Cristo Nossa Redenção

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Leitura do livro

Patriarcas e Profetas, páginas 325-326

olhando por sobre o acampamento do povo escolhido de Deus. Mal sabem os israelitas do que está a acontecer tão perto deles! Quão pouco conhecem o cuidado de Deus, sobre eles estendido de dia e de noite! Quão embotadas são as percepções do povo de Deus! Quão vagarosos são, em todos os tempos, para compreenderem Seu grande Amor e misericórdia! Se pudessem divisar o maravilhoso poder de Deus constantemente exercido em favor deles, não se lhes encheria o coração de gratidão pelo Seu amor, e de temor ao pensamento de Sua majestade e poder?

Balaão tinha algum conhecimento das ofertas sacrificais dos hebreus, e esperava que, sobrepujando-os em custosas dádivas, pudesse conseguir a bênção de Deus, e conseguir a realização de seus projetos pecaminosos. Assim, os sentimentos dos moabitas idólatras estavam a obter domínio sobre sua mente. Sua sabedoria se tornara em loucura; nublara-se-lhe a visão espiritual; trouxera sobre si a cegueira, rendendo-se ao poder de Satanás.

Por indicação de Balaão, foram construídos sete altares, e ele ofereceu um sacrifício em cada um deles. Então se retirou a um “lugar alto” (Números 23:3), para encontrar-se com Deus, prometendo tornar conhecido a Balaque o que quer que o Senhor revelasse.

Com os nobres e príncipes de Moabe, o rei ficou ao lado do sacrifício, enquanto em redor deles se reuniu a ansiosa multidão, aguardando a volta do profeta. Ele veio finalmente, e o povo esperou as palavras que para sempre paralisariam aquele estranho poder exercido a favor dos odiados israelitas. Disse Balaão:

“De Arã me mandou trazer Balaque,
rei dos moabitas, das montanhas do Oriente,
dizendo: Vem, amaldiçoa-me a Jacó; e vem, detesta Israel.

Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa?
E como detestarei, quando o Senhor não detesta?
Porque do cume das penhas o vejo, e dos outeiros o contemplo:

E eis que este povo habitará só, e entre as gentes não será contado.

Quem contará o pó de Jacó, e o número da quarta parte de Israel?

A minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu”.

Números 23:7-10.

Balaão confessou que viera com o propósito de amaldiçoar Israel; mas as palavras que proferiu foram diretamente contrárias aos sentimentos de seu coração. Foi constrangido a pronunciar bênçãos, enquanto sua alma estava cheia de maldições.

Olhando Balaão para o acampamento de Israel, viu com espanto as provas de sua prosperidade. A ele haviam sido representados como uma multidão rude, desorganizada, que infestava o país em bandos errantes, os quais eram uma peste e terror às nações circunvizinhas; mas sua aparência era o inverso de tudo isto. Viu a grande extensão e o perfeito arranjo de seu acampamento, apresentando tudo os indícios de uma disciplina e ordem completas. Foi-lhe mostrado o favor com que Deus olhava

a Israel, e o caráter distintivo de povo escolhido Seu. Não deveriam ficar no mesmo nível das outras nações, mas ser exaltados acima delas todas. “Este povo habitará só, e entre as gentes não será contado”. Números 23:9. Na ocasião em que estas palavras foram faladas, os israelitas não tinham localização permanente, e seu caráter peculiar, usos e costumes, não eram familiares a Balaão. Mas quão notavelmente foi cumprida esta profecia na história posterior de Israel! Por todos os anos de seu cativeiro, através de todos os séculos desde que foram dispersos entre as nações têm eles permanecido como um povo distinto. Assim o povo de Deus — o verdadeiro Israel — embora disperso por todas as nações, não são na Terra senão peregrinos, cuja cidadania está no Céu.

Não somente foi mostrada a Balaão a história do povo hebreu como nação, mas ele viu o crescimento e prosperidade do verdadeiro Israel de Deus até o final do tempo. Viu o favor especial do Altíssimo acompanhando aqueles que O amam e temem. Viu-os amparados pelo Seu braço, ao entrarem no escuro vale da sombra da morte. E viu-os saírem de seus túmulos, coroados de glória, honra e imortalidade. Contemplou os resgatados regozijando-se nas glórias imarcescíveis da Terra renovada. Olhando para esta cena, exclamou: “Quem contará o pó de Jacó, e o número da quarta parte de Israel?” E, ao ver a coroa de glória em cada fronte, a alegria irradiando de cada semblante, e olhando para aquela vida intérmina de pura felicidade, proferiu a solene oração: “A minha alma morra a morte do justo, e seja o meu fim como o seu”. Números 23:10.

Se Balaão tivesse tido disposição para aceitar a luz que Deus dera, teria então tornado verdadeiras para si as Suas palavras; teria de pronto cortado toda a conexão com Moabe. Não mais teria abusado da misericórdia de Deus, mas a Ele teria voltado com profundo arrependimento. Mas Balaão amava o salário da injustiça, e estava decidido a consegui-lo.

Balaque tinha confiantemente esperado uma maldição que caísse como uma praga definhadora sobre Israel; e, às palavras do profeta, exclamou com paixão: “Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que inteiramente os abençoaste.” Balaão, procurando fazer da necessidade virtude, diz haver falado, em atenção conscienciosa para com a vontade de Deus, as palavras que foram forçadas aos seus lábios pelo poder divino. Sua resposta foi: “Porventura não terei cuidado de falar o que o Senhor pôs na minha boca?” Números 23:11, 12.

Balaque não pôde mesmo então abandonar o seu intento. Julgou que o espetáculo imponente apresentado pelo vasto acampamento dos hebreus, houvesse intimidado de tal maneira a Balaão que este não ousasse praticar suas adivinhações contra eles. Resolveu o rei levar o profeta a algum ponto onde visse apenas uma pequena parte das hostes. Se pudesse ser induzido a amaldiçoá-los em partes destacadas, todo o arraial logo seria votado à destruição. No cimo de uma elevação chamada Pisga, fez-se

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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