Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, página 145

estava presente, falou reprovando: “Que sonho é este que sonhaste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?” Gênesis 37:10. Apesar da severidade aparente de suas palavras, Jacó acreditava que o Senhor estava revelando o futuro a José.

Achando-se o rapaz perante os irmãos, brilhando seu belo rosto pelo Espírito de inspiração, não puderam deixar de admirá-lo; porém não optaram pela renúncia de seus maus caminhos, e odiaram a pureza que lhes reprovava os pecados. O mesmo espírito que atuava em Caim, abrasava-se em seus corações.

Os irmãos eram obrigados a mudar-se de um lugar para outro a fim de conseguirem pasto para seus rebanhos, e freqüentemente ficavam ausentes de casa durante meses seguidos. Depois das circunstâncias que se acabam de referir, foram ao lugar que seu pai comprara em Siquém. Passou-se algum tempo, sem que viessem notícias, e o pai começou a temer pela segurança deles, por causa de sua crueldade anterior para com os siquemitas. Mandou, pois, José a encontrá-los, e trazer-lhe notícia como iam. Se Jacó tivesse conhecido o sentimento real de seus filhos para com José, não o teria confiado sozinho a eles; isso, porém, haviam eles cuidadosamente ocultado.

Com o coração alegre José despediu-se de seu pai, não sonhando o idoso varão e nem o jovem, o que aconteceria antes que de novo se encontrassem. Quando, depois de sua longa e solitária viagem, José chegou a Siquém, não encontrou os irmãos e os rebanhos. Indagando a respeito deles, encaminharam-no a Dotã. Já havia viajado mais de setenta e cinco quilômetros, e agora uma distância adicional de vinte e dois achava-se diante dele; foi-se, porém, à pressa, esquecendo seu cansaço com o pensamento de aliviar a ansiedade do pai, e encontrar os irmãos, a quem, apesar de sua maldade, ainda amava.

Seus irmãos viram-no aproximar-se; porém nenhum pensamento da longa viagem que fizera para os encontrar, de seu cansaço e fome, do direito à sua hospitalidade e amor fraternal, abrandou a amargura de seu ódio. A vista da capa, sinal do amor de seu pai, encheu-os de agitação. “Eis lá vem o sonhador-mor!” (Gênesis 37:19) exclamaram zombeteiramente. A inveja e a vingança, durante muito tempo secretamente acalentadas, agora os dominavam. “Matemo-lo”, disseram, “e lancemo-lo numa destas covas, e diremos: Uma besta fera o comeu; e veremos que será dos seus sonhos”. Gênesis 37:20.

Teriam executado seu intento, se não fora Rúben. Ele se negou a participar do assassínio de seu irmão, e propôs que José fosse lançado vivo em uma cova, e ali deixado a perecer, sendo, entretanto, seu intuito secreto, livrá-lo, e devolvê-lo ao pai. Tendo persuadido todos a consentirem neste plano, Rúben deixou o grupo, receando que não pudesse dominar seus sentimentos, e fossem descobertas suas verdadeiras intenções.

José chegou, sem suspeitar do perigo, e alegre de que o objetivo de sua longa pesquisa estivesse cumprido; mas em vez da esperada saudação

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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