Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 341
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 532-533
tornou conhecido, e despertou a suspeita de que ele projetara a morte de Urias. O Senhor foi desonrado. Ele tinha favorecido e exaltado a Davi, e o pecado deste representou falsamente o caráter de Deus, lançando ignomínia ao Seu nome. Tendia a abaixar a norma da piedade em Israel, e diminuir em muitos espíritos a aversão pelo pecado; ao mesmo tempo, os que não amavam nem temiam a Deus se tornaram por meio daquele pecado audazes na transgressão.
Ao profeta Natã foi ordenado levar uma mensagem de reprovação a Davi. Era uma mensagem terrível pela sua severidade. A poucos soberanos tal censura poderia ser feita, a não ser com o preço de morte certa a quem a fizesse. Natã transmitiu resolutamente a sentença divina, e, contudo, com tal sabedoria do alto, que captou a simpatia do rei, despertou-lhe a consciência e arrancou-lhe dos lábios a sentença de morte sobre si. Apelando para Davi como o guarda divinamente designado dos direitos de seu povo, o profeta referiu a história da falta e opressão que exigiam desagravo.
“Havia numa cidade dois homens”, disse ele, “um rico e outro pobre. O rico tinha muitíssimas ovelhas e vacas; mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e ela tinha crescido com ele e com seus filhos igualmente; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha. E, vindo ao homem rico um viajante, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vacas para guisar para o viajante que viera a ele, e tomou a cordeira do homem pobre, e a preparou para o homem que viera a ele.”
Despertou-se a ira do rei, e ele exclamou: “Vive o Senhor que digno de morte é o homem que fez isso. E pela cordeira tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa, e porque não se compadeceu”. 2 Samuel 12:5, 6.
Natã fixou ao olhos no rei; então, levantando sua destra para o céu, declarou solenemente. “Tu és esse homem.” “Por que, pois”, continuou ele, “desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de Seus olhos?” Os criminosos podem, como fizera Davi, tentar esconder dos homens o seu crime; podem procurar sepultar a má ação, para sempre, longe das vistas ou do conhecimento humano; mas “todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos dAquele com quem temos de tratar”. Hebreus 4:13. “Nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se”. Mateus 10:26.
Natã declarou: “Assim diz o Senhor Deus de Israel: Eu te ungi sobre Israel, e Eu te livrei das mãos de Saul. [...] Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de Seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa. [...] Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo. [...] Porque tu o fizeste em oculto, mas Eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o Sol”. 2 Samuel 12:7-12.
A censura do profeta tocou o coração de Davi; despertou-lhe a consciência; seu crime apareceu em toda a sua enormidade. Sua alma curvou-se arrependida diante de Deus. Com lábios trêmulos ele disse: “Pequei contra o Senhor.” Todo o mal, feito a outrem, reflete do ofendido para Deus. Davi cometera um grave pecado, tanto para com Urias como para Bate-Seba, e intensamente o sentia. Mas infinitamente maior era seu pecado contra Deus.
Como não se encontrasse ninguém em Israel para executar a sentença de morte sobre o ungido do Senhor, Davi estremecia com o receio de que, estando em falta e não perdoado, fosse ele suprimido pelo rápido juízo de Deus. Mas foi-lhe enviada a mensagem pelo profeta: “Também o Senhor traspassou o teu pecado; não morrerás.” Todavia a justiça deveria ser mantida. A sentença de morte foi transferida de Davi à criança de seu pecado. Assim ao rei foi dada oportunidade para o arrependimento, conquanto para ele o sofrimento e morte da criança, como parte de seu castigo, foram muito mais amargos do que poderia ter sido sua própria morte. Disse o profeta: “Porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do Senhor blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá”. 2 Samuel 12:13, 14.
Quando seu filho foi atacado pela doença, Davi, com jejum e profunda humilhação, rogou pela sua vida. Retirou as vestes reais, depôs a coroa, e noite após noite jazia prostrado em terra, intercedendo, com a dor de um coração quebrantado, pelo inocente que sofria por culpa dele. “Os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém, ele não quis”. 2 Samuel 12:17. Muitas vezes quando foram pronunciados juízos sobre pessoas ou cidades, a humilhação e o arrependimento desviaram o golpe, e Aquele que é sempre misericordioso, pronto a perdoar, enviara mensageiros de paz. Animado com este pensamento, Davi perseverou em sua súplica enquanto a criança foi poupada em vida. Sabendo que era morta, silenciosamente submeteu-se ao decreto de Deus. O primeiro golpe fora desferido, naquela retribuição que ele próprio declarara justa; mas Davi, confiando na misericórdia de Deus, não ficou sem consolação.
Muitíssimas pessoas, lendo a história da queda de Davi, têm perguntado: “Por que se faz público tal registro? Por que achou Deus conveniente patentear ao mundo este negro episódio da vida de quem fora tão grandemente honrado pelo Céu?” O profeta, em sua reprovação a Davi, declarou com relação ao seu pecado: “Com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do Senhor blasfemem”. 2 Samuel 12:14. Através de gerações sucessivas, os incrédulos têm apontado para o caráter de Davi, que traz esta negra mancha, e exclamado com triunfo e escárnio: “Este é o homem segundo o coração de Deus!” Atos dos Apóstolos 13:22. Assim foi trazido opróbrio à religião, Deus e Sua Palavra foram blasfemados, muitos
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White