Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 84
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 153-156
dos Faraós. Ele era ainda um estrangeiro em uma terra gentílica, separado de seus parentes, adoradores de Deus; mas cria completamente que a mão divina lhe havia dirigido os passos, e com uma constante confiança em Deus desempenhava fielmente os deveres de seu cargo. Por meio de José a atenção do rei e dos grandes homens do Egito foi dirigida ao verdadeiro Deus; e, embora se apegassem à sua idolatria, aprenderam a respeitar os princípios revelados na vida e caráter do adorador de Jeová.
Como se habilitou José a efetuar um registro tal de firmeza de caráter, correção e sabedoria? — Em seus primeiros anos, havia ele consultado o dever em vez da inclinação; e a integridade, a singela confiança, a natureza nobre, do jovem, produziram frutos nas ações do homem. Uma vida pura e simples favorecera o desenvolvimento vigoroso tanto das faculdades físicas como das intelectuais. A comunhão com Deus mediante Suas obras, e a contemplação das grandiosas verdades confiadas aos herdeiros da fé, haviam elevado e enobrecido sua natureza espiritual, alargando e fortalecendo o espírito como nenhum outro estudo o poderia fazer. A atenção fiel ao dever em todos os postos, desde o mais humilde até o mais elevado, estivera educando toda a faculdade para o seu mais elevado serviço. Aquele que vive de acordo com a vontade do Criador, está a assegurar para si o mais verdadeiro e nobre desenvolvimento de caráter. “O temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência”. Jó 28:28.
Poucos há que se compenetram da influência das pequenas coisas da vida sobre o desenvolvimento do caráter. Nada com que temos de tratar é realmente pequeno. As circunstâncias variadas que deparamos dia após dia, são destinadas a provar nossa fidelidade, e habilitar-nos a maiores encargos. Pelo apego aos princípios nas transações da vida usual, a mente se habitua a considerar as exigências do dever acima das do prazer e da inclinação. Espíritos assim disciplinados não estão a vacilar entre o direito e o que não o é, como a vara a tremer ao vento; são fiéis ao dever porque se educaram aos hábitos de fidelidade e verdade. Pela fidelidade naquilo que é o mínimo, adquirem forças para serem fiéis em coisas maiores.
Um caráter reto é de maior valor do que o ouro de Ofir. Sem ele ninguém pode subir a uma altura honrosa. Mas não se herda o caráter. Não pode ser comprado. A excelência moral e as belas qualidades mentais não são o resultado do acaso. Os mais preciosos dons não são de valor algum a menos que sejam aperfeiçoados. A formação de um caráter nobre é obra de uma vida inteira, e deve ser o resultado de esforço diligente e perseverante. Deus dá as oportunidades; o êxito depende do aproveitamento das mesmas.
Capítulo 21 — José e seus irmãos
Este capítulo é baseado em Gênesis 41:54-56; 42-50.
Logo no início dos anos produtivos, começaram-se os preparativos para a fome que se aproximava. Sob a administração de José imensos depósitos foram construídos em todos os lugares principais, por toda a terra do Egito, e tomadas amplas disposições para preservar o excedente da colheita que se esperava. A mesma orientação foi continuada durante os sete anos de abundância, até que a quantidade de trigo posta em depósito se achava além de estimativa.
E então começaram a vir os sete anos de escassez, conforme a predição de José. “E havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egito havia pão. E tendo toda a terra do Egito fome, clamou o povo a Faraó por pão; e Faraó disse a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser, fazei. Havendo pois fome sobre toda a terra, abriu José tudo em que havia mantimento, e vendeu aos egípcios”. Gênesis 41:54-56.
A fome estendeu-se à terra de Canaã, e foi severamente sentida naquela parte do país em que Jacó habitava. Ouvindo falar da provisão abundante feita pelo rei do Egito, dez dos filhos de Jacó viajaram para ali a fim de comprar trigo. À sua chegada foram encaminhados ao agente do rei e juntamente com outros pretendentes vieram apresentar-se perante o governador da terra. E eles “inclinaram-se ante ele com a face na terra”. “José, pois, conheceu os seus irmãos; mas eles não o conheceram”. Gênesis 42:6, 8. Seu nome hebreu tinha sido mudado por outro, concedido pelo rei; e pouca semelhança havia entre o primeiro-ministro do Egito e o rapaz que haviam vendido aos ismaelitas. Quando José viu os irmãos curvarem-se e fazerem-lhe mesuras, seus sonhos vieram-lhe à mente, e as cenas do passado surgiram vividamente diante dele. Seu olhar penetrante, examinando o grupo, descobriu que Benjamim não estava entre eles. Teria ele também caído como vítima da traiçoeira crueldade daqueles homens ferozes? Decidiu-se a saber a verdade. “Vós sois espias”, disse ele severamente; “e viestes para ver a nudez da terra”. Gênesis 42:9.
Eles responderam: “Não, senhor meu; mas teus servos vieram comprar mantimento. Todos nós somos filhos de um varão: somos homens de retidão; os teus servos não são espias.” Desejou saber se possuíam o mesmo espírito altivo que tinham quando com eles estava; e bem assim tirar deles alguma informação com relação à sua casa; bem sabia, contudo, quão enganadoras poderiam ser as suas declarações. Repetiu
a acusação, e eles replicaram: “Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um varão da terra de Canaã; e eis que o mais novo está com nosso pai hoje; mas um já não existe”. Gênesis 42:10, 13.
Dizendo-se estar em dúvida quanto à veracidade de sua história, e considerá-los ainda como espias, o governador declarou que os provaria, exigindo deles que ficassem no Egito até que um deles fosse e trouxesse seu irmão mais moço. Se não consentissem nisto, deveriam ser tratados como espias. Mas com tal disposição os filhos de Jacó não poderiam concordar, visto que o tempo exigido para levá-la a efeito faria com que suas famílias sofressem pela falta de alimento; e quem entre eles empreenderia a viagem sozinho, deixando seus irmãos na prisão? Como poderia esse encontrar o pai, em tais circunstâncias? Parecia provável que seriam mortos ou escravizados; e, se Benjamim fosse trazido, poderia ser apenas para participar da sorte deles. Decidiram-se a ficar e sofrer juntos, em vez de trazerem novas tristezas ao pai pela perda do único filho que lhe restava. Em conformidade com isto foram lançados na prisão, onde ficaram três dias.
Durante os anos em que José estivera separado dos irmãos, estes filhos de Jacó se haviam mudado em seu caráter. Invejosos, turbulentos, enganadores, cruéis e vingativos tinham eles sido; mas agora, quando provados pela adversidade, mostraram-se abnegados, leais uns para com os outros, dedicados ao pai, e, sendo eles homens de idade mediana, sujeitos à sua autoridade.
Os três dias na prisão egípcia foram de amargurada tristeza, ao refletirem os irmãos em seus pecados passados. A menos que Benjamim pudesse ser trazido, parecia certa a convicção a respeito deles como espias; e pouca esperança tinham de obter o consentimento de seu pai para a ausência de Benjamim. No terceiro dia, José fez com que os irmãos fossem trazidos perante ele. Não ousava detê-los por mais tempo. Seu pai e as famílias que com ele estavam poderiam já estar a sofrer falta de alimento. “Fazei isto, e vivereis”, disse ele; “porque eu temo a Deus. Se sois homens de retidão, que fique um de vossos irmãos, preso na casa de vossa prisão; e vós ide, levai trigo para a fome de vossa casa, e trazei-me o vosso irmão mais novo, e serão verificadas as vossas palavras, e não morrereis”. Gênesis 42:18-20. Esta proposta concordavam em aceitar, exprimindo embora pouca esperança de que seu pai deixasse Benjamim vir com eles. José se comunicara com eles mediante um intérprete, e, não fazendo idéia que o governador os compreendesse, conversavam livremente um com outro em sua presença. Acusavam-se com relação ao tratamento que deram a José: “Na verdade, somos culpados acerca de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos rogava; nós, porém, não ouvimos; por isso vem sobre nós esta angústia.” Rúben, que havia formulado o plano de entregar em Dotã, acrescentou: “Não vo-lo dizia eu, dizendo: Não pequeis contra o moço? Mas não ouvistes; e vedes aqui, o seu sangue
também é requerido”. Gênesis 42:21, 22. José, ouvindo, não pôde dominar suas emoções, e saiu e chorou. À sua volta, ordenou fosse Simeão amarrado perante eles, e de novo entregue à prisão. No tratamento cruel a seu irmão, Simeão fora o instigador e principal ator, e foi por esta razão que a escolha recaiu sobre ele.
Antes de permitir que seus irmãos partissem, José deu ordens para que fossem supridos de trigo, e também que o dinheiro de cada homem fosse colocado secretamente na boca do respectivo saco. Forragem para os animais, durante a viagem para casa, também foi suprida. Em caminho, um do grupo, abrindo o saco ficou surpreendido por encontrar o seu saquitel contendo o dinheiro de prata. Dando a conhecer o fato aos demais, ficaram alarmados e perplexos, e disseram uns aos outros: “Que é isto que Deus nos tem feito?” (Gênesis 42:28) — pois que deveriam considerar isso como um bom sinal da parte do Senhor, ou permitira Ele que tal acontecesse para os castigar de seus pecados e mergulhá-los ainda mais na aflição? Reconheciam que Deus vira seus pecados, e que agora os estava castigando.
Jacó estava inquieto, esperando a volta dos filhos, e à sua chegada todo o acampamento reuniu-se ansiosamente em redor deles enquanto relatavam ao pai tudo que havia ocorrido. O espanto e a apreensão enchiam todos os corações. O proceder do governador egípcio parecia implicar algum mau desígnio, e seus temores se confirmaram, quando ao abrirem os respectivos sacos, o dinheiro do possuidor foi encontrado em cada um deles. Em sua angústia o idoso pai exclamou: “Tendes-me desfilhado; José já não existe, e Simeão não está aqui; agora levareis a Benjamim. Todas estas coisas vieram sobre mim.” Rúben respondeu: “Mata os meus dois filhos, se to não tornar a trazer; dá-mo em minha mão, e to tornarei a trazer.” Este arrebatado discurso não aliviou o espírito de Jacó. Sua resposta foi: “Não descerá meu filho convosco; porquanto seu irmão é morto, e só ele ficou. Se lhe sucede algum desastre no caminho por onde fordes, faríeis descer minhas cãs com tristeza à sepultura”. Gênesis 42:36-38.
Mas a seca continuou, e, com o correr do tempo, o suprimento de trigo que fora trazido do Egito estava quase esgotado. Os filhos de Jacó bem sabiam que seria em vão voltar ao Egito sem Benjamim. Tinham pouca esperança de mudar a resolução de seu pai, e aguardavam o desenlace daquilo em silêncio. Cada vez mais negra se tornava a sombra da fome que se aproximava; no rosto ansioso de todos no acampamento, lia o ancião a necessidade deles; e finalmente disse: “Tornai, comprai-nos um pouco de alimento”. Gênesis 43:2.
Judá respondeu: “Fortemente nos protestou aquele varão, dizendo: Não vereis a minha face, se o vosso irmão não vier convosco. Se enviares conosco o nosso irmão, desceremos, e te compraremos alimento; mas se não enviares, não desceremos; porquanto aquele varão nos disse: Não vereis a minha face se o vosso irmão não vier convosco”. Gênesis 43:3-5.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White