Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 281
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 433-434
Durante sete meses, a arca permaneceu na Filístia, e durante este tempo os israelitas não fizeram esforços para a recuperarem. Mas estavam agora os filisteus tão ansiosos para se livrarem de sua presença como haviam estado para a obterem. Em vez de ser uma fonte de força para eles, foi um grande peso e grave maldição. Contudo não sabiam o que fazer; pois aonde quer que ela ia, seguiam-se os juízos de Deus. O povo chamou os príncipes da nação, juntamente com os sacerdotes e adivinhos, e ansiosamente indagou: “Que faremos nós da arca do Senhor? Fazei-nos saber como a tornaremos a enviar ao seu lugar.” Foram aconselhados a devolvê-la com uma valiosa oferta para expiação da culpa. “Então”, disseram os sacerdotes, “sereis curados, e se vos fará saber porque a Sua mão se não tira de vós.”
Para desviar ou remover uma praga, era antigamente costume entre os gentios fazer-se uma imagem de ouro, prata, ou outro material, daquilo que causava destruição, ou do objeto ou parte do corpo especialmente atacada. Isso era colocado sobre alguma coluna, ou em algum ponto bem visível, e supunha-se ser uma proteção eficaz contra os males assim representados. Costume semelhante ainda existe entre alguns povos gentílicos. Quando uma pessoa que sofre de alguma doença vai ao templo de seu ídolo em busca de cura, leva consigo uma figura da parte atacada, que apresenta como uma oferta ao seu deus.
Foi de acordo com esta superstição dominante, que os principais dos filisteus recomendaram ao povo fazer representações das pragas pelas quais tinham sido afligidos: “cinco hemorróidas de ouro e cinco ratos de ouro”, “segundo o número dos príncipes dos filisteus”; “porquanto”, disseram eles, “a praga é uma mesma sobre todos vós e sobre todos os vossos príncipes”. 1 Samuel 6:2-4.
Aqueles magos reconheciam que um poder misterioso acompanhava a arca, poder este que eles não tinham sabedoria para enfrentar. Contudo não aconselhavam o povo a desviar-se de sua idolatria para servirem ao Senhor. Odiavam ainda ao Deus de Israel, embora compelidos pelos juízos esmagadores a submeter-se à Sua autoridade. Assim os pecadores podem convencer-se pelos juízos de Deus de que é inútil contender contra Ele. Podem ser obrigados a sujeitar-se ao Seu poder, enquanto no coração se rebelam contra o Seu domínio. Tal submissão não pode salvar o pecador. O coração deve render-se a Deus — deve ser subjugado pela graça divina — antes que o arrependimento do homem possa ser aceito.
Quão grande é a longanimidade de Deus para com os ímpios! Os filisteus idólatras e o relapso Israel haviam semelhantemente desfrutado dos dons de Sua providência. Dez milhares de bênçãos, sem que fossem notadas, estiveram a cair silenciosamente no caminho de homens ingratos e rebeldes. Cada bênção lhes falava do Doador, mas eles eram indiferentes ao Seu amor. A paciência de Deus era muito grande para com os filhos dos homens; mas, quando persistiam contumazes em sua impenitência,
Ele removia deles Sua mão protetora. Recusaram-se a escutar a voz de Deus nas obras criadas, e nas advertências, conselhos e reprovações de Sua Palavra; e assim Ele foi obrigado a falar-lhes por meio de juízos.
Alguns houve entre os filisteus que estavam prontos a opor-se à volta da arca à sua própria terra. Tal reconhecimento do poder do Deus de Israel seria humilhante ao orgulho da Filístia. Mas “os sacerdotes e os adivinhadores” (1 Samuel 6:2) aconselharam o povo a não imitar a teimosia de Faraó e dos egípcios, e assim trazer sobre si ainda maiores aflições. Propuseram então um plano que ganhou o assentimento de todos, e imediatamente foi posto em execução. A arca, juntamente com a oferta feita de ouro, para a expiação da culpa, foi posta em um carro novo, prevenindo assim todo o perigo de contaminação; a este carro foram ligadas duas vacas sobre cujo pescoço nunca havia sido posto jugo. Seus bezerros foram presos em casa, e as vacas foram deixadas livres para irem onde quisessem. Se a arca fosse assim devolvida aos israelitas pelo caminho de Bete-Semes, a cidade mais próxima dos levitas, os filisteus aceitariam isto como prova de que o Deus de Israel lhes fizera aquele grande mal; “e, se não”, disseram eles, “saberemos que não nos tocou a Sua mão, e que isto nos sucedeu por acaso”.
Sendo deixadas à vontade, as vacas afastaram-se de seus bezerros, e, mugindo enquanto iam, tomaram a estrada direta para Bete-Semes. Sem serem guiados por mão humana, os pacientes animais se conservaram a caminho. A presença divina acompanhou a arca, e ela passou em segurança exatamente para o lugar designado.
Era então o tempo da ceifa do trigo, e os homens de Bete-Semes estavam a fazer a colheita no vale. “E, levantando os seus olhos, viram a arca, e vendo-a, se alegraram. E o carro veio ao campo de Josué, o bete-semita, e parou ali; e ali estava uma grande pedra; e fenderam a madeira do carro, e ofereceram as vacas ao Senhor em holocausto.” Os príncipes dos filisteus, que haviam acompanhado a arca “até o termo de Bete-Semes” (1 Samuel 6:9, 13, 14, 12), e foram testemunhas da recepção à mesma, voltaram então a Ecrom. A praga cessou, e ficaram convencidos de que suas calamidades foram um juízo do Deus de Israel.
Os homens de Bete-Semes rapidamente espalharam a notícia de que a arca estava em seu poder, e o povo do território circunvizinho reuniu-se para festejar a sua volta. A arca fora posta sobre a pedra que a princípio servira de altar, e diante dela sacrifícios adicionais foram oferecidos ao Senhor. Houvessem os adoradores se arrependido de seus pecados, e a bênção de Deus os teria acompanhado. Mas não estavam a obedecer fielmente à Sua lei; e, ao mesmo tempo que se regozijavam com a volta da arca como um precursor do bem, não tinham uma intuição verdadeira de sua santidade. Em vez de prepararem um local conveniente para sua recepção, permitiram que ela ficasse no campo da ceifa. Como
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White