Hoje Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 279
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 429-430
Antes de receber de Deus esta mensagem, “Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor”; isto é, ele não estava familiarizado com tais manifestações diretas da presença de Deus conforme eram concedidas aos profetas. Foi o propósito do Senhor revelar-Se de uma maneira inesperada, para que Eli viesse ouvir a tal respeito por meio da surpresa e indagação do jovem.
Samuel ficou cheio de temor e espanto, ante o pensamento de ter-lhe sido confiada uma mensagem tão terrível. Pela manhã se dirigiu aos seus deveres como de costume, mas com um grande peso em seu coração juvenil. O Senhor não o havia mandado revelar a terrível denúncia, donde o permanecer ele em silêncio, evitando, tanto quanto possível, a presença de Eli. Tremia, receoso de que alguma pergunta o compelisse a declarar os juízos divinos contra aquele a quem amava e reverenciava. Eli estava certo de que a mensagem predizia alguma grande calamidade, a ele e sua casa. Chamou Samuel, e ordenou-lhe que relatasse fielmente o que o Senhor revelara. O jovem obedeceu, e o idoso homem prostrou-se em humilde submissão à pavorosa sentença. “O Senhor é”, disse ele; “faça o que bem parecer aos Seus olhos”. 1 Samuel 3:7, 18.
Todavia, Eli não manifestou os frutos do verdadeiro arrependimento. Confessou sua falta, mas deixou de renunciar ao pecado. Ano após ano o Senhor retardava os Seus ameaçados juízos. Muito se poderia ter feito naqueles anos para remir as faltas do passado; mas o idoso sacerdote não adotou medidas eficazes para corrigir os males que estavam a poluir o santuário do Senhor, e levando em Israel milhares à ruína. A paciência de Deus deu lugar a que Hofni e Finéias endurecessem o coração, e se tornassem ainda mais audazes na transgressão. As mensagens de advertência e reprovação à sua casa foram por Eli dadas a conhecer à nação toda. Por este meio ele esperava até certo ponto contrariar a má influência de sua passada negligência. Mas as advertências foram desatendidas pelo povo, assim como haviam sido pelos sacerdotes. O povo das nações circunvizinhas também, o qual não ignorava as iniqüidades abertamente praticadas em Israel, tornou-se ainda mais audaz em sua idolatria e crime. Não experimentavam a intuição de culpa pelos seus pecados, como o teriam feito caso houvessem os israelitas preservado a sua integridade. Aproximava-se, porém, o dia da retribuição. A autoridade de Deus havia sido posta de lado e Seu culto negligenciado e desprezado; e tornou-se necessário intervir Ele para que se mantivesse a honra de Seu nome.
“E Israel saiu ao encontro, à peleja, aos filisteus, e se acamparam junto a Ebenézer; e os filisteus se acamparam junto a Afeque.” Esta expedição foi empreendida pelos israelitas sem o conselho do Senhor, sem o apoio de sumo sacerdote ou profeta. “E os filisteus se dispuseram em ordem de batalha, para sair ao encontro a Israel; e, estendendo-se a peleja, Israel foi ferido diante dos filisteus, porque feriram na batalha, no campo, uns quatro mil
homens.” Voltando para o acampamento a força fragmentada e desalentada, “disseram os anciãos de Israel: Por que nos feriu o Senhor hoje diante dos filisteus?” A nação estava madura para os juízos de Deus, e no entanto não viam que seus próprios pecados haviam sido a causa daquele terrível revés. E disseram: “Tragamos de Siló a arca do concerto do Senhor, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos.” O Senhor não dera ordem ou permissão para que a arca fosse ao exército; contudo os israelitas estavam confiantes em que deles seria a vitória, e proferiram uma grande aclamação quando ela foi, pelos filhos de Eli, levada ao arraial.
Os filisteus consideravam a arca como o deus de Israel. Todas as grandes obras que Jeová fizera em prol de Seu povo, eram por eles atribuídas ao poder da mesma. Ao ouvirem as aclamações de júbilo pela sua aproximação, disseram: “Que voz de tão grande júbilo, é esta no arraial dos hebreus? Então souberam que a arca do Senhor era vinda ao arraial. Pelo que os filisteus se atemorizaram; porque diziam: Deus veio ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! que tal nunca jamais sucedeu antes. Ai de nós! quem nos livrará da mão destes grandiosos deuses? Estes são os deuses que feriram aos egípcios com todas as pragas junto ao deserto. Esforçai-vos, e sede homens, ó filisteus, para que porventura não venhais a servir aos hebreus, como eles serviram a vós; sede pois homens, e pelejai”. 1 Samuel 4:2, 3, 6-9.
Os filisteus deram um encarniçado assalto, de que resultou a derrota de Israel, com grande morticínio. Trinta mil homens jaziam mortos em campo, e a arca de Deus foi tomada, tendo os dois filhos de Eli tombado enquanto combatiam para defendê-la. Deixou-se assim, novamente, nas páginas da História um testemunho para todos os séculos futuros, de que a iniqüidade do povo professo de Deus não ficará impune. Quanto maior for o conhecimento da vontade de Deus, tanto maior o pecado daqueles que a desatendem. A mais espantosa calamidade que poderia ocorrer, recaíra a Israel. A arca de Deus fora apreendida, e estava em poder do inimigo. A glória havia verdadeiramente se afastado de Israel quando o símbolo da presença e poder contínuos de Jeová foi removido do meio deles. Com aquele escrínio sagrado associavam-se as mais maravilhosas revelações da verdade e poder de Deus. Em tempos anteriores, vitórias miraculosas haviam sido conseguidas quando quer que o mesmo aparecia. Faziam-lhe sombras as asas dos querubins de ouro, e a glória indescritível do shekinah, símbolo visível do altíssimo Deus, repousara sobre ela no lugar santíssimo. Mas agora não trouxera vitória alguma. Não se mostrara ser uma defesa nesta ocasião, e havia pranto por todo o Israel.
Não se haviam compenetrado de que sua fé era simplesmente uma fé nominal, e perderam o poder da mesma para prevalecerem com Deus. A lei de Deus, contida na arca, era também um símbolo de Sua presença; mas haviam lançado o desprezo aos mandamentos, desdenharam suas reivindicações e contristaram o Espírito do Senhor de modo que Se retirou
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White