Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 156-158

também é requerido”. Gênesis 42:21, 22. José, ouvindo, não pôde dominar suas emoções, e saiu e chorou. À sua volta, ordenou fosse Simeão amarrado perante eles, e de novo entregue à prisão. No tratamento cruel a seu irmão, Simeão fora o instigador e principal ator, e foi por esta razão que a escolha recaiu sobre ele.

Antes de permitir que seus irmãos partissem, José deu ordens para que fossem supridos de trigo, e também que o dinheiro de cada homem fosse colocado secretamente na boca do respectivo saco. Forragem para os animais, durante a viagem para casa, também foi suprida. Em caminho, um do grupo, abrindo o saco ficou surpreendido por encontrar o seu saquitel contendo o dinheiro de prata. Dando a conhecer o fato aos demais, ficaram alarmados e perplexos, e disseram uns aos outros: “Que é isto que Deus nos tem feito?” (Gênesis 42:28) — pois que deveriam considerar isso como um bom sinal da parte do Senhor, ou permitira Ele que tal acontecesse para os castigar de seus pecados e mergulhá-los ainda mais na aflição? Reconheciam que Deus vira seus pecados, e que agora os estava castigando.

Jacó estava inquieto, esperando a volta dos filhos, e à sua chegada todo o acampamento reuniu-se ansiosamente em redor deles enquanto relatavam ao pai tudo que havia ocorrido. O espanto e a apreensão enchiam todos os corações. O proceder do governador egípcio parecia implicar algum mau desígnio, e seus temores se confirmaram, quando ao abrirem os respectivos sacos, o dinheiro do possuidor foi encontrado em cada um deles. Em sua angústia o idoso pai exclamou: “Tendes-me desfilhado; José já não existe, e Simeão não está aqui; agora levareis a Benjamim. Todas estas coisas vieram sobre mim.” Rúben respondeu: “Mata os meus dois filhos, se to não tornar a trazer; dá-mo em minha mão, e to tornarei a trazer.” Este arrebatado discurso não aliviou o espírito de Jacó. Sua resposta foi: “Não descerá meu filho convosco; porquanto seu irmão é morto, e só ele ficou. Se lhe sucede algum desastre no caminho por onde fordes, faríeis descer minhas cãs com tristeza à sepultura”. Gênesis 42:36-38.

Mas a seca continuou, e, com o correr do tempo, o suprimento de trigo que fora trazido do Egito estava quase esgotado. Os filhos de Jacó bem sabiam que seria em vão voltar ao Egito sem Benjamim. Tinham pouca esperança de mudar a resolução de seu pai, e aguardavam o desenlace daquilo em silêncio. Cada vez mais negra se tornava a sombra da fome que se aproximava; no rosto ansioso de todos no acampamento, lia o ancião a necessidade deles; e finalmente disse: “Tornai, comprai-nos um pouco de alimento”. Gênesis 43:2.

Judá respondeu: “Fortemente nos protestou aquele varão, dizendo: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não vier convosco. Se enviares conosco o nosso irmão, desceremos, e te compraremos alimento; mas se não enviares, não desceremos; porquanto aquele varão nos disse: Não vereis a minha face se o vosso irmão não vier convosco”. Gênesis 43:3-5.

Vendo que a resolução de seu pai começava a vacilar, acrescentou: “Envia o mancebo comigo, e levantar-nos-emos, e iremos para que vivamos, e não morramos, nem nós, nem tu, nem os nossos filhos” (Gênesis 43:8); e se ofereceu como fiador por seu irmão, e para assumir a culpa para sempre se deixasse de restituir Benjamim a seu pai.

Jacó não mais podia recusar o seu consentimento, e determinou a seus filhos que se preparassem para a viagem. Ordenou-lhes também que levassem ao governador um presente das coisas que o país devastado pela fome, oferecia: “um pouco de bálsamo, e um pouco de mel, especiarias, mirra, terebinto, e amêndoas”, bem como uma dobrada porção de dinheiro. “Tomai também a vosso irmão, e levantai-vos”, disse ele, “e voltai àquele varão.” Quando seus filhos estavam para partir para a sua viagem duvidosa, o idoso pai levantou-se e erguendo as mãos para o Céu, proferiu esta oração: “E Deus todo-poderoso vos dê misericórdia diante do varão, para que deixe vir convosco vosso outro irmão, e Benjamim; e eu, se for desfilhado, desfilhado ficarei”. Gênesis 43:11, 13, 14.

De novo viajaram ao Egito, e apresentaram-se perante José. Caindo seu olhar sobre Benjamim, o filho de sua própria mãe, ficou ele profundamente comovido. Ocultou, entretanto, a sua emoção, mas ordenou que fossem levados para sua casa, e que se fizessem preparativos para comerem com ele. Sendo conduzidos ao palácio do governador, os irmãos estavam grandemente alarmados, receando ser chamados a dar contas do dinheiro encontrado nos sacos. Pensavam que tivesse sido propositalmente colocado ali, para dar motivo de os fazer escravos. Em sua aflição consultaram o mordomo da casa, relatando-lhe as circunstâncias de sua visita ao Egito; e em prova de sua inocência o informaram de que haviam novamente trazido o dinheiro encontrado nos sacos, como também mais dinheiro para comprar alimento; e acrescentaram: “Não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro nos nossos sacos”. Gênesis 43:22. O homem respondeu: “Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de vosso pai, vos tem dado um tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro me chegou a mim”. Gênesis 43:23. Sua ansiedade aliviou-se; e, quando Simeão, que fora liberto da prisão, uniu-se com eles, entenderam que na verdade Deus lhes era gracioso.

Quando o governador de novo os encontrou, apresentaram seus presentes, e humildemente “inclinaram-se a ele até à terra”. De novo seus sonhos lhe vieram à mente, e, depois de saudar os seus hóspedes, apressou-se a perguntar: “Vosso pai, o velho de quem falastes, está bem, ainda vive?” “Bem está o teu servo, nosso pai vive ainda”, foi a resposta, enquanto de novo se inclinaram. Então seu olhar repousou em Benjamim, e disse: “Este é o vosso irmão mais novo de quem me falastes?” “Deus te abençoe, meu filho”; mas, dominado pelos sentimentos de ternura, nada mais pôde dizer. “Entrou na câmara, e chorou ali”. Gênesis 43:27-30.

Tendo recuperado o domínio de si, voltou, e todos deram início ao banquete. Pelas leis de castas, aos egípcios era vedado comer com o povo de qualquer outra nação. Os filhos de Jacó tinham portanto uma mesa para si, enquanto o governador, por causa de sua elevada posição, comia só, e os egípcios também tinham mesas separadas. Quando todos estavam sentados, os irmãos ficaram surpresos por ver que estavam dispostos na ordem exata, segundo suas idades. José “apresentou-lhes as porções que estavam diante dele”; mas a de Benjamim foi cinco vezes mais a de qualquer deles. Por este sinal de favor para com Benjamim esperava averiguar se o irmão mais moço era olhado com a inveja e ódio que para com ele foram manifestados. Supondo ainda que José não compreendia a sua língua, os irmãos conversavam livremente uns com os outros; assim teve ele boa oportunidade de conhecer seus verdadeiros sentimentos. Desejava ainda prová-los mais, e antes de sua partida ordenou que seu próprio copo de prata fosse escondido no saco do mais moço.

Alegremente partiram para a sua volta. Simeão e Benjamim estavam com eles, seus animais estavam carregados de trigo, e todos entendiam haver escapado em segurança dos perigos que pareciam cercá-los. Todavia, apenas tinham alcançado os arredores da cidade quando foram surpreendidos pelo mordomo do governador, que proferiu a incisiva pergunta: “Por que pagastes mal por bem? Não é este o copo por que bebe meu senhor? e em que ele bem adivinha? Fizestes mal no que fizestes”. Gênesis 44:4, 5. Supunha-se possuir aquela taça o poder de descobrir qualquer substância venenosa na mesma colocada. Naquele tempo, taças desta espécie tinham alto valor como salvaguarda contra o assassínio pelo envenenamento.

À acusação do despenseiro responderam os viajantes: “Por que diz meu senhor tais palavras? Longe estejam teus servos de fazerem semelhante coisa. Eis que o dinheiro, que temos achado nas bocas dos nossos sacos, te tornamos a trazer desde a terra de Canaã; como pois furtaríamos da casa de teu senhor prata ou ouro? Aquele dos teus servos em quem for achado, morra; e ainda nós seremos escravos do meu senhor”. Gênesis 44:7-9.

“Ora seja também conforme as vossas palavras”, disse o mordomo; “aquele em quem se achar será meu escravo, porém vós sereis desculpados”. Gênesis 43:10.

Começou-se imediatamente a verificação. “Eles apressaram-se, e cada um pôs em terra o seu saco” (Gênesis 44:11), e o mordomo examinou cada um, começando com o de Rúben, e fazendo-o por ordem, até o do mais moço. No saco de Benjamim foi encontrado o copo.

Os irmãos rasgaram as vestes em sinal de completa desgraça, e vagarosamente voltaram à cidade. Em virtude de sua própria promessa, Benjamim estava condenado a uma vida de escravidão. Acompanharam o mordomo até o palácio, e, encontrando ainda ali o governador, prostraram-se diante

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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