Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 307
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 481-483
demonstraram a conveniência de segui-los, enquanto o juízo de Saul era por vezes indigno de confiança, e não prudentes as suas decisões.
Posto que Saul estivesse sempre alerta procurando uma oportunidade para destruir a Davi, tinha receio dele, visto ser evidente que o Senhor estava com ele. O caráter irrepreensível de Davi suscitou a ira do rei; ele imaginava que a própria vida e presença de Davi lançavam opróbrio sobre ele, visto que contrastadamente apresentavam com desvantagem o seu caráter. Era a inveja o que infelicitava a Saul, e punha em risco o humilde súdito de seu trono. Que mal indescritível tem feito em nosso mundo este mau traço de caráter! A mesma inimizade que moveu o coração de Caim contra seu irmão Abel, porque as obras de Abel eram justas, e Deus o honrava, e as suas eram más, e o Senhor o não podia abençoar, essa mesma inimizade existiu no coração de Saul. A inveja é filha do orgulho, e, se é alimentada no coração, determinará o ódio, e finalmente a vingança e o assassínio. Satanás mostrou seu próprio caráter, incitando o furor de Saul contra aquele que nunca lhe fizera mal.
O rei mantinha estrita vigilância sobre Davi, esperando encontrar-lhe alguma ocasião de indiscrição ou precipitação que pudesse servir como desculpa para acarretar-lhe a desonra. Entendia que não poderia ficar satisfeito antes que tirasse a vida do moço e ainda assim estivesse justificado perante a nação pelo seu mau ato. Pôs uma cilada para os pés de Davi, instando com ele para que dirigisse a guerra contra os filisteus com um vigor ainda maior, e prometendo, como recompensa ao seu valor, casamento com a filha mais velha da casa real. A resposta modesta de Davi a esta proposta foi: “Quem sou eu, e qual é a minha vida e a família de meu pai em Israel, para vir a ser genro do rei?” O rei manifestou sua insinceridade, dando a princesa em casamento a outro.
Uma afeição a Davi por parte de Mical, a filha mais moça de Saul, proporcionou ao rei outra oportunidade para tramar contra seu rival. A mão de Mical foi oferecida ao moço sob condição de ser apresentada a prova de derrota e morticínio de certo número de seus adversários nacionais: “Saul tentava fazer cair a Davi pela mão dos filisteus”; Deus, porém, protegeu o Seu servo. Davi voltou vitorioso da batalha, para tornar-se genro do rei. “Mical, filha de Saul, o amava” (1 Samuel 18:18, 25, 20), e o rei, enraivecido, viu que suas tramas haviam resultado no engrandecimento daquele a quem procurava destruir. Estava ainda mais certo de que este era o homem que o Senhor dissera ser melhor do que ele, e que reinaria no trono de Israel, em seu lugar. Arremessando de si todo o disfarce, expediu uma ordem a Jônatas e aos oficiais da corte para tirarem a vida daquele a quem odiava.
Jônatas revelou a intenção do rei a Davi, e mandou-o que se escondesse, enquanto ele pleitearia com seu pai a fim de poupar a vida do libertador de Israel. Expôs ao rei o que Davi tinha feito para preservar a honra e mesmo a vida da nação, e que terrível crime repousaria sobre o assassino
daquele que Deus usara para dispersar seus inimigos. Comoveu-se a consciência do rei, e abrandou-se-lhe o coração. “E jurou Saul: Vive o Senhor, que não morrerá”. 1 Samuel 19:6. Davi foi trazido a Saul, e servia em sua presença, como havia feito anteriormente.
De novo foi declarada a guerra entre os israelitas e os filisteus, e Davi conduziu o exército contra os inimigos. Uma grande vitória foi ganha pelos hebreus, e o povo do reino louvou sua sabedoria e heroísmo. Isto serviu para instigar a anterior animosidade de Saul contra ele. Enquanto o moço tocava perante o rei, enchendo o palácio de suave harmonia, a paixão de Saul venceu-o e ele arremessou um dardo contra Davi, julgando pregar o músico na parede; mas o anjo do Senhor desviou a arma mortífera. Davi escapou e fugiu para sua casa. Saul mandou espias para que o prendessem quando saísse pela manhã, e dessem fim à sua vida.
Mical informou Davi do intuito de seu pai. Insistiu com ele para que fugisse para salvar a vida, e desceu-o pela janela, possibilitando-lhe assim escapar. Ele fugiu a Samuel em Ramá, e o profeta, sem temer o desagrado do rei, recebeu com satisfação o fugitivo. O lar de Samuel era um lugar pacífico em contraste com o palácio real. Foi ali, entre as colinas, que o honrado servo do Senhor continuou a sua obra. Um grupo de videntes estava com ele e estudavam minuciosamente a vontade de Deus, escutando com reverência as palavras de instrução que caíam dos lábios de Samuel. Preciosas foram as lições que Davi aprendeu do mestre de Israel. Davi acreditava que as tropas de Saul não receberiam ordem para invadir aquele local sagrado; mas lugar algum parecia sagrado à mente entenebrecida do desesperado rei. A ligação de Davi com Samuel suscitou o ciúme do rei, com o receio de que aquele que era por todo o Israel reverenciado como o profeta de Deus, emprestasse sua influência para a ascensão do rival de Saul. Quando o rei soube onde Davi se achava, enviou oficiais para o trazerem a Gibeá, onde tencionava executar seu intuito assassino.
Os mensageiros partiram, decididos a tirarem a vida a Davi; mas Alguém, que era maior do que Saul, dirigiu-os. Encontraram-se com anjos invisíveis, como se deu com Balaão quando estava a caminho para amaldiçoar Israel. Começaram a proferir dizeres proféticos sobre o que ocorreria no futuro, e proclamavam a glória e majestade de Jeová. Assim Deus governou a ira do homem, em prol de Seus intuitos, e manifestou Seu poder para restringir o mal, enquanto entrincheirou Seu servo com uma guarda de anjos.
A notícia chegou a Saul enquanto avidamente esperava ter Davi em seu poder; mas, em vez de sentir a repreensão de Deus, ficou ainda mais exasperado, e enviou outros mensageiros. Estes também foram superados pelo Espírito de Deus, e uniram-se aos primeiros a profetizar. Terceira embaixada foi enviada pelo rei; mas, quando chegaram aos profetas, a influência divina caiu sobre eles, também, e profetizavam. Saul então
resolveu ir ele próprio, pois que sua atroz inimizade se tornara ingovernável. Decidiu-se a não esperar outra oportunidade para matar a Davi; logo que ele estivesse ao seu alcance tencionava matá-lo com sua própria mão, quaisquer que fossem as conseqüências.
Mas um anjo de Deus encontrou-o no caminho, e tomou domínio dele. O Espírito de Deus continha-o em Seu poder, e ele prosseguiu a dizer orações a Deus, entremeadas de predições e melodias sagradas. Profetizava a respeito do Messias vindouro, como o Redentor do mundo. Quando chegou à casa do profeta em Ramá, tirou as vestes de cima, que indicavam a sua posição social, e todo o dia e toda a noite manteve-se diante de Samuel e seus discípulos, sob a influência do Espírito divino. O povo juntou-se para ver esta cena estranha, e a experiência do rei foi relatada por toda parte. Assim, de novo, perto do final de seu reino, tornou-se um provérbio em Israel que Saul também estava entre os profetas.
Novamente fracassou o perseguidor em seus intuitos. Afirmou a Davi que estava em paz com ele; mas Davi tinha pouca confiança no arrependimento do rei. Aproveitou esta oportunidade para escapar, receoso de que a disposição de ânimo do rei mudasse, como anteriormente. Seu coração estava ferido dentro de si, e anelava ver mais uma vez seu amigo Jônatas. Cônscio de sua inocência, procurou o filho do rei, e fez um apelo muitíssimo tocante. “Que fiz eu?” perguntou ele; “qual é o meu crime? e qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida?” Jônatas acreditava que seu pai tinha mudado de propósito, e não mais tencionava tirar a vida de Davi. E lhe disse: “Tal não seja; não morrerás. Eis que meu pai não faz coisa nenhuma grande, nem pequena, sem primeiro me dar parte; por que pois meu pai me encobriria este negócio? não é assim.” Jônatas não podia crer que, depois da notável exibição do poder de Deus, seu pai ainda faria mal a Davi, visto que tal ato seria manifesta rebelião contra Deus. Mas Davi não estava convencido. Com grande veemência declarou a Jônatas: “Vive o Senhor, e vive a tua alma, que apenas há um passo entre mim e a morte”. 1 Samuel 20:1, 2.
Por ocasião da lua nova, celebrava-se uma festividade sagrada em Israel. Esta festa ocorreu no dia seguinte ao da entrevista de Davi e Jônatas. Esperava-se que neste festim ambos os moços comparecessem à mesa do rei; mas Davi receou estar presente, e tomaram-se disposições para que ele fosse visitar seus irmãos em Belém. À sua volta devia esconder-se em um campo não longe da sala do banquete, ausentando-se durante três dias da presença do rei; e Jônatas notaria o efeito disto sobre Saul. Se este perguntasse sobre o paradeiro do filho de Jessé, Jônatas devia dizer que ele tinha ido à sua casa a fim de assistir ao sacrifício oferecido pela casa de seu pai. Se nenhuma demonstração de ira fosse dada pelo rei, mas respondesse ele: “Está bem”, não haveria então perigo a Davi em voltar à corte. Mas, se ficasse irado com sua ausência, isto resolveria a questão da fuga de Davi.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White