Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 342
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 534-536
se endureceram na incredulidade, e outros, sob um manto de piedade, se tornaram audazes no pecado.
Mas a história de Davi não fornece defesa ao pecado. Era quando ele andava no conselho de Deus que era chamado homem segundo o coração de Deus. Pecando, isto cessou de ser verdade com relação a ele, até que pelo arrependimento voltasse ao Senhor. A Palavra de Deus compreensivelmente declara: “Esta coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do Senhor”. 2 Samuel 11:27. E o Senhor disse a Davi pelo profeta: “Por que, pois, desprezaste a Palavra do Senhor, fazendo o mal diante de Seus olhos? [...] Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto Me desprezaste”. 2 Samuel 12:9, 10. Embora Davi se arrependesse de seu pecado, e fosse perdoado e aceito pelo Senhor, colheu os resultados da semente que ele próprio semeara. Os juízos sobre ele e sua casa testificam da aversão de Deus ao pecado.
Até ali a providência de Deus tinha preservado a Davi contra todas as conspirações de seus inimigos, e fora diretamente exercida para restringir a Saul. A transgressão de Davi mudou, porém, sua relação para com Deus. O Senhor de nenhuma maneira podia sancionar a iniqüidade. Ele não podia exercer Seu poder para proteger a Davi dos resultados de seu pecado, como o protegera da inimizade de Saul.
Houve uma grande mudança no próprio Davi. Ele ficou quebrantado em espírito pela consciência de seu pecado, e de seus resultados, que teriam grande alcance. Sentiu-se humilhado aos olhos de seus súditos. Sua influência se enfraqueceu. Até ali sua prosperidade fora atribuída à sua conscienciosa obediência aos mandamentos do Senhor. Mas agora seus súditos, tendo conhecimento de seu pecado, seriam levados a pecar mais livremente. Sua autoridade em sua própria casa, o direito ao respeito e à obediência de seus filhos, enfraqueceram. Uma intuição de sua culpa conservava-o silencioso quando ele teria condenado o pecado; tornava fraco o seu braço para executar justiça em sua casa. Seu mau exemplo exerceu influência sobre seus filhos, e Deus não interviria para impedir o resultado. Ele permitiria que as coisas tomassem seu curso natural, e assim Davi foi severamente castigado.
Durante um ano inteiro após sua queda, Davi viveu em aparente segurança; não havia prova externa do desagrado de Deus. Mas a sentença divina pairava sobre ele. Rápida e certamente aproximava-se um dia de juízo e condenação, o qual nenhum arrependimento poderia desviar, de angústia e vergonha que entenebreceriam toda a sua vida terrestre. Aqueles que, apontando para o exemplo de Davi, procuram diminuir a culpa de seus próprios pecados, deveriam aprender do registro bíblico que duro é o caminho da transgressão. Embora, semelhantes a Davi, se desviem de sua má conduta, achar-se-á que os resultados do pecado, mesmo nesta vida, são amargos e duros para se suportarem.
Era intuito de Deus que a história da queda de Davi servisse como advertência de que mesmo os que Ele abençoou e favoreceu grandemente não se devem sentir livres de perigo, e negligenciar a vigilância e a oração. E isso tem feito esta história àqueles que humildemente têm procurado aprender a lição que Deus tencionava dar. De geração em geração, milhares têm sido levados a compenetrar-se do perigo que correm em virtude do poder do tentador. A queda de Davi, que foi tão grandemente honrado pelo Senhor, despertou neles desconfiança do próprio eu. Sentiram que apenas Deus os poderia guardar pelo Seu poder, mediante a fé. Sabendo que nEle estavam sua força e segurança, recearam dar o primeiro passo no terreno de Satanás.
Mesmo antes que a sentença divina fosse pronunciada contra Davi, começara ele a colher o fruto da transgressão. Sua consciência estava inquieta. A aflição de espírito que então suportava é apresentada no Salmo trinta e dois. Diz ele:
“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.
Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.
Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia.
Porque de dia e de noite a Tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio”.
E o Salmo cinqüenta e um é uma expressão do arrependimento de Davi, quando lhe veio de Deus a mensagem de reprovação:
“Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a Tua benignidade;
apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das Tuas misericórdias.
Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.
Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. [...]
Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve.
Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que Tu quebraste.
Esconde a Tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades.
Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.
Não me lances fora da Tua presença, e não retires de mim o Teu Espírito Santo.
Torna a dar-me a alegria da Tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.
Então ensinarei aos transgressores os Teus caminhos, e os pecadores a Ti se converterão.
Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação,
e a minha língua louvará altamente a Tua justiça”.
Dessa forma, em um cântico sagrado que havia de ser entoado nas assembléias públicas de seu povo, na presença da corte — sacerdotes e juízes, príncipes e homens de guerra — e que conservaria até a última geração o conhecimento de sua queda, relatou o rei de Israel o seu pecado, o seu arrependimento e sua esperança de perdão pela misericórdia de Deus. Em vez de se esforçar por ocultar seu crime, desejou que outros pudessem instruir-se pela triste história de sua queda.
O arrependimento de Davi foi sincero e profundo. Não houve esforço para atenuar seu delito. Nenhum desejo de escapar dos juízos ameaçados inspirou sua oração. Viu, porém, a enormidade de sua transgressão contra Deus; viu a contaminação de sua alma; repugnou-lhe seu pecado. Não era unicamente pelo perdão que ele orava, mas pela pureza de coração. Davi não abandonou a luta em desespero. Nas promessas de Deus aos pecadores arrependidos, via a prova de seu perdão e aceitação.
“Porque Te não comprazes em sacrifícios, senão eu os daria;
Tu não Te deleitas em holocaustos.
Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado;
a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”.
Embora Davi tivesse caído, o Senhor o levantou. Estava agora em mais completa harmonia com Deus e simpatia para com seus semelhantes, do que antes de cair. No júbilo de seu livramento, cantou:
“Confessei-Te o meu pecado, e a minha maldade não encobri;
dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões;
e Tu perdoaste a maldade do meu pecado. [...]
Tu és o lugar em que me escondo; Tu me preservas da angústia;
Tu me cinges de alegres cantos de livramento”.
Muitos têm murmurado a respeito daquilo que chamam injustiça de Deus ao poupar Davi, cujo crime foi tão grande, após haver Ele rejeitado a Saul pelo que lhes parece ser pecados muito menos flagrantes. Mas Davi humilhou-se e confessou seu pecado, ao passo que Saul desprezou a reprovação, e endureceu o coração na impenitência.
Este período da história de Davi está repleto de significação para o pecador arrependido. É uma das ilustrações mais flagrantes que nos são dadas das lutas e tentações da humanidade, do arrependimento genuíno para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Durante todos os séculos, tem-se mostrado uma fonte de animação às almas que, tendo caído em pecado, achavam-se a lutar sob o fardo de sua culpa. Milhares de filhos de Deus, quando traídos pelo pecado e prontos a entregar-se ao desespero, têm-se lembrado como o arrependimento e confissão sincera de Davi foram aceitos por Deus, não obstante sofrer ele pela sua transgressão; e estes também se revestiram de coragem para arrepender-se, e procurar novamente andar no caminho dos mandamentos de Deus.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White