Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 336
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 521-522
ao transporte da arca. Ninguém, a não ser os sacerdotes, descendentes de Arão, devia tocá-la, ou mesmo olhar para ela, estando descoberta. A instrução divina era: “Os filhos de Coate virão para levá-lo; mas no santuário não tocarão, para que não morram”. Números 4:15. Os sacerdotes deviam cobrir a arca, e então os coatitas deviam carregá-la pelas hastes, as quais eram colocadas em argolas de cada lado da arca, e nunca se removiam. Aos gersonitas e meraritas, que tinham a seu cargo as cortinas, as tábuas e as colunas do tabernáculo, Moisés deu carros e bois para o transporte daquilo que lhes era confiado. “Mas aos filhos de Coate nada deu, porquanto a seu cargo estava o santuário e o levavam aos ombros”. Números 7:9. Assim, no trazer a arca de Quiriate-Jearim, houve uma desatenção direta e indesculpável às determinações do Senhor.
Davi e seu povo tinham-se congregado para efetuar uma obra sagrada, e à mesma entregaram-se com coração alegre e disposto; mas o Senhor não podia aceitar o serviço, porque não era efetuado de acordo com Suas orientações. Os filisteus, que não tinham conhecimento da lei de Deus, haviam colocado a arca em um carro quando a devolveram a Israel, e o Senhor aceitou o esforço que fizeram. Mas os israelitas tinham em suas mãos uma declaração compreensível da vontade de Deus em todas estas questões, e sua negligência a tais instruções desonrava a Deus. Em Uzá recaía a maior culpa de arrogância. A transgressão à lei de Deus diminuíra a intuição que ele tinha da santidade da mesma, e, tendo sobre si pecados não confessados, atrevera-se em face da proibição divina a tocar no símbolo da presença de Deus. Deus não pode aceitar uma obediência parcial, uma maneira frouxa de tratar os Seus mandamentos. Pelo juízo sobre Uzá, era Seu intuito impressionar todo o Israel quanto à importância de dar estrita atenção aos Seus requisitos. Assim a morte daquele homem, levando o povo ao arrependimento, poderia impedir a necessidade de infligir juízos sobre milhares.
Sentindo que seu próprio coração não era inteiramente reto para com Deus, Davi, vendo o golpe desferido em Uzá, temera a arca, receoso de que algum pecado de sua parte acarretasse juízo sobre si. Mas Obede-Edom, embora se regozijasse com temor, acolheu gratamente o símbolo sagrado como a garantia do favor de Deus aos obedientes. A atenção de todo o Israel dirigiu-se agora ao geteu e sua casa; todos estavam vigilantes para ver o que lhes aconteceria. “E abençoou o Senhor a Obede-Edom, e a toda a sua casa”. 2 Samuel 6:12.
A reprovação divina cumpriu a sua obra em Davi. Foi levado a compenetrar-se, como nunca dantes, da santidade da lei de Deus, e da necessidade de obediência estrita. O favor manifesto à casa de Obede-Edom levou Davi novamente a esperar que a arca pudesse trazer uma bênção a ele e a seu povo.
No fim de três meses, resolveu fazer outra tentativa para mudar a arca, e dispensou agora cuidadosa atenção à execução das instruções
do Senhor, em todo pormenor. De novo foram convocados os homens principais da nação; e uma vasta congregação se reuniu em torno da residência do geteu. Com reverente cuidado a arca foi agora posta sobre os ombros de homens divinamente designados, a multidão pôs-se em linha, e, com corações a tremer, o grande séquito partiu novamente. Depois de caminharem seis passos, a trombeta deu sinal de parada. Por determinação de Davi deveriam ser oferecidos sacrifícios de “bois e carneiros cevados”. 2 Samuel 6:13. O júbilo então tomou o lugar do tremor e terror. O rei depusera suas vestes reais, e vestira-se com um simples éfode de linho, como o que era usado pelos sacerdotes. Não dava a entender por este ato que assumira as funções sacerdotais, pois que o éfode era algumas vezes usado por outros além dos sacerdotes. Antes, neste serviço santo ele queria, perante Deus, tomar lugar igual ao de seus súditos. Naquele dia, Jeová devia ser adorado. Devia Ele ser o único objeto de reverência.
Outra vez pôs-se em movimento o longo séquito, e a música de harpas e cornetas, trombetas e címbalos, ressoava em direção ao céu, misturada com a melodia de muitas vozes. “E Davi saltava. [...] diante do Senhor” (2 Samuel 6:14), acompanhando em sua alegria o ritmo do cântico.
A dança de Davi em júbilo reverente, perante Deus, tem sido citada pelos amantes dos prazeres para justificarem as danças modernas da moda; mas não há base para tal argumento. Em nosso tempo a dança está associada com a extravagância e as orgias noturnas. A saúde e a moral são sacrificadas ao prazer. Para os que freqüentam os bailes, Deus não é objeto de meditação e reverência; sentir-se-ia estarem a oração e o cântico de louvor deslocados, na assembléia deles. Esta prova deve ser decisiva. Diversões que tendem a enfraquecer o amor pelas coisas sagradas e diminuir nossa alegria no serviço de Deus, não devem ser procuradas por cristãos. A música e dança, em jubiloso louvor a Deus, por ocasião da mudança da arca, não tinham a mais pálida semelhança com a dissipação da dança moderna. A primeira tendia à lembrança de Deus, e exaltava Seu santo nome. A última é um ardil de Satanás para fazer os homens se esquecerem de Deus e O desonrarem.
O triunfal cortejo aproximou-se da capital, acompanhando o símbolo sagrado de seu Rei invisível. Então uma explosão de cânticos exigiu dos guardas sobre os muros que as portas da santa cidade se abrissem amplamente: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da glória.”
Um grupo de cantores e instrumentistas respondeu: “Quem é este Rei da glória?”
De outro grupo veio a resposta: “O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.”
Então, centenas de vozes, unindo-se, avolumaram o coro triunfal: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da glória.”
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White