Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 64
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 131-133
a um pastor. Depois da queda viu Suas ovelhas condenadas a perecerem nos caminhos tenebrosos do pecado. Para salvar a esses seres errantes, deixou as honras e glórias da casa de Seu Pai. Diz Ele: “A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei.” “Eu livrarei as Minhas ovelhas, para que não sirvam mais de rapina”, e “a besta fera da terra nunca mais as comerá”. Ezequiel 34:16, 22, 28. Sua voz é ouvida chamando-as ao Seu aprisco, “para sombra contra o calor do dia; e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva”. Isaías 4:6. Seu cuidado pelo rebanho é incansável. Fortalece as fracas, alivia as que sofrem, ajunta os cordeiros em Seus braços, e leva-os em Seu seio. Suas ovelhas O amam. “De modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. João 10:5.
Diz Cristo: “O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor e conheço as Minhas ovelhas, e das Minhas sou conhecido”. João 10:11-14.
Cristo, o Pastor-chefe, confiou o cuidado de Seu rebanho a Seus ministros, como pastores-ajudantes; e ordena-lhes que tenham o mesmo interesse que Ele manifestou, e sintam a responsabilidade sagrada do encargo que lhes cometeu. Mandou-lhes solenemente que sejam fiéis, que alimentem o rebanho, que fortaleçam as fracas, que reanimem as desfalecidas, e as defendam dos lobos devoradores.
Para salvar Suas ovelhas Cristo depôs a própria vida; e Ele indica a Seus pastores o amor assim manifestado, como exemplo para eles. Mas “o mercenário, [...] de quem não são as ovelhas” (João 10:12), não tem interesse verdadeiro no rebanho. Trabalha meramente por amor ao ganho, e apenas cuida de si. Preocupa-se com seu próprio proveito, em vez do interesse de seu cargo; e, em tempo de risco ou perigo, fugirá, e deixará o rebanho.
O apóstolo Pedro admoesta os pastores-auxiliares: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”. 1 Pedro 5:2, 3. Paulo diz: “Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que Ele resgatou com Seu próprio sangue. Porque eu sei isto, que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho”. Atos dos Apóstolos 20:28, 29. Todos os que consideram como uma tarefa desagradável os cuidados e encargos que caem por sorte ao fiel pastor, são reprovados pelo apóstolo: “Não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto”. 1 Pedro 5:2. A todos os servos assim infiéis o Pastor-chefe de boa vontade dispensará. A igreja de Cristo foi comprada com o Seu sangue,
e cada pastor deve compenetrar-se de que as ovelhas sob seu cuidado custaram um sacrifício infinito. Deve considerar a cada uma delas como tendo um valor inapreciável, e ser incansável em seus esforços por conservá-las em estado salutar e próspero. O pastor que estiver embebido do espírito de Cristo imitará Seu exemplo abnegado, trabalhando constantemente pelo bem-estar de seu rebanho; e este prosperará sob seu cuidado.
Todos serão chamados a prestar contas estritas de seu ministério. O Mestre exigirá de cada pastor: “Onde está o rebanho que se te deu, e as ovelhas de tua glória?” Jeremias 13:20. Aquele que for encontrado fiel, receberá um rico galardão. “Quando aparecer o Sumo Pastor”, diz o apóstolo, “alcançareis a incorruptível coroa de glória”. 1 Pedro 5:4.
Quando Jacó, tornando-se cansado ao serviço de Labão, propôs voltar para Canaã, disse ao sogro: “Deixa-me ir, que me vá ao meu lugar, e à minha terra. Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e ir-me-ei; pois tu sabes o meu serviço que te tenho feito.” Mas Labão instou com ele para que ficasse, declarando: “Tenho experimentado que o Senhor me abençoou por amor de ti”. Gênesis 30:25-27. Ele viu que sua propriedade estava aumentando sob o cuidado do genro.
Disse Jacó: “O pouco que tinhas antes de mim, é aumentado até uma multidão”. Gênesis 30:30. Mas, passando-se o tempo, Labão ficou invejoso da prosperidade maior de Jacó, que “cresceu” “em grande maneira, e teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos, e jumentos”. Gênesis 30:43. Os filhos de Labão partilhavam da inveja do pai, e suas palavras maliciosas vieram aos ouvidos de Jacó: Ele “tem tomado tudo o que era de nosso pai, e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória. Viu também Jacó o rosto de Labão, e eis que não era para com ele como dantes”. Gênesis 31:2.
Jacó teria deixado seu enganoso parente muito tempo antes, se não fora o receio de encontrar-se com Esaú. Agora via ele que estava em perigo por parte dos filhos de Labão, os quais, olhando para a sua riqueza como se fora deles, poderiam procurar apossar-se dela pela violência. Achava-se em grande perplexidade e angústia, não sabendo que rumo tomar. Mas, lembrando-se da graciosa promessa de Betel, levou o seu caso a Deus, e procurou direção da parte dEle. Em um sonho foi respondida a sua oração: “Torna à terra dos teus pais, e à tua parentela, e Eu serei contigo”. Gênesis 31:3.
A ausência de Labão ofereceu oportunidade para a partida. Os rebanhos e gado foram reunidos depressa e mandados adiante, e, com suas mulheres, filhos e servos, Jacó atravessou o Eufrates, apressando-se para Gileade, nas fronteiras de Canaã. Depois de três dias, Labão soube da fuga deles, e pôs-se em seu encalço, alcançando a multidão no sétimo dia de viagem. Estava ardendo em ira, e resolvido a fazê-los voltar, o que não duvidava poder fazer, visto que seu grupo era muito mais forte. Os fugitivos estavam na verdade em grande perigo.
O não haver ele levado a efeito seu plano hostil foi devido ao fato de que Deus mesmo interviera em proteção de Seu servo. “Poder havia em minha mão para vos fazer mal”, disse Labão, “mas o Deus de vosso pai me falou ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales a Jacó nem bem nem mal” (Gênesis 31:29); isto é, ele não deveria obrigá-lo a voltar, ou instar com o mesmo, mediante propostas lisonjeiras.
Labão tinha retido para si o dote matrimonial de suas filhas, e sempre tratara a Jacó com engano e aspereza; mas com uma dissimulação característica censurou-o agora pela sua partida secreta, a qual não dera ao pai oportunidade de fazer uma festa para a partida, ou mesmo para dizer adeus a suas filhas e filhos delas.
Em resposta Jacó apresentou claramente o procedimento egoísta e ambicioso de Labão, e apelou para ele como testemunha de sua própria fidelidade e honestidade. “Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, e o temor de Isaque, não fora comigo”, disse Jacó, “por certo me enviarias agora vazio. Deus atendeu a minha aflição, e ao trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite”. Gênesis 31:42.
Labão não pôde negar os fatos apresentados, e propôs então entrar em um concerto de paz. Jacó consentiu na proposta, e uma pilha de pedras foi erguida como sinal do pacto. A esta pilha deu Labão o nome de Mispa, “torre de vigia”, dizendo: “Atente ou ‘vigie’ o Senhor entre mim e ti, quando nós estivermos apartados um do outro.”
“Disse mais Labão a Jacó: Eis aqui este mesmo montão, e eis aqui essa coluna que levantei entre mim e ti. Esse montão seja testemunha, e esta coluna seja testemunha, que eu não passarei este montão para lá, e que tu não passarás este montão e esta coluna para cá, para mal. O Deus de Abraão e o Deus de Naor, o Deus de seu pai julgue entre nós. E jurou Jacó pelo temor de seu pai Isaque”. Gênesis 31:52, 53. Para confirmar o tratado, os dois partidos realizaram um banquete. A noite foi passada em comunhão agradável; e, ao romper da aurora, Labão e seu grupo partiram. Com esta separação cessou todo o traço de conexão entre os filhos de Abraão e os moradores da Mesopotâmia.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White