Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 327-329

outra prova. Construíram-se novamente sete altares, sobre os quais foram colocadas as mesmas ofertas que ao princípio. O rei e seus príncipes permaneceram ao lado dos sacrifícios, enquanto Balaão se retirou para encontrar-se com Deus. Foi outra vez confiada ao profeta uma mensagem divina, que ele foi impotente para alterar ou reter.

Quando ele apareceu à multidão ansiosa e expectante, foi-lhe feita a pergunta: “Que coisa falou o Senhor?” A resposta, como antes, lançou o terror no coração do rei e dos príncipes:

“Deus não é homem, para que minta;
Nem filho do homem, para que Se arrependa.

Porventura diria Ele, e não o faria?
Ou falaria, e não o confirmaria?

Eis que recebi mandado de abençoar;
pois Ele tem abençoado, e eu não o posso revogar.

Não viu iniqüidade em Israel, nem contemplou maldade em Jacó;
o Senhor seu Deus é com ele, e nele, e entre eles se ouve o alarido dum rei”.

Números 23:19-21.

Aterrado com tais revelações, Balaão exclamou: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel.” O grande mágico tinha experimentado o seu poder de encantamentos, de acordo com o desejo dos moabitas; mas, com relação a esta mesma ocasião, dir-se-ia de Israel: “Que coisa Deus tem obrado!” Enquanto estavam sob a proteção divina, nenhum povo ou nação, embora auxiliado por todo o poder de Satanás, seria capaz de prevalecer contra eles. O mundo todo se maravilharia ante a obra admirável de Deus em prol de Seu povo — de que um homem decidido a seguir uma conduta pecaminosa fosse de tal maneira dirigido pelo poder divino, que proferisse em vez de imprecações as mais ricas e preciosas promessas, na expressão da poesia sublime e exaltada. E o favor de Deus, manifesto a Israel nesta ocasião, deveria ser uma segurança de Seu cuidado protetor aos Seus filhos obedientes e fiéis, em todos os tempos. Quando Satanás inspirasse homens maus a caluniar, a perseguir e destruir o povo de Deus, esta mesma ocorrência lhes seria trazida à lembrança, e lhes fortaleceria o ânimo e a fé em Deus.

O rei de Moabe, desanimado e angustiado, exclamou: “Nem totalmente o amaldiçoarás, nem totalmente o abençoarás”. Números 23:23, 25. Contudo uma vaga esperança ainda ficou em seu coração, e resolveu-se a fazer outra tentativa. Conduziu então Balaão ao Monte Peor, onde havia um templo dedicado ao culto licencioso de Baal, o deus deles. Ali foi construído o mesmo número de altares que antes, e ofereceu-se o mesmo número de sacrifícios; mas Balaão não foi só, como das outras vezes, para conhecer a vontade de Deus. Ele não tinha pretensões a feitiçaria, mas, em pé ao lado dos altares, olhava ao longe sobre as tendas de Israel. De novo o Espírito de Deus repousou sobre ele, e veio de seus lábios a mensagem divina:

“Que boas são as tuas tendas, ó Jacó!
Que boas são as tuas moradas, ó Israel!

Como vales que se estendem, como jardins à beira dos rios,
como árvores de sândalo que o Senhor plantou, como cedros junto às águas.
Águas manarão de seus baldes, e as suas sementeiras terão águas abundantes;
e o seu rei se levantará mais do que Agague, e o seu reino será exaltado. [...]

Abaixou-se, deitou-se como leão e como leoa;
quem o despertará?Benditos os que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem”.

Números 24:5-7, 9.

A prosperidade do povo de Deus é aqui representada por algumas das mais belas figuras que se encontram na natureza. O profeta assemelha Israel com vales férteis cobertos de abundantes plantações; com jardins florescentes regados por fontes inesgotáveis; com o aromático sândalo e o imponente cedro. A última figura mencionada é uma das mais notavelmente belas e apropriadas que se encontram na Palavra inspirada. O cedro do Líbano era honrado por todos os povos do Oriente. A espécie de árvores a que ele pertence é encontrada onde quer que o homem haja ido, por toda a Terra. Desde as regiões árticas até a zona tropical, florescem, regozijando-se no calor, e ao mesmo tempo afrontando o frio; surgindo com grande pujança ao lado do rio, e ao mesmo tempo sobressaindo pelos ares por sobre a terra inculta, ressequida e sedenta. Penetram suas raízes profundamente por entre as pedras das montanhas, e erguem-se com ousadia em desafio à tempestade. Suas folhas estão frescas e verdes, quando tudo mais pereceu com o sopro do inverno. Acima de todas as outras árvores, distingue-se o cedro do Líbano pela sua força, firmeza, seu imperecível vigor; e isto é usado como símbolo daqueles cuja vida “está escondida com Cristo em Deus”. Colossences 3:3. Diz a Escritura: “O justo [...] crescerá como o cedro”. Salmos 92:12. A mão divina exaltou o cedro como o rei da floresta. “As faias não igualavam os seus ramos, e os castanheiros não eram como os seus renovos; nenhuma árvore no jardim de Deus se assemelhou a ele”. Ezequiel 31:8. O cedro é repetidas vezes empregado como emblema da realeza; e seu uso nas Escrituras para representar os justos mostra como o Céu considera aqueles que fazem a vontade de Deus.

Balaão profetizou que o rei de Israel seria maior e mais poderoso do que Agague. Este era o nome dado aos reis dos amalequitas, que naquele tempo eram uma nação muito poderosa; mas Israel, sendo fiel a Deus, subjugaria todos os seus inimigos. O Rei de Israel era o Filho de Deus; e Seu trono seria um dia estabelecido na Terra, e Seu poder seria exaltado acima de todos os reinos terrestres.

Ouvindo as palavras do profeta, Balaque ficou dominado pela decepcionada esperança, pelo temor e raiva. Ficou indignado de que Balaão lhe tivesse dado uma mínima esperança de uma resposta favorável, quando

tudo estava decidido contra ele. Considerou com escárnio a conduta transigente e enganadora do profeta. O rei exclamou iradamente: “Agora pois foge para o teu lugar; eu tinha dito que te honraria grandemente; mas eis que o Senhor te privou desta honra”. Números 24:11. Balaão respondeu que o rei tinha sido advertido previamente de que ele apenas poderia falar a mensagem que lhe fora dada da parte de Deus.

Antes de voltar a seu povo, Balaão proferiu uma belíssima, sublime profecia acerca do Redentor do mundo, e a final destruição dos inimigos de Deus:

“Vê-Lo-ei, mas não agora; contemplá-Lo-ei, mas não de perto;
uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel,
que ferirá os termos dos moabitas, e destruirá todos os filhos de Sete”.

Números 24:17.

E finalizou predizendo a completa destruição de Moabe e Edom, de Amaleque e dos quenitas, não deixando assim ao rei moabita nenhum raio de esperança.

Decepcionado em suas esperanças de riqueza e honras, achando-se no desagrado do rei e estando cônscio de que incorrera no desprazer de Deus, Balaão voltou da missão que ele próprio desejara. Depois de chegar em casa, o poder dirigente do Espírito de Deus o deixou, e sua cobiça, que apenas estivera contida, prevaleceu. Estava disposto a recorrer a qualquer meio para ganhar a recompensa prometida por Balaque. Balaão sabia que a prosperidade de Israel dependia de sua obediência a Deus, e que não havia meio para ocasionar seu transtorno senão induzindo-os ao pecado. Resolveu conseguir agora o favor de Balaque, aconselhando aos moabitas o caminho a seguir a fim de acarretar maldição sobre Israel.

Voltou imediatamente à terra de Moabe, e expôs seus planos ao rei. Os próprios moabitas estavam convencidos de que, enquanto Israel permanecesse fiel a Deus, Ele seria o seu escudo. O plano proposto por Balaão era separá-los de Deus, induzindo-os à idolatria. Se pudessem ser levados a tomar parte no culto licencioso de Baal e Astarote, seu Protetor onipotente tornar-Se-ia seu inimigo, e eles logo seriam presa das nações cruéis e aguerridas em redor deles. Esse plano foi prontamente aceito pelo rei, e o próprio Balaão ficou para ajudar a executá-lo.

Balaão testemunhou o êxito de seu plano diabólico. Viu a maldição de Deus sobrevir a Seu povo, e milhares caindo sob Seus juízos; mas a justiça divina que puniu o pecado em Israel não permitiu que os tentadores escapassem. Na guerra de Israel contra os midianitas, Balaão foi morto. Tivera um pressentimento de que seu fim estivesse perto, quando exclamou: “A minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu”. Números 23:10. Mas não preferira viver a vida dos justos, e seu destino fixou-se com os inimigos de Deus.

A sorte de Balaão foi semelhante à de Judas, e o caráter deles tem pronunciada semelhança entre si. Ambos estes homens experimentaram unir-se ao serviço de Deus e de Mamom, e defrontaram com malogro

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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