Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 280
Este plano não foi iniciado. Marque a leitura como lida para iniciá-lo hoje.
Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 431-432
do meio deles. Quando o povo obedecia aos santos preceitos, o Senhor estava com eles, para agir em prol deles, com Seu poder infinito; mas, quando olharam para a arca, e não a puseram em relação com Deus, e tampouco honraram Sua vontade revelada pela obediência à Sua lei, serviu-lhes ela de pouco mais que uma caixa comum. Olhavam para a arca como as nações idólatras olhavam para os seus deuses, como se ela possuísse em si os elementos de poder e salvação. Transgrediam a lei que nela se continha; pois o seu mesmo culto à arca determinou a formalidade, a hipocrisia e a idolatria. Seu pecado os separara de Deus, e Ele não lhes poderia dar a vitória antes que se arrependessem e abandonassem sua iniqüidade.
Não bastava que a arca e o santuário estivessem no meio de Israel. Não bastava que os sacerdotes oferecessem sacrifícios, e que o povo fosse chamado filhos de Deus. O Senhor não toma em consideração o pedido daqueles que acariciam a iniqüidade no coração; está escrito que “o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável”. Provérbios 28:9.
Quando o exército saiu para a batalha, Eli, cego e velho, havia ficado em Siló. Foi com inquietadores pressentimentos que ele aguardou o resultado do conflito, “porquanto o seu coração estava tremendo pela arca de Deus”. Tomando lugar fora da porta do tabernáculo, assentava-se todos os dias ao lado do caminho, esperando ansiosamente a chegada de um mensageiro do campo de batalha.
Finalmente, um benjamita do exército, “com os vestidos rotos e com terra sobre a cabeça”, veio correndo pela subida que dava para a cidade. Passando descuidadamente pelo ancião, ao lado do caminho, arremessou-se à cidade, e referiu às multidões ansiosas as notícias da derrota e das perdas.
O ruído de choro e lamentação chegou àquele que ao lado do tabernáculo vigiava. O mensageiro foi-lhe trazido. E o homem disse a Eli: “Israel fugiu de diante dos filisteus, e houve também grande destroço entre o povo; e, demais disto, também teus dois filhos, Hofni e Finéias, morreram.” Eli pôde suportar tudo isto, por terrível que fosse, pois ele o esperava. Mas quando o mensageiro acrescentou: “A arca de Deus é tomada”, uma expressão de indizível angústia lhe passou pelo semblante. O pensamento de que seu pecado de tal maneira desonrara a Deus, e fizera com que Ele retirasse Sua presença de Israel, era mais do que podia suportar; deixaram-no suas forças, ele caiu, “e quebrou-se-lhe o pescoço, e morreu”.
A mulher de Finéias, apesar da impiedade de seu marido, temia ao Senhor. A morte de seu sogro e de seu esposo, e, acima de tudo, a terrível notícia de que a arca de Deus fora tomada, causaram-lhe a morte. Compenetrou-se de que a última esperança de Israel havia desaparecido; e deu à criança nascida nesta hora de adversidade o nome de Icabode, ou “Inglório”, dizendo, chorosa, com sua respiração moribunda, as palavras: “Foi-se a glória de Israel. Porquanto a arca de Deus foi levada presa”. 1 Samuel 4:12, 11, 17-22.
Mas o Senhor não havia rejeitado o Seu povo inteiramente, tampouco toleraria por muito tempo a exultação dos gentios. Usara os filisteus como instrumento para punir Israel, e empregou a arca para castigar os filisteus. Nos tempos passados a presença divina a acompanhara, a fim de ser ela a força e glória de Seu povo obediente. Aquela Presença invisível ainda a acompanharia para levar o terror e a destruição aos transgressores de Sua santa lei. O Senhor muitas vezes emprega Seus piores inimigos para punir a infidelidade de Seu povo professo. Os ímpios podem triunfar por algum tempo, vendo Israel sofrer o castigo; mas virá o tempo em que eles também deverão defrontar-se com a sentença de um Deus santo, que odeia o pecado. Onde quer que a iniqüidade seja acalentada, seguir-se-ão, rápidos e infalíveis, os juízos de Deus.
Os filisteus levaram a arca, triunfalmente, para Asdode, uma de suas cinco cidades principais, e a colocaram na casa de seu deus Dagom. Pensaram que o poder que até ali havia acompanhado a arca seria deles, e que este, unido com o poder de Dagom, torná-los-ia invencíveis. Mas, ao entrar no templo no dia seguinte, viram um quadro que os encheu de consternação. Dagom tinha caído sobre seu rosto em terra, diante da arca de Jeová. Os sacerdotes reverentemente ergueram o ídolo, e o repuseram em seu lugar. Mas, na manhã seguinte, encontraram-no mutilado de maneira singular, jazendo de novo sobre a terra, diante da arca. A parte superior deste ídolo era semelhante à de um homem, e a inferior tinha a semelhança de peixe. Todas as partes que se assemelhavam à forma humana tinham sido agora separadas, e apenas permanecia o corpo de peixe. Sacerdotes e povo ficaram tomados de terror; consideraram este misterioso acontecimento como um mau agouro, anunciando destruição para eles e seus ídolos, diante do Deus dos hebreus. Mudaram então a arca de seu templo, e a colocaram em um edifício à parte.
Os habitantes de Asdode foram feridos de uma doença aflitiva e fatal. Lembrando-se das pragas que foram infligidas ao Egito pelo Deus de Israel, o povo atribuiu suas aflições à presença da arca entre eles. Foi resolvido transportá-la a Gate. Mas a praga seguiu de perto a sua mudança, e os homens daquela cidade a enviaram para Ecrom. Ali o povo a recebeu aterrorizado, exclamando: “Transportaram para mim a arca do Deus de Israel, para me matarem, a mim e ao meu povo.” Volveram aos seus deuses em busca de proteção, como o povo de Gate e Asdode haviam feito; porém a obra do destruidor continuou até que em sua angústia “o clamor da cidade subia até o Céu”. 1 Samuel 5:10, 12. Receando conservar por mais tempo a arca entre as casas dos homens, o povo em seguida colocou-a em pleno campo. Seguiu-se então uma praga de ratos, que infestou a terra, destruindo os produtos do solo, tanto nos celeiros como no campo. Completa destruição, pela doença e pela fome, ameaçava agora a nação.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White