Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 190-191

Os termos todo-abrangentes desse concerto eram familiares aos filhos de Abraão, e aos filhos de seus filhos. Fora para que os israelitas pudessem ser uma bênção às nações, e para que o nome de Deus fosse “anunciado em toda a Terra” (Êxodo 9:16), que eles foram libertos do cativeiro egípcio. Se obedientes a Seus reclamos, seriam colocados na vanguarda dos outros povos em sabedoria e entendimento; mas esta supremacia devia ser alcançada e mantida unicamente para que por meio deles o propósito de Deus para “todas as nações da Terra” pudesse ser cumprido.

As maravilhosas providências relacionadas com o libertamento de Israel do cativeiro egípcio e com sua posse da terra prometida, tinham levado muitos dos pagãos a reconhecerem o Deus de Israel como o Supremo Dominador. “Os egípcios saberão”, tinha sido a promessa, “que Eu sou o Senhor, quando estender a Minha mão sobre o Egito, e tirar os filhos de Israel do meio deles”. Êxodo 7:5. Até mesmo o orgulhoso Faraó foi constrangido a reconhecer o poder de Jeová. “Ide, servi ao Senhor”, suplicou ele a Moisés e Arão, “e abençoai-me também a mim”. Êxodo 12:31, 32.

Ao avançarem as multidões de Israel verificaram que o conhecimento das poderosas obras do Deus dos hebreus tinha-os precedido, e que alguns entre os pagãos tinham conhecimento de que Ele era o verdadeiro Deus. Na ímpia Jericó o testemunho de uma mulher pagã foi: “O Senhor vosso Deus é Deus em cima nos Céus, e embaixo na Terra”. Josué 2:11. O conhecimento de Jeová que assim tinha vindo a ela, provou ser sua salvação. Pela fé “Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos”. Hebreus 11:31. E sua conversão não foi um caso isolado da misericórdia de Deus para com os idólatras que reconheceram Sua divina autoridade. No meio da terra um povo numeroso — os gibeonitas — renunciou ao seu paganismo, unindo-se com Israel e partilhando as bênçãos do concerto.

Nenhuma distinção em matéria de nacionalidade ou classe social, é reconhecida por Deus. Ele é o Criador de toda a humanidade. Os homens são pela criação membros de uma mesma família, e todos são um pela redenção. Cristo veio para desfazer todo muro de separação, para franquear cada compartimento das cortes do templo, a fim de que cada alma pudesse ter livre acesso a Deus. Seu amor é tão amplo, tão profundo, tão pleno, que penetra em toda parte. Ele subtrai à influência de Satanás os que foram iludidos por seus enganos, colocando-os dentro dos limites do trono de Deus, o trono circundado pelo arco-íris da promessa. Não há em Cristo judeu ou grego, servo ou livre.

Nos anos que se seguiram à ocupação da terra prometida, os beneficentes desígnios de Jeová para a salvação dos gentios foram quase totalmente perdidos de vista, e foi necessário que o Senhor expusesse de novo Seu plano. “Todos os limites da Terra”, o salmista foi inspirado a cantar, “se lembrarão, e se converterão ao Senhor, e todas as gerações das nações adorarão perante a Tua face”. Salmos 22:27. “Embaixadores reais virão do

Egito; a Etiópia cedo estenderá para Deus as suas mãos”. Salmos 68:31. “As nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da Terra a Tua glória”. “Isto se escreverá para a geração futura, e o povo que se criar louvará ao Senhor. Porquanto olhará desde o alto do Seu santuário; desde os Céus o Senhor observou a Terra, para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados à morte; a fim de que seja anunciado o nome do Senhor em Sião, e o Seu louvor em Jerusalém, quando os povos todos se congregarem, e os reinos, para servirem ao Senhor”. Salmos 102:15, 18-22.

Tivesse Israel sido fiel ao seu legado e todas as nações da Terra teriam tomado parte em suas bênçãos. Mas o coração daqueles a quem havia sido confiado o conhecimento da verdade salvadora, não foi tocado pelas necessidades dos que lhes estavam ao redor. Havendo o propósito de Deus sido perdido de vista, foram os pagãos olhados como estando fora do alcance de Sua misericórdia. A luz da verdade foi sonegada, e as trevas prevaleceram. As nações foram cobertas com o véu da ignorância; o amor de Deus era pouco conhecido, e o erro e a superstição floresceram.

Tais eram as perspectivas que acenavam a Isaías quando ele foi chamado para a missão profética; mas ele não se desencorajou, pois em seus ouvidos soava o coro triunfal dos anjos ao redor do trono de Deus: “Toda a Terra está cheia da Sua glória”. Isaías 6:3. E sua fé foi fortalecida pela visão de gloriosas conquistas da parte da igreja de Deus, quando a Terra devia estar “cheia do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar”. Isaías 11:9. “A máscara do rosto, com que todos os povos andam cobertos, e o véu com que todas as nações se escondem” (Isaías 25:7), deviam finalmente ser destruídos. O Espírito de Deus seria derramado sobre toda a carne. Os que tivessem fome e sede de justiça deviam ser contados entre o Israel de Deus. “Brotarão entre a erva, como salgueiros junto aos ribeiros das águas”, disse o profeta. “Este dirá: Eu sou do Senhor; e aquele se chamará do nome de Jacó; e aquele outro escreverá com a sua mão: Eu sou do Senhor; e por sobrenome tomará o nome de Israel”. Isaías 44:4, 5.

Ao profeta foi dada uma revelação do misericordioso propósito de Deus em espalhar a impenitente Judá entre as nações da Terra. “O Meu povo saberá o Meu nome”, o Senhor declarou, “porque Eu mesmo sou o que digo: Eis-Me aqui”. Isaías 52:6. E não somente eles mesmos deviam aprender a lição de obediência e confiança; nos lugares do seu exílio deviam também repartir com outros o conhecimento do Deus vivo. Muitos dentre os filhos dos estrangeiros deviam aprender a amá-Lo como seu Criador e seu Redentor; deviam começar a observância do Seu santo dia de sábado como um memorial ao Seu poder criador; e quando Ele desnudasse “o Seu santo braço perante os olhos de todas as nações”, para livrar o Seu povo do cativeiro, “todos os confins da Terra” veriam a salvação de Deus. Isaías 52:10. Muitos desses conversos do paganismo

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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