Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 194
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 322-324
de concordar com quaisquer condições que Balaão pudesse exigir. A urgente mensagem de Balaque ao profeta, era: “Rogo-te que não te demores em vir a mim, porque grandemente te honrarei, e farei tudo o que me disseres; vem pois, rogo-te, amaldiçoa-me este povo”. Números 22:16, 17.
Segunda vez foi Balaão provado. Em resposta às solicitações dos embaixadores, ele se disse possuidor de muita consciência e integridade, afirmando-lhes que nenhuma quantidade de ouro ou prata poderia induzi-lo a ir de encontro à vontade de Deus. Mas anelava condescender com o pedido do rei; e, se bem que a vontade de Deus já se lhe houvesse tornado definidamente conhecida, insistiu com os mensageiros para que ficassem, a fim de que pudesse consultar outra vez a Deus; e isto como se o Ser infinito fosse um homem, para ser persuadido.
À noite, o Senhor apareceu a Balaão e disse: “Se aqueles homens te vieram chamar, levanta-te, vai com eles; todavia, farás o que Eu te disser”. Números 22:20. Até este ponto o Senhor permitiria que Balaão seguisse sua vontade, porque ele estava resolvido a isto. Não procurou fazer a vontade de Deus, mas escolheu seu próprio caminho e então esforçou-se por conseguir a sanção do Senhor.
Há na atualidade milhares que estão seguindo uma conduta semelhante. Não teriam dificuldade em compreender seu dever se este estivesse em harmonia com suas inclinações. Acha-se na Bíblia claramente posto diante deles, ou é evidentemente indicado pelas circunstâncias ou pela razão. Mas porque tais evidências são contrárias aos seus desejos e inclinações, freqüentemente as põem de lado, e ousam ir a Deus para saberem o seu dever. Aparentemente com grande consciência, oram demorada e fervorosamente rogando luz. Mas com Deus não se brinca. Ele muitas vezes permite que tais pessoas sigam seus desejos, e sofram o resultado. “O Meu povo não quis ouvir a Minha voz. [...] Pelo que Eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram segundo os seus próprios conselhos”. Salmos 81:11, 12. Quando alguém vê claramente o dever, não tome a liberdade de ir a Deus com oração para que possa ser dispensado de o cumprir. Antes, deve com espírito humilde e submisso, rogar força e sabedoria divinas para satisfazer as exigências desse dever.
Os moabitas eram um povo degradado, idólatra; todavia, conforme a luz que haviam recebido, sua culpa não era tão grande à vista do Céu como era a de Balaão. Entretanto, como este professava ser profeta de Deus, tudo o que dissesse supor-se-ia proferido por autoridade divina. Portanto não lhe foi permitido falar como quisesse, mas devia transmitir a mensagem que Deus lhe desse. “Farás o que Eu te disser” (Números 22:20), foi a ordem divina.
Balaão recebera permissão de ir com os mensageiros de Moabe, se viessem pela manhã chamá-lo. Mas, contrariados com sua demora, e esperando nova recusa, partiram em viagem para seu país sem mais consulta com ele. Toda a desculpa para condescender com o pedido de Balaque
fora agora removida. Mas Balaão estava decidido a obter a recompensa; e, tomando o animal em que estava habituado a viajar, pôs-se a caminho. Temia que mesmo agora a permissão divina fosse retirada, e avançou ansiosamente, inquieto e receoso de que de alguma maneira deixasse de ganhar a cobiçada recompensa.
Mas “o anjo do Senhor pôs-se-lhe no caminho por adversário”. Números 22:22. O animal viu o mensageiro divino, que não era percebido pelo homem, e desviou-se da estrada para o campo. Com pancadas cruéis Balaão o trouxe novamente para o caminho; mas, outra vez, em um lugar estreito entre duas paredes apareceu o anjo, e o animal, procurando evitar a figura ameaçadora, apertou o pé do seu dono contra a parede. Balaão estava cego à intervenção celestial, e não sabia que Deus lhe estava obstruindo o caminho. O homem exasperou-se, e, surrando a jumenta impiedosamente, obrigou-a a prosseguir.
De novo, “num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda” (Números 22:26), apareceu o anjo, como antes, em atitude ameaçadora; e o pobre animal, tremendo de terror, parou, e caiu em terra sob aquele que o cavalgava. A raiva de Balaão não teve limites, e com o bordão espancou mais cruelmente do que antes o animal. Deus abriu então a boca deste, e, pelo “mudo jumento, falando com voz humana”, “impediu a loucura do profeta”. 2 Pedro 2:16. “Que te fiz eu”, disse o animal, “que me espancaste estas três vezes?” Números 22:28.
Furioso por ser assim estorvado em sua viagem, Balaão respondeu ao animal como se teria dirigido a um ser racional: “Por que zombaste de mim; oxalá tivera eu uma espada na mão, porque agora te matara.” Ali estava um mágico professo, a caminho para pronunciar uma maldição sobre um povo inteiro, com o intento de paralisar sua força, ao mesmo tempo em que não tinha poder mesmo para matar o animal que cavalgava!
Abrem-se agora os olhos de Balaão, e ele vê em pé o anjo de Deus com a espada desembainhada pronto para o matar. Aterrorizado, “inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face”. O anjo lhe disse: “Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim. Porém a jumenta me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela se não desviara de diante de mim, na verdade que eu agora te tivera matado, e a ela deixara com vida”. Números 22:29-33.
Balaão devia a conservação de sua vida ao pobre animal que tratara tão cruelmente. O homem que pretendia ser profeta do Senhor, que declarou estar “de olhos abertos”, e ver “a visão do Todo-poderoso” (Números 24:3, 4), estava tão cego pela cobiça e ambição que não pôde divisar o anjo de Deus, visível para seu animal. “O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos”. 2 Coríntios 4:4. Quantos não se acham assim cegos! Arremessam-se em trilhas vedadas, transgredindo a lei divina, e não
podem discernir que Deus e Seus anjos estão contra eles. Semelhantes a Balaão zangam-se com aqueles que querem impedir sua ruína.
Balaão dera prova do espírito que o dirigia, pelo seu tratamento ao animal. “O justo olha pela vida dos seus animais, mas as misericórdias dos ímpios são cruéis”. Provérbios 12:10. Poucos se compenetram, quanto deveriam, da pecaminosidade de maltratar os animais, ou deixá-los sofrer pela negligência. Aquele que criou o homem fez os animais irracionais também, “e as Suas misericórdias são sobre todas as Suas obras”. Salmos 145:9. Os animais foram criados para servirem ao homem, mas este não tem direito de causar-lhes dor com tratamento rude, ou cruel exigência.
É por causa do pecado do homem que “toda a criação geme e está juntamente com dores de parto”. Romanos 8:22. O sofrimento e a morte foram assim impostos não somente ao gênero humano, mas aos animais. Certamente, pois, ao homem toca procurar aliviar o peso do sofrimento que sua transgressão acarretou sobre as criaturas de Deus, em vez de aumentá-lo. Aquele que maltrata os animais porque os tem em seu poder, é tão covarde quanto tirano. A disposição para causar dor, quer seja ao nosso semelhante quer aos seres irracionais, é satânica. Muitos não compreendem que sua crueldade haja de ser conhecida, porque os pobres animais mudos não a podem revelar. Mas, se os olhos desses homens pudessem abrir-se como os de Balaão, veriam um anjo de Deus, em pé, como testemunha, para atestar contra eles no tribunal celestial. Um relatório sobe ao Céu, e aproxima-se o dia em que se pronunciará juízo contra os que maltratam as criaturas de Deus.
Quando viu o mensageiro de Deus, Balaão exclamou aterrorizado: “Pequei, porque não soube que estavas neste caminho para te opores a mim; e agora, se parece mal aos teus olhos, tornar-me-ei”. Números 22:34. O Senhor permitiu-lhe prosseguir em sua viagem, mas deu-lhe a entender que suas palavras seriam dirigidas pelo poder divino. Deus queria dar prova a Moabe que os hebreus estavam sob a guarda do Céu; e isto Ele fez de modo eficaz quando lhes mostrou quão impotente era Balaão mesmo para proferir uma maldição contra eles, sem permissão divina.
O rei de Moabe, sendo informado da aproximação de Balaão, saiu com grande acompanhamento às fronteiras do reino, para o receber. Quando se mostrou admirado com a demora de Balaão, em vista das ricas recompensas que o esperavam, a resposta do profeta foi: “Eis que eu tenho vindo a ti; porventura poderei eu agora de alguma forma falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca essa falarei”. Números 22:38. Balaão lamentava grandemente esta restrição; temia que seu propósito não pudesse efetuar-se, porque o poder dirigente do Senhor estava sobre ele.
Com grande pompa, o rei com os principais dignitários de seu reino, acompanharam Balaão “aos altos de Baal” (Números 22:41), donde ele podia avistar as hostes hebréias. Eis o profeta em pé sobre o elevado monte,
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White