Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 86
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 159-160
dele: “Que é isto que fizestes?” disse ele. “Não sabeis vós que tal homem como eu bem adivinha?” Gênesis 44:15. José tencionava extorquir-lhes o reconhecimento de seu pecado. Nunca pretendera o poder de adivinhação, mas queria fazê-los crer que podia ler seus segredos.
Judá respondeu: “Que diremos a meu senhor? que falaremos? e como nos justificaremos? Achou Deus a iniqüidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achado o copo”. Gênesis 44:16.
“Longe de mim que eu tal faça”, foi a resposta; “o varão em cuja mão o copo foi achado, aquele será meu servo; porém vós subi em paz para vosso pai”. Gênesis 44:17.
Em sua profunda angústia Judá aproxima-se então do governador, e exclama: “Ai senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó.” Com palavras de tocante eloqüência descreveu a dor de seu pai pela perda de José, e sua relutância em deixar Benjamim vir com eles ao Egito, visto ser ele o único filho que restava de sua mãe Raquel, a quem Jacó amava tão ternamente. “Agora pois”, disse ele, “indo eu a teu servo meu pai, e o moço não indo conosco, como a sua alma está atada com a alma dele, acontecerá que, vendo ele que o moço ali não está, morrerá; e teus servos farão descer as cãs de teu servo, nosso pai, com tristeza, à sepultura. Porque teu servo se deu por fiador por este moço para com meu pai, dizendo: Se não to tornar, eu serei culpado a meu pai todos os dias. Agora, pois, fique teu servo em lugar deste moço por escravo de meu senhor, e que suba o moço com seus irmãos. Por que como subirei eu a meu pai, se o moço não for comigo? para que não veja eu o mal que sobrevirá a meu pai”. Gênesis 44:18, 30-34.
José estava satisfeito. Vira em seus irmãos os frutos do verdadeiro arrependimento. Ouvindo o nobre oferecimento de Judá, deu ordens para que todos, exceto aqueles homens, se retirassem; então, chorando em voz alta, exclamou: “Eu sou José; vive ainda meu pai?” Gênesis 45:3.
Seus irmãos ficaram imóveis, mudos de temor e espanto. Era governador do Egito seu irmão José, aquele irmão a quem invejavam e teriam morto, e que finalmente venderam como escravo! Todos os seus maus-tratos ao mesmo passaram diante deles. Lembraram-se como tinham desprezado seus sonhos, e agido para impedir o seu cumprimento. Haviam contudo desempenhado o seu papel no cumprimento desses sonhos; e, agora que estavam completamente em seu poder, vingar-se-ia ele indubitavelmente do mal que tinha sofrido.
Vendo sua confusão, disse bondosamente: “Peço-vos, chegai-vos a mim”; e, aproximando-se eles, continuou: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para
conservação da vida, Deus me enviou diante da vossa face”. Gênesis 45:4, 5. Entendendo que já haviam sofrido muito pela sua crueldade para com ele, procurou nobremente banir seus temores, e diminuir a amargura da exprobração a si mesmos.
“Porque”, continuou ele, “já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. Pelo que Deus me enviou diante da vossa face, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito. Apressai-vos, e subi a meu pai, e dizei-lhe: Assim tem dito o teu filho José: Deus me tem posto por senhor em toda a terra do Egito; desce a mim, e não te demores; e habitarás na terra de Gósen, e estarás perto de mim, tu e os teus filhos, e os filhos dos teus filhos, e as tuas ovelhas, e as tuas vacas, e tudo o que tens. E ali te sustentarei, porque ainda haverá cinco anos de fome, para que não pereças de pobreza, tu e tua casa, e tudo o que tens. E eis que vossos olhos vêem, e os olhos de meu irmão Benjamim, que é minha boca que vos fala.
“E lançou-se ao pescoço de Benjamim, seu irmão, e chorou; e Benjamim chorou também ao seu pescoço. E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre eles; e depois seus irmãos falaram com ele”. Gênesis 45:6-15. Confessaram humildemente seu pecado, e rogaram perdão. Haviam muito tempo sofrido de ansiedade e remorso, e agora regozijavam-se de que ele ainda estivesse vivo.
A notícia do que tivera lugar rapidamente fora levada ao rei, o qual, ansioso por manifestar sua gratidão para com José, confirmou o convite do governador a sua família, dizendo: “O melhor de toda a terra do Egito será vosso”. Gênesis 45:20. Os irmãos foram enviados abundantemente supridos de provisões e carros, e de todas as coisas necessárias para a mudança de todas as famílias e subordinados para o Egito. A Benjamim, José concedeu presentes mais valiosos do que aos outros. Então, receando que surgissem entre eles discussões durante a viagem para casa, fez-lhes esta recomendação, ao estarem eles prestes a partir: “Não contendais pelo caminho”. Gênesis 45:24.
Os filhos de Jacó voltaram a seu pai com estas alegres novas: “José ainda vive, e ele também é regente em toda a terra do Egito.” A princípio o ancião ficou abismado; não podia crer o que ouvia; mas, quando viu o longo séquito de carros e animais carregados, e Benjamim se achou de novo com ele, convenceu-se e, na plenitude de sua alegria, exclamou: “Basta; ainda vive meu filho José, eu irei, e o verei antes que morra”. Gênesis 45:26, 28.
Outro ato de humilhação restava aos dez irmãos. Confessaram agora ao pai o engano e crueldade que durante tantos anos haviam amargurado
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White