Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 189-190

Capítulo 31 — Esperança para os gentios

Por meio de seu ministério, Isaías deu um claro testemunho quanto ao propósito de Deus em favor dos povos gentios. Outros profetas haviam feito menção do plano divino, mas sua linguagem nem sempre foi compreendida. A Isaías foi dado tornar bem claro a Judá a verdade de que entre o Israel de Deus deviam ser contados muitos que não eram descendentes de Abraão segundo a carne. Este ensino não estava em harmonia com a teologia de seu século; não obstante ele proclamou destemidamente as mensagens que Deus lhe dera, e levou esperança a muitos corações ansiosos de alcançar as bênçãos espirituais prometidas à semente de Abraão.

O apóstolo dos gentios, em sua carta aos crentes de Roma, chama a atenção para esta característica do ensino de Isaías. “Isaías ousadamente”, declara Paulo, “diz: Fui achado pelos que Me não buscavam, fui manifestado aos que por Mim não perguntavam”. Romanos 10:20.

Não raro os israelitas pareceram incapazes ou indispostos de compreender os propósitos de Deus pelos gentios. Contudo fora este mesmo propósito que fizera deles um povo separado, e os havia estabelecido como uma nação independente entre as nações da Terra. Abraão, seu ascendente, a quem a promessa do concerto fora primeiramente feita, havia sido chamado a sair do meio de sua parentela e ir às regiões longínquas, a fim de que pudesse ser portador de luz aos gentios. Embora a promessa a ele incluísse uma posteridade tão numerosa quanto a areia do mar, não foi para qualquer propósito egoísta que ele devia tornar-se o fundador de uma grande nação na terra de Canaã. O concerto de Deus com ele envolvia todas as nações da Terra. “Abençoar-te-ei”, declarou Jeová, “e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da Terra”. Gênesis 12:2, 3.

Na repetição do concerto pouco antes do nascimento de Isaque, o propósito de Deus para a humanidade fora mais uma vez tornado claro. “Nele serão benditas todas as nações da Terra” (Gênesis 18:18), foi a afirmação do Senhor com respeito ao filho da promessa. E mais tarde, o visitante celestial uma vez mais declarou: “Em tua semente serão benditas todas as nações da Terra”. Gênesis 22:18.

Os termos todo-abrangentes desse concerto eram familiares aos filhos de Abraão, e aos filhos de seus filhos. Fora para que os israelitas pudessem ser uma bênção às nações, e para que o nome de Deus fosse “anunciado em toda a Terra” (Êxodo 9:16), que eles foram libertos do cativeiro egípcio. Se obedientes a Seus reclamos, seriam colocados na vanguarda dos outros povos em sabedoria e entendimento; mas esta supremacia devia ser alcançada e mantida unicamente para que por meio deles o propósito de Deus para “todas as nações da Terra” pudesse ser cumprido.

As maravilhosas providências relacionadas com o libertamento de Israel do cativeiro egípcio e com sua posse da terra prometida, tinham levado muitos dos pagãos a reconhecerem o Deus de Israel como o Supremo Dominador. “Os egípcios saberão”, tinha sido a promessa, “que Eu sou o Senhor, quando estender a Minha mão sobre o Egito, e tirar os filhos de Israel do meio deles”. Êxodo 7:5. Até mesmo o orgulhoso Faraó foi constrangido a reconhecer o poder de Jeová. “Ide, servi ao Senhor”, suplicou ele a Moisés e Arão, “e abençoai-me também a mim”. Êxodo 12:31, 32.

Ao avançarem as multidões de Israel verificaram que o conhecimento das poderosas obras do Deus dos hebreus tinha-os precedido, e que alguns entre os pagãos tinham conhecimento de que Ele era o verdadeiro Deus. Na ímpia Jericó o testemunho de uma mulher pagã foi: “O Senhor vosso Deus é Deus em cima nos Céus, e embaixo na Terra”. Josué 2:11. O conhecimento de Jeová que assim tinha vindo a ela, provou ser sua salvação. Pela fé “Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos”. Hebreus 11:31. E sua conversão não foi um caso isolado da misericórdia de Deus para com os idólatras que reconheceram Sua divina autoridade. No meio da terra um povo numeroso — os gibeonitas — renunciou ao seu paganismo, unindo-se com Israel e partilhando as bênçãos do concerto.

Nenhuma distinção em matéria de nacionalidade ou classe social, é reconhecida por Deus. Ele é o Criador de toda a humanidade. Os homens são pela criação membros de uma mesma família, e todos são um pela redenção. Cristo veio para desfazer todo muro de separação, para franquear cada compartimento das cortes do templo, a fim de que cada alma pudesse ter livre acesso a Deus. Seu amor é tão amplo, tão profundo, tão pleno, que penetra em toda parte. Ele subtrai à influência de Satanás os que foram iludidos por seus enganos, colocando-os dentro dos limites do trono de Deus, o trono circundado pelo arco-íris da promessa. Não há em Cristo judeu ou grego, servo ou livre.

Nos anos que se seguiram à ocupação da terra prometida, os beneficentes desígnios de Jeová para a salvação dos gentios foram quase totalmente perdidos de vista, e foi necessário que o Senhor expusesse de novo Seu plano. “Todos os limites da Terra”, o salmista foi inspirado a cantar, “se lembrarão, e se converterão ao Senhor, e todas as gerações das nações adorarão perante a Tua face”. Salmos 22:27. “Embaixadores reais virão do

Profetas e Reis · Ellen G. White

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