Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 193
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 319-322
condenado Israel à longa peregrinação no deserto. Viam que o relato dos espias a respeito da Terra Prometida era correto em muitos aspectos. As cidades eram muradas e muito grandes, e eram habitadas por gigantes, em comparação com estes os hebreus eram simples pigmeus. Mas podiam agora ver que o erro fatal de seus pais fora não confiar no poder de Deus. Isso, apenas, os impedira de entrar logo na boa terra.
Quando a princípio se estiveram preparando para entrar em Canaã, este empreendimento era acompanhado de muito menos dificuldade do que agora. Deus prometera a Seu povo que, se obedecessem à Sua voz, Ele iria adiante deles e por eles combateria; e enviaria também vespões para expelir os habitantes da terra. O temor das nações não tinha sido geralmente suscitado, e pouco preparo fora feito para resistir à sua marcha. Mas, mandando o Senhor agora Israel ir avante, deviam avançar contra adversários vigilantes e poderosos, e contender com exércitos grandes e bem treinados, que tinham estado a preparar-se para resistir a sua aproximação.
Em suas competições com Ogue e Seom, o povo fora trazido sob a mesma prova debaixo da qual seus pais fracassaram tão assinaladamente. Entretanto, a prova era agora muito mais severa do que quando Deus ordenara a Israel que avançasse. As dificuldades em seu caminho tinham aumentado grandemente desde que se recusaram a avançar, ao ser-lhes mandado assim fazer em nome do Senhor. É assim que Deus ainda prova Seu povo. E, se deixam de resistir à prova, Ele os traz de novo ao mesmo ponto; e a segunda vez a prova será mais rigorosa, e mais severa do que a precedente. Isto continua até que resistam à prova; ou, se ainda são rebeldes, Deus retira deles Sua luz, e os deixa em trevas.
Os hebreus lembraram-se agora de como uma vez, anteriormente, ao saírem suas forças para a batalha, foram derrotados, e milhares morreram. Mas tinham ido, então, em oposição direta à ordem de Deus. Haviam saído sem Moisés, o líder designado por Deus, sem a coluna de nuvem, símbolo da presença divina, e sem a arca. Agora, porém, Moisés estava com eles, fortalecendo-lhes o coração com palavras de esperança e fé; o Filho de Deus, encerrado na coluna de nuvem, abria o caminho; e a arca sagrada acompanhava o exército. Esta experiência tem uma lição para nós. O poderoso Deus de Israel é o nosso Deus. NEle podemos confiar; e se Lhe obedecermos as ordens Ele operará em nosso favor de maneira tão assinalada como fez para com Seu antigo povo. Todo aquele que procura seguir o caminho do dever, será às vezes assaltado por dúvidas e incredulidade. O caminho algumas vezes estará tão cheio de obstáculos, aparentemente insuperáveis, que abaterão os que cedem ao desânimo; mas Deus está a dizer a tais: Ide avante! Cumpri vosso dever custe o que custar. As dificuldades que parecem tão enormes, que vos enchem de terror a alma, se desvanecerão ao avançardes no caminho da obediência, confiando humildemente em Deus.
Capítulo 40 — Balaão
Este capítulo é baseado em Números 22-24.
Voltando ao Jordão da conquista de Basã, os israelitas, em preparativos para a imediata invasão de Canaã, acamparam ao lado do rio Jordão, acima de sua foz no Mar Morto, e precisamente defronte da planície de Jericó. Estavam exatamente nas fronteiras de Moabe, e os moabitas estavam cheios de terror pela grande proximidade dos invasores.
O povo de Moabe não fora incomodado por Israel, todavia eles tinham observado com inquietadores pressentimentos tudo que ocorrera nos países circunvizinhos. Os amorreus, de diante dos quais eles tinham sido obrigados a bater em retirada, haviam sido vencidos pelos hebreus, e o território que tinham extorquido de Moabe estava agora de posse de Israel. Os exércitos de Basã haviam-se rendido diante do misterioso poder envolto na coluna de nuvem, e as gigantescas fortalezas foram ocupadas pelos hebreus. Os moabitas não ousaram arriscar contra ele um ataque; o recurso às armas seria inútil em vista das forças sobrenaturais que operavam em seu favor. Mas decidiram-se, como Faraó fizera, a pôr a seu serviço o poder da feitiçaria para contrariar a obra de Deus. Queriam acarretar uma maldição sobre Israel.
O povo de Moabe estava intimamente ligado com os midianitas, tanto pelo laços de nacionalidade como de religião. E Balaque, rei de Moabe, despertou os receios do povo aparentado, e conseguiu sua cooperação em seus intuitos contra Israel, por meio da mensagem: “Agora lamberá esta congregação tudo quanto houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo”. Números 22-24. Dizia-se que Balaão, morador da Mesopotâmia, possuía poderes sobrenaturais, e sua fama chegou à terra de Moabe. Resolveu-se chamá-lo em seu auxílio. Nestas condições, mensageiros dos “anciãos dos moabitas e os anciãos dos midianitas”, foram enviados para conseguirem suas adivinhações e encantamentos contra Israel.
Os embaixadores logo se puseram a caminho em sua longa viagem, através de montanhas e de desertos, para a Mesopotâmia; e, encontrando Balaão, transmitiram-lhe a mensagem de seu rei: “Eis que um povo saiu do Egito; eis que cobre a face da terra e parado está defronte de mim. Vem, pois, agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois mais poderoso é do que eu; para ver se o poderei ferir e o lançarei fora da terra; porque eu sei que a quem tu abençoares será abençoado e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado”. Números 22:5, 6.
Balaão já havia sido um bom homem e profeta de Deus; mas apostatara e entregara-se à cobiça; todavia professava ainda ser servo do Altíssimo. Não ignorava a obra de Deus em prol de Israel; e, quando os enviados comunicaram sua mensagem, bem sabia que era seu dever recusar as recompensas de Balaque, e despedir os embaixadores. Mas arriscou-se a contemporizar com a tentação, e instou com os mensageiros para que ficassem com ele aquela noite, declarando que não poderia dar resposta decisiva antes que houvesse pedido conselho da parte do Senhor. Balaão sabia que sua conduta não poderia prejudicar Israel. Deus estava ao lado deles; e, enquanto fossem fiéis, nenhum poder adverso, da Terra ou do inferno, poderia prevalecer contra eles. Mas seu orgulho fora lisonjeado com as palavras dos embaixadores: “A quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado”. Números 22:6. As seduções de valiosas dádivas e a exaltação em perspectiva provocaram-lhe a cobiça. Avidamente aceitou os tesouros oferecidos, e então, ao mesmo tempo em que professava obediência estrita à vontade de Deus, procurou satisfazer os desejos de Balaque.
À noite o anjo do Senhor veio a Balaão, com esta mensagem: “Não irás com eles, nem amaldiçoarás a este povo, porquanto bendito é”. Números 22:12.
Pela manhã, Balaão despediu relutantemente os mensageiros; mas não lhes referiu o que o Senhor dissera. Irado por se terem dissipado subitamente suas visões de lucro e honra, exclamou petulantemente: “Ide à vossa terra, porque o Senhor recusa deixar-me ir convosco”. Números 22:13.
Balaão “amou o prêmio da injustiça”. 2 Pedro 2:15. O pecado da cobiça, que Deus declara ser idolatria, dele fizera um servo de ocasião, e, mediante esta única falta, Satanás obteve inteiro domínio sobre ele. Foi isto que causou a sua ruína. O tentador está sempre a apresentar lucros e honras mundanas para aliciar os homens do serviço de Deus. Diz-lhes que são os seus demasiados escrúpulos de consciência que os impedem de alcançar a prosperidade. Assim muitos são induzidos ao risco de saírem do caminho da estrita integridade. Um passo errado torna o outro mais fácil, e eles se tornam cada vez mais presunçosos. Farão e ousarão as mais terríveis coisas quando uma vez se entregaram ao domínio da cobiça e do desejo de poderio. Muitos se lisonjeiam com a idéia de que podem afastar-se da integridade estrita durante algum tempo, por amor a alguma vantagem mundana, e que, tendo conseguido seu objetivo, podem mudar sua conduta quando lhes aprouver. Esses tais se acham a enredar-se na cilada de Satanás, e raramente escapam.
Quando os mensageiros deram parte a Balaque da recusa do profeta a acompanhá-los, não deram a entender que Deus lho proibira. Supondo que a demora de Balaão visava simplesmente conseguir uma recompensa mais valiosa, o rei enviou príncipes em maior número e mais dignos do que os primeiros, com promessas de mais altas honras, e com autorização
de concordar com quaisquer condições que Balaão pudesse exigir. A urgente mensagem de Balaque ao profeta, era: “Rogo-te que não te demores em vir a mim, porque grandemente te honrarei, e farei tudo o que me disseres; vem pois, rogo-te, amaldiçoa-me este povo”. Números 22:16, 17.
Segunda vez foi Balaão provado. Em resposta às solicitações dos embaixadores, ele se disse possuidor de muita consciência e integridade, afirmando-lhes que nenhuma quantidade de ouro ou prata poderia induzi-lo a ir de encontro à vontade de Deus. Mas anelava condescender com o pedido do rei; e, se bem que a vontade de Deus já se lhe houvesse tornado definidamente conhecida, insistiu com os mensageiros para que ficassem, a fim de que pudesse consultar outra vez a Deus; e isto como se o Ser infinito fosse um homem, para ser persuadido.
À noite, o Senhor apareceu a Balaão e disse: “Se aqueles homens te vieram chamar, levanta-te, vai com eles; todavia, farás o que Eu te disser”. Números 22:20. Até este ponto o Senhor permitiria que Balaão seguisse sua vontade, porque ele estava resolvido a isto. Não procurou fazer a vontade de Deus, mas escolheu seu próprio caminho e então esforçou-se por conseguir a sanção do Senhor.
Há na atualidade milhares que estão seguindo uma conduta semelhante. Não teriam dificuldade em compreender seu dever se este estivesse em harmonia com suas inclinações. Acha-se na Bíblia claramente posto diante deles, ou é evidentemente indicado pelas circunstâncias ou pela razão. Mas porque tais evidências são contrárias aos seus desejos e inclinações, freqüentemente as põem de lado, e ousam ir a Deus para saberem o seu dever. Aparentemente com grande consciência, oram demorada e fervorosamente rogando luz. Mas com Deus não se brinca. Ele muitas vezes permite que tais pessoas sigam seus desejos, e sofram o resultado. “O Meu povo não quis ouvir a Minha voz. [...] Pelo que Eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram segundo os seus próprios conselhos”. Salmos 81:11, 12. Quando alguém vê claramente o dever, não tome a liberdade de ir a Deus com oração para que possa ser dispensado de o cumprir. Antes, deve com espírito humilde e submisso, rogar força e sabedoria divinas para satisfazer as exigências desse dever.
Os moabitas eram um povo degradado, idólatra; todavia, conforme a luz que haviam recebido, sua culpa não era tão grande à vista do Céu como era a de Balaão. Entretanto, como este professava ser profeta de Deus, tudo o que dissesse supor-se-ia proferido por autoridade divina. Portanto não lhe foi permitido falar como quisesse, mas devia transmitir a mensagem que Deus lhe desse. “Farás o que Eu te disser” (Números 22:20), foi a ordem divina.
Balaão recebera permissão de ir com os mensageiros de Moabe, se viessem pela manhã chamá-lo. Mas, contrariados com sua demora, e esperando nova recusa, partiram em viagem para seu país sem mais consulta com ele. Toda a desculpa para condescender com o pedido de Balaque
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White