Cristo Nossa Redenção

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Leitura do livro

Patriarcas e Profetas, páginas 128-130

Betel, ou “casa de Deus”. Com profunda gratidão repetiu a promessa de que a presença de Deus seria com ele; e então fez este voto solene: “Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer e vestidos para vestir; e eu em paz tornar à casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus; e esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente Te darei o dízimo”. Gênesis 28:20-22.

Jacó não estava aqui a fazer um contrato com Deus. O Senhor já lhe havia prometido prosperidade, e este voto era o transbordar de um coração cheio de gratidão pela certeza do amor e misericórdia de Deus. Jacó entendia que Deus tinha direitos sobre ele, os quais ele devia reconhecer, e que os sinais especiais do favor divino a ele concedidos exigiam retribuição. Assim, toda a bênção que nos é concedida reclama uma resposta ao Autor de todas as nossas vantagens. O cristão deve muitas vezes rever sua vida passada, e relembrar com gratidão os preciosos livramentos que Deus operou em favor dele, amparando-o na provação, abrindo caminho diante dele quando tudo parecia escuro e vedado, refrigerando-o quando pronto a desfalecer. Deve reconhecê-los todos como provas do cuidado vigilante dos anjos celestiais. Em vista destas bênçãos inumeráveis, deve muitas vezes perguntar, com coração submisso e grato: “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?” Salmos 116:12.

Nosso tempo, nossos talentos, nossa propriedade devem ser, de maneira santa, dedicados Àquele que nos confiou estas bênçãos. Quando quer que um livramento especial seja operado em nosso favor, ou novas e inesperadas bênçãos nos são concedidas, devemos reconhecer a bondade de Deus não simplesmente exprimindo nossa gratidão com palavras, mas, como Jacó, por meio de dádiva e ofertas à Sua causa. Assim como estamos continuamente a receber as bênçãos de Deus, assim devemos estar continuamente a dar.

“De tudo quanto me deres”, disse Jacó, “certamente Te darei o dízimo”. Gênesis 28:22. Deveremos nós, que desfrutamos a plena luz e os privilégios do evangelho, estar contentes com dar menos a Deus do que foi dado por aqueles que viveram na dispensação anterior, menos favorecida? Ao contrário, sendo que as bênçãos que fruímos são maiores, não se acham nossas obrigações aumentadas de modo correspondente? Que pequeno o preço! Como é vão o esforço de medir com regras matemáticas, o tempo, dinheiro e amor, em face de um amor e sacrifício imensuráveis e que não se podem avaliar. Dízimos para Cristo! Oh, mesquinha esmola, vergonhosa recompensa daquilo que tanto custou. Da cruz do Calvário Cristo pede uma consagração sem reservas. Tudo que temos, tudo que somos, deve ser dedicado a Deus.

Com uma fé nova e permanente nas promessas divinas e certo da presença e guarda dos anjos celestiais, Jacó prosseguiu em sua jornada para “a terra dos filhos do Oriente”. Gênesis 29:1. Mas quão diferente foi sua chegada

da do mensageiro de Abraão, quase cem anos antes! O servo chegara com um séquito de ajudantes viajando em camelos, e com ricos presentes de ouro e prata; Jacó era um viajante solitário, tendo magoados os pés, sem nada possuir a não ser seu bastão. Como o servo de Abraão, Jacó se deteve ao lado de um poço, e foi aqui que ele se encontrou com Raquel, a filha mais moça de Labão. Agora foi Jacó que prestou serviço, volvendo a pedra do poço, e dando a beber aos rebanhos. Dando a conhecer o seu parentesco, foi bem recebido na casa de Labão. Se bem que tivesse vindo desprovido e desacompanhado, poucas semanas mostraram o valor de sua diligência e habilidade, e insistiu-se com ele que ficasse. Foi combinado que devia prestar sete anos de serviço a Labão pela mão de Raquel.

Nos tempos primitivos, exigia o costume que o noivo, antes da confirmação do contrato de casamento, pagasse uma soma de dinheiro, ou seu equivalente em outras propriedades, conforme as suas circunstâncias, ao pai da noiva. Isto era considerado como uma salvaguarda à relação matrimonial. Os pais não julgavam de bom aviso confiar a felicidade de suas filhas a homens que não haviam feito as devidas provisões para a manutenção de uma família. Se não possuíam tino econômico suficiente e energia para dirigir negócios e adquirir gado ou terras, receava-se que sua vida se mostrasse inútil. Mas tomava-se providência para provar aqueles que nada tinham para pagar por uma esposa. Permitia-se-lhes trabalhar para o pai, cuja filha amavam, sendo a duração do tempo determinada pelo valor do dote exigido. Quando o pretendente era fiel em seu trabalho, e provava ser digno em outros sentidos, obtinha a filha como esposa; e geralmente o dote que o pai recebera era dado a ela por ocasião do casamento. Tanto no caso de Raquel como no de Léia, reteve entretanto Labão, egoistamente, o dote que lhes teria sido dado; referiram-se a isto quando disseram, precisamente antes da mudança de Mesopotâmia: “Vendeu-nos, e comeu todo o nosso dinheiro”. Gênesis 31:15.

O antigo costume, se bem que algumas vezes do mesmo se abusasse, assim como o fizera Labão, produzia bons resultados. Quando se exigia do pretendente prestar serviços, a fim de obter a sua noiva, evitava-se um casamento precipitado, e havia oportunidade de provar-se a profundidade de seu afeto, bem como sua habilidade para prover as necessidades de uma família. Em nossos tempos, muitos males resultam de seguir uma conduta oposta. Freqüentemente dá-se o caso que pessoas, antes do casamento, têm pouca oportunidade de se familiarizarem com os hábitos e disposições uma da outra, e, quanto ao que se refere à vida diária, são virtualmente estranhas quando no altar unem os seus interesses. Muitos acham, demasiado tarde, que não se adaptam um ao outro, e a desgraça por toda a vida é o resultado de sua união. Freqüentes vezes a esposa e os filhos sofrem pela indolência e inépcia, ou pelos hábitos viciosos do marido e pai. Se o caráter do pretendente houvesse sido provado antes do casamento,

conforme o antigo costume, poder-se-ia ter evitado grande infelicidade.

Sete anos de serviço fiel Jacó prestou em atenção a Raquel, e os anos que ele serviu “foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava”. Gênesis 29:20. Mas o egoísta e ganancioso Labão, desejando reter um auxiliar tão valioso, praticou um cruel engano substituindo Raquel por Léia. O fato de que a própria Léia fez parte da trapaça, fez Jacó pressentir que a não poderia amar. Sua censura feita com indignação a Labão foi defrontada com o oferecimento de Raquel por outros sete anos de trabalho. Insistia, porém, o pai que Léia não fosse despedida, visto que isto acarretaria ignomínia à família. Jacó foi posto assim em uma posição mui dolorosa e probante; decidiu-se finalmente a conservar Léia e desposar Raquel. Esta foi sempre a mui amada; mas a preferência dele por ela provocava inveja e ciúme, e sua vida se amargurava pela rivalidade entre as esposas-irmãs.

Durante vinte anos, Jacó permaneceu na Mesopotâmia, trabalhando ao serviço de Labão, que, desatendendo os laços de parentesco, aplicava-se a obter para si todos os benefícios da ligação que entre eles havia. Catorze anos de labuta ele exigira por suas duas filhas; e, durante o tempo restante, o salário de Jacó foi dez vezes mudado. Era, contudo, diligente e fiel o serviço de Jacó. Suas palavras a Labão, em sua última entrevista, descrevem vividamente a vigilância incansável que exercera aos interesses do exigente patrão: “Estes vinte anos eu estive contigo, as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho. Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o furtado de noite da minha mão o requerias. Estava eu de sorte que de dia me consumia o calor e, de noite a geada; e o meu sono foi-se dos meus olhos”. Gênesis 31:38-40.

Era necessário que o pastor vigiasse seus rebanhos de dia e de noite. Estavam em perigo de ladrões, e também dos animais selvagens, que eram numerosos e audazes, fazendo muitas vezes grande estrago nos rebanhos que não eram fielmente guardados. Jacó tinha muitos auxiliares ao cuidar dos vastos rebanhos de Labão; mas ele mesmo era tido como o responsável por todos. Durante algumas partes do ano era-lhe necessário estar em pessoa, constantemente, com os rebanhos, para os guardar na estação seca de perecerem de sede, e durante os meses frios de se enregelarem com a pesada geada noturna. Jacó era o pastor-chefe; os servos que ele empregava eram pastores-ajudantes. Se algumas das ovelhas faltavam, o pastor-chefe sofria o prejuízo; e ele chamava os servos a quem confiara o cuidado do rebanho a prestar conta estrita, se o mesmo não era encontrado em condições prósperas.

A vida de diligência e cuidados do pastor, e sua terna compaixão pelas desajudadas criaturas confiadas à sua guarda, têm sido empregadas pelos escritores inspirados para ilustrar algumas das verdades mais preciosas do evangelho. Cristo, em Sua relação para com Seu povo, é comparado

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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