guardassem os Seus preceitos, e observassem as Suas leis”. Salmos 105:44, 45. Mas os beneficentes desígnios de Jeová haviam sido agora quase esquecidos. A incredulidade estava depressa separando a nação escolhida da Fonte de sua força. Contemplando esta apostasia, do seu retiro na montanha, Elias sentiu-se oprimido pela tristeza. Em angústia de alma ele suplicou a Deus que detivesse em seu ímpio curso, o povo outrora favorecido, visitando-o com juízos, se necessário fosse, a fim de que pudesse ser levado a ver em sua verdadeira luz seu afastamento do Céu. Ele ansiava por vê-los levados ao arrependimento, antes que fossem tão longe na prática do mal a ponto de provocar o Senhor para que os destruísse completamente.

A oração de Elias foi respondida. Apelos constantemente repetidos, admoestações e advertências tinham falhado em levar Israel ao arrependimento. Havia chegado o tempo em que Deus devia falar-lhes por meio de juízos. Visto que os adoradores de Baal declaravam que os tesouros do céu, o orvalho e a chuva, não vinham de Jeová, mas das forças que regiam a natureza, e que pela energia criadora do Sol é que a terra era enriquecida e levada a produzir abundantemente, a maldição de Deus devia cair pesadamente sobre a terra corrompida. Às tribos apóstatas de Israel dever-se-ia mostrar a loucura de confiar no poder de Baal por bênçãos

temporais. Não deveria cair sobre a terra nem chuva nem orvalho, até que voltassem para Deus em arrependimento, e O reconhecessem como a Fonte de toda a bênção.

A Elias fora confiada a missão de levar a Acabe a mensagem de juízo. Ele não pediu para ser o mensageiro do Senhor; a palavra do Senhor veio a ele. E, cioso da honra da causa de Deus, não hesitou em obedecer à intimação divina, embora a obediência parecesse um convite a imediata destruição às mãos do ímpio rei. O profeta pôs-se a caminho sem detença, e viajou dia e noite até alcançar Samaria. Chegando ao palácio não solicitou ser admitido, nem esperou ser formalmente anunciado. Vestido de roupas rústicas como comumente usavam os profetas da época, passou pelos guardas, aparentemente sem ser notado, e deteve-se um momento diante do rei atônito.

Elias não apresentou escusas por sua abrupta presença. Alguém maior que o rei de Israel tinha-o comissionado para falar; e, erguendo a mão em direção do céu, afirmou solenemente pelo Deus vivo que os juízos do Altíssimo estavam prestes a cair sobre Israel. “Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou”, declarou ele, “que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra”. 1 Reis 17:1.

Foi somente pelo exercício de forte fé no infalível poder da palavra de Deus que Elias apresentou sua mensagem. Não possuísse ele implícita confiança nAquele a quem servia, e jamais teria aparecido perante Acabe. Em sua viagem para Samaria, Elias havia passado por correntes sempre a fluírem, montes cobertos de verdura, majestosas florestas que pareciam estar além do alcance da seca. Tudo em que seus olhos repousavam estava coberto de beleza. O profeta podia ter sido levado a duvidar de como poderiam essas fontes que jamais cessaram de fluir tornarem-se secas, ou esses montes e vales serem calcinados pela sequidão. Mas ele não deu lugar à incredulidade. Cria plenamente que Deus humilharia o apóstata Israel, e que mediante juízos eles seriam levados ao arrependimento. O decreto do Céu tinha sido pronunciado; a palavra de Deus não poderia falhar; e com perigo da própria vida Elias cumpriu destemidamente sua missão. Como um raio que partisse de um céu claro, a mensagem de juízo iminente caiu sobre os ouvidos do ímpio rei; mas antes que Acabe pudesse recobrar-se de seu espanto ou arquitetar uma resposta, Elias desapareceu tão repentinamente como havia chegado, sem esperar testemunhar os efeitos de sua mensagem. E o Senhor foi perante ele, aplainando o caminho. “Vai-te daqui, e vira-te para o Oriente”, foi ordenado ao profeta, “e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E há de ser que beberás do ribeiro; e Eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem”. 1 Reis 17:2-4.

O rei procurou diligentemente, mas o profeta não foi achado. A rainha Jezabel, irada com a mensagem que tinha fechado os tesouros do

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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