Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 337
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 523-525
De novo se ouve a alegre interrogação: “Quem é este Rei da glória?” E a voz daquela grande multidão, “como o som de muitas águas”, foi ouvida em arrebatadora resposta: “O Senhor dos exércitos; Ele é o Rei da glória”. Salmos 24:7-10.
Então as portas se abriram amplamente, o cortejo entrou, e com temor reverente a arca foi depositada na tenda que tinha sido preparada para a sua recepção. Diante do recinto sagrado, foram construídos altares para sacrifício; a fumaça das ofertas pacíficas e holocaustos, e a nuvem de incenso, com os louvores e súplicas de Israel, ascendiam ao Céu. Terminado o serviço religioso, o próprio rei pronunciou uma bênção sobre seu povo. Então, com régia generosidade, ordenou que presentes de alimentos e vinho fossem distribuídos.
Todas as tribos estiveram representadas nesta cerimônia — a celebração do acontecimento mais sagrado que até então assinalara o reinado de Davi. O Espírito de inspiração repousara sobre o rei; e agora, banhando os últimos raios do Sol poente o tabernáculo, com uma consagrada luz, seu coração se ergueu em gratidão a Deus por estar agora o símbolo de Sua presença tão perto do trono de Israel.
Assim meditando, volveu Davi ao seu palácio, “para abençoar a sua casa”. Mas havia alguém que testemunhara a cena de regozijo, com um espírito grandemente diverso do que movia o coração de Davi. “Entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração.” Na amargura de sua paixão, ela não pôde esperar a volta de Davi ao palácio, mas saiu ao seu encontro, e à sua amável saudação derramou uma torrente de palavras amargas. Penetrante e incisiva foi a ironia de seu discurso: “Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre qualquer dos vadios”. 2 Samuel 6:20, 16, 20.
Davi compreendeu que fora o serviço de Deus que Mical havia desprezado e desonrado, e respondeu severamente: “Perante o Senhor, que me escolheu a mim antes do que a teu pai, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel, perante o Senhor me tenho alegrado. E ainda mais do que isto me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos; e das servas, de quem falaste, delas serei honrado.” A reprovação de Davi foi acrescentada a do Senhor: por causa de seu orgulho e arrogância Mical “não teve filhos, até ao dia da sua morte”. 2 Samuel 6:21-23.
As cerimônias solenes que acompanharam a mudança da arca tinham produzido uma impressão duradoura no povo de Israel, despertando um interesse maior no serviço do santuário, e acendendo de novo seu zelo por Jeová. Davi se esforçara por todos os meios ao seu alcance por aprofundar estas impressões. O serviço do cântico tornou-se uma parte regular do culto religioso; e Davi compôs salmos, não somente para o uso dos
sacerdotes no serviço do santuário, mas também para serem cantados pelo povo em suas jornadas ao altar nacional nas festas anuais. A influência assim exercida era de grande alcance, e teve como resultado libertar da idolatria a nação. Muitos dos povos circunvizinhos, vendo a prosperidade de Israel, eram levados a pensar favoravelmente acerca do Deus de Israel, que havia feito tão grandes coisas por Seu povo.
O tabernáculo construído por Moisés, juntamente com tudo que se relacionava com o serviço do santuário, com exceção da arca, ainda se encontrava em Gibeá. Era o propósito de Davi tornar Jerusalém o centro religioso da nação. Ele construíra um palácio para si, e achou que não era coerente ficar a arca de Deus dentro de uma tenda. Resolveu construir para ela um templo de tal magnificência que exprimisse a apreciação de Israel à honra conferida à nação pela contínua presença de Jeová, seu Rei. Comunicando seu propósito ao profeta Natã, recebeu a animadora resposta: “Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o Senhor é contigo”. 2 Samuel 7:2, 3.
Mas, naquela mesma noite a palavra do Senhor veio a Natã, dando-lhe uma mensagem para o rei. Davi foi privado do privilégio de construir uma casa para Deus, mas concedeu-se-lhe a certeza do favor divino, a ele, a sua posteridade, e ao reino de Israel: “Assim diz o Senhor dos exércitos: Eu te tomei da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses o chefe sobre o Meu povo, sobre Israel. E fui contigo, por onde quer que foste, e destruí a teus inimigos diante de ti; e fiz para ti um grande nome, como o nome dos grandes que há na Terra. E preparei lugar para Meu povo, para Israel, e o plantarei, para que habite no seu lugar, e não mais seja movido, e nunca mais os filhos da perversidade o aflijam, como dantes”. 2 Samuel 7:8-10.
Tendo Davi desejado construir uma casa para Deus, foi feita a promessa: “O Senhor te faz saber que o Senhor te fará casa. [...] Farei levantar depois de ti a tua semente. [...] Este edificará uma casa ao Meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre”. 2 Samuel 7:11-13.
A razão por que Davi não devia construir o templo, foi declarada: “Tu derramaste sangue em abundância, e fizeste grandes guerras; não edificarás casa ao Meu nome. [...] Eis que o filho que te nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor; [...] Salomão [pacífico] será o seu nome, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias. Este edificará casa ao Meu nome”. 1 Crônicas 22:8-10.
Embora o acariciado intento de seu coração fosse denegado, Davi recebeu a mensagem com gratidão. “Quem sou eu, Senhor Jeová?” exclamou ele; “e qual é a minha casa, que me trouxeste até aqui? E ainda foi isto pouco aos Teus olhos, Senhor Jeová, senão que também falaste da casa de Teu servo para tempos distantes” (2 Samuel 7:18); e então renovou seu concerto com Deus.
Davi sabia que seria uma honra a seu nome, e traria glória ao seu governo realizar a obra que em seu coração se tinha proposto fazer;
mas estava disposto a submeter sua vontade à vontade de Deus. A grata resignação, assim manifesta, raro se vê, mesmo entre cristãos. Quantas vezes aqueles que têm passado pela força da varonilidade, apegam-se à esperança de realizar alguma obra em que põem seu coração, mas que não estão em condições de efetuar! A providência de Deus pode falar-lhes, como fez o Seu profeta a Davi, declarando que a obra que desejam tanto não lhes é confiada. A eles toca preparar o caminho para que outro o cumpra. Mas em vez de se submeterem com gratidão à direção divina, muitos se retraem como se fossem menosprezados e rejeitados, entendendo que, se não podem fazer a coisa que desejam, não farão nada. Muitos se apegam com desesperada energia as responsabilidades que são incapazes de assumir, e em vão se esforçam por cumprir uma obra para a qual estão despreparados, enquanto aquela que podem fazer continua negligenciada. E por causa desta falta de cooperação de sua parte, o trabalho maior é impedido ou frustrado.
Davi, em seu concerto com Jônatas, prometera que, quando ele tivesse descanso de seus inimigos, mostraria benignidade à casa de Saul. Em sua prosperidade, lembrando-se deste concerto, indagou o rei: “Há ainda alguém que ficasse da casa de Saul, para que lhe faça bem por amor de Jônatas?” 2 Samuel 9:1. Falaram-lhe acerca de um filho de Jônatas, Mefibosete, que tinha sido coxo desde a infância. Por ocasião da derrota de Saul pelos filisteus, em Jezreel, a ama desta criança, tentando fugir com ela, deixara-a cair, tornando-a assim um aleijado para toda a vida. Davi chamou agora o jovem à corte, e o recebeu com grande bondade. As posses particulares de Saul foram-lhe restituídas para a manutenção de sua casa; mas o filho de Jônatas deveria ser hóspede constante do rei, sentando-se diariamente à mesa real. Por meio de boatos por parte dos inimigos de Davi, Mefibosete fora levado a acalentar forte preconceito contra ele como um usurpador; mas a recepção generosa e cortês conquistou o coração do moço; ele se afeiçoou grandemente a Davi, e, como seu pai Jônatas, sentiu que seu interesse era o mesmo do rei que Deus escolhera.
Depois do estabelecimento de Davi no trono de Israel, a nação viveu um longo período de paz. Os povos circunvizinhos, vendo a força e unidade do reino, logo acharam prudente desistir de francas hostilidades; e Davi, ocupado com a organização e levantamento de seu reino, absteve-se de guerra agressiva. Entretanto, fez afinal guerra aos velhos inimigos de Israel, os filisteus, e aos moabitas, e conseguiu vencer a uns e outros, e torná-los tributários.
Formou-se então contra o reino de Davi uma vasta coligação das nações circunjacentes, da qual resultaram as maiores guerras e vitórias de seu reinado, e o maior acréscimo ao seu poderio. Esta aliança hostil, que realmente nasceu da inveja do poder crescente de Davi, não foi absolutamente provocada por ele. As circunstâncias que determinaram sua formação foram estas:
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White