Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 184
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 304-305
apaixonado, em face da advertência e reprovação divina, sua culpa teria sido muito maior. Mas não se lhes atribuía pecado voluntário nem premeditado; haviam sido vencidos por uma tentação súbita, e sua contrição foi imediata e provinha do coração. O Senhor aceitou seu arrependimento, embora não pudesse remover a punição, por causa do mal que seu pecado poderia fazer entre o povo.
Moisés não ocultou a sua sentença, mas contou ao povo que, visto ter deixado de conferir glória a Deus, não os poderia guiar à Terra Prometida. Mandou-os notar o severo castigo com que fora atingido, e então considerarem como Deus devia olhar as suas murmurações, acusando um simples homem dos juízos que pelos seus pecados haviam trazido sobre si. Contara-lhes como rogara a Deus uma revogação da sentença, e isto fora negado. “O Senhor indignou-Se muito contra mim por causa de vós”, disse ele; “e não me ouviu”. Deuteronômio 3:26.
Em toda ocasião de dificuldade ou provação, os israelitas estavam prontos para acusarem a Moisés de os ter tirado do Egito, como se Deus não tivesse atuação alguma nesta questão. Por todas as suas jornadas, quando se queixavam das dificuldades do caminho, e murmuravam contra seus chefes, Moisés lhes dizia: “Vossas murmurações são contra Deus. Não fui eu que operei o vosso livramento, mas sim Deus.” Mas suas precipitadas palavras diante da rocha: “Tiraremos água”, eram uma admissão virtual daquilo de que eles os acusavam, e os confirmavam assim em sua incredulidade, justificando-lhes as murmurações. O Senhor queria remover-lhes para sempre do espírito esta impressão, vedando a Moisés de entrar na Terra Prometida. Ali estava a prova definitiva de que seu líder não era Moisés, mas o poderoso Anjo de quem o Senhor disse: “Eis que Eu envio um Anjo diante de ti, para que te guarde neste caminho, e te leve ao lugar que te tenho aparelhado. Guarda-te diante dEle, e ouve a Sua voz [...] porque o Meu nome está nEle”. Êxodo 23:20, 21.
“O Senhor indignou-Se muito contra mim por causa de vós”, disse Moisés. Os olhos de todo o Israel estavam em Moisés, e seu pecado refletiu em Deus, que o escolhera como chefe de Seu povo. A transgressão foi conhecida por toda a congregação; e, se tivesse passado sem a devida consideração, ter-se-ia dado a impressão de que a incredulidade e a impaciência sob grande provocação poderiam ser desculpadas naqueles que ocupam posições de responsabilidade. Quando, porém, foi declarado que Moisés e Arão não deveriam entrar em Canaã, por causa daquele único pecado, o povo soube que Deus não faz acepção de pessoas, e punirá certamente o transgressor.
A história de Israel devia ser registrada para a instrução e aviso das gerações vindouras. Homens de todos os tempos futuros deviam ver o Deus do Céu, como um Governador imparcial, não justificando de maneira alguma o pecado. Mas poucos se compenetram da excessiva malignidade do pecado. Lisonjeiam-se alguns homens de que Deus é
bom demais para punir o transgressor. Mas, à luz da história bíblica, é evidente que a bondade de Deus e Seu amor O obrigam a tratar o pecado como um mal fatal à paz e felicidade do Universo.
Nem mesmo a integridade e fidelidade de Moisés podiam desviar a retribuição à sua falta. Deus perdoara ao povo maiores transgressões, mas não podia tratar com o pecado nos dirigentes do mesmo modo que naqueles que eram dirigidos. Honrara a Moisés mais do que a todos os outros homens na Terra. Revelara-lhe a Sua glória, e por meio dele comunicara Seus estatutos a Israel. O fato de que Moisés possuíra tão grande luz e saber, tornara mais grave seu pecado. A fidelidade passada não expiará um mau ato sequer. Quanto maior a luz e os privilégios concedidos ao homem, maior é sua responsabilidade, mais grave a sua falta, mais severo o seu castigo.
Conforme o juízo dos homens, Moisés não era culpado de um grande crime; seu pecado foi desses que ocorrem usualmente. O salmista diz que ele “falou imprudentemente com seus lábios”. Salmos 106:33. Perante o juízo humano isto pode parecer coisa leve; mas, se Deus tratou tão severamente com este pecado em Seu servo mais fiel e honrado, não o desculpará em outros. O espírito de exaltação própria, a disposição para censurar os irmãos, são desagradáveis a Deus. Os que condescendem com a prática destes males lançam dúvida sobre a obra de Deus, e dão aos céticos uma desculpa para a sua incredulidade. Quanto mais importante é a posição de alguém, e maior sua influência, maior é a necessidade de que cultive a paciência e a humildade.
Se os filhos de Deus, especialmente os que ocupam posições de responsabilidade, puderem ser levados a tomar para si a glória que é devida a Deus, Satanás exultará. Terá alcançado uma vitória. Foi assim que ele caiu. Nesse ponto alcança ele mais êxito do que em outro qualquer, ao tentar outros à ruína. É para pôr-nos de sobreaviso contra seus ardis que Deus deu em Sua Palavra tantas lições que ensinam o perigo da exaltação própria. Não há um impulso de nossa natureza, nem uma faculdade do espírito ou inclinação do coração, que não necessite achar-se a todo o instante sob a direção do Espírito de Deus. Não há uma bênção que Deus confira ao homem, nem uma provação que permita recair sobre ele, de que Satanás não possa e não queira prevalecer-se para tentar, perturbar e destruir a alma, se lhe dermos a menor vantagem. Portanto, por maior que seja a luz espiritual de alguém, por mais que obtenha do favor e bênção de Deus, deve andar sempre humildemente perante o Senhor, rogando pela fé que Deus lhe dirija todo o pensamento e domine todo impulso.
Todos os que professam piedade estão sob a mais sagrada obrigação de guardar o espírito, e exercitar o domínio próprio sob a maior provocação. Os encargos colocados sobre Moisés eram muito grandes; poucos homens serão tão severamente provados como ele foi; contudo, isto não
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White