Cristo Nossa Redenção

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Leitura do livro

Patriarcas e Profetas, páginas 301-303

Isaías descreve-O como “uma Rocha eterna” (Isaías 26:4), “sombra de uma grande rocha em terra sedenta”. Isaías 32:2. E ele recorda a preciosa promessa, trazendo vividamente à lembrança a torrente viva que flui para Israel: “Os aflitos e necessitados buscam águas, e não as há, e a sua língua se seca de sede; mas Eu, o Senhor os ouvirei, Eu o Deus de Israel os não desampararei”. Isaías 41:7. “Derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca” (Isaías 44:3); “águas arrebentarão no deserto, e ribeiros no ermo”. Isaías 35:6. Faz-se o convite: “Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas”. Isaías 55:1. E nas páginas finais do Volume Sagrado este convite soa de novo. O rio da água da vida, “claro como cristal”, provém do trono de Deus e do Cordeiro; e o convite cheio de graça repercute através dos séculos: “Quem quiser, tome de graça da água da vida”. Apocalipse 22:17.

Precisamente antes de os hebreus chegarem a Cades, cessou a torrente viva que durante tantos anos jorrara ao lado de seu acampamento. Deus Se propusera novamente provar Seu povo. Prová-los-ia para ver se confiariam em Sua providência ou imitariam a incredulidade de seus pais.

Estavam agora à vista das colinas de Canaã. Alguns dias de marcha levá-los-iam às fronteiras da Terra Prometida. Achavam-se a pequena distância de Edom, que pertencia à descendência de Esaú, e através de cujo território se estendia o itinerário pelo qual deveriam ir a Canaã. Fora dada a Moisés a direção: “Virai-vos para o norte. E dá ordem ao povo, dizendo: Passareis pelos termos de vossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em Seir; e eles terão medo de vós. [...] Comprareis, por dinheiro, comida para comerdes; e também água para beber deles comprareis por dinheiro”. Deuteronômio 2:3-6. Estas instruções deveriam ter sido suficientes para explicar por que lhes fora cortado o suprimento de água; estavam prestes a passar através de um território bem regado e fértil, em caminho direto para a terra de Canaã. Deus lhes prometera uma passagem isenta de incômodos através de Edom, e oportunidades de comprar alimento e água também, suficientes para suprir as hostes. A cessação da miraculosa emanação de água devia ter sido, portanto, motivo de regozijo, sinal de que terminara a vagueação pelo deserto. Não houvessem eles se tornado cegos pela sua incredulidade, e teriam compreendido isto. Mas o que deveria ter sido prova do cumprimento da promessa de Deus, tornou-se motivo para dúvida e murmuração. O povo parecia ter abandonado toda esperança de que Deus os levaria à posse de Canaã, e clamaram pelas bênçãos do deserto.

Antes que Deus lhes permitisse entrar em Canaã, deviam mostrar que criam em Sua promessa. A água cessou antes que chegassem a Edom. Ali estava uma oportunidade para andarem, por algum tempo, pela fé em vez de pela vista. Mas a primeira prova suscitou o mesmo espírito turbulento e ingrato, manifestado por seus pais. Mal se ouviu no acampamento o clamor por água, e se esqueceram da mão que durante tantos anos lhes suprira as necessidades; e, em vez de volverem a Deus em busca de auxílio, murmuraram

contra Ele, exclamando em seu desespero: “Oxalá tivéssemos expirado quando expiraram nossos irmãos perante o Senhor!” (Números 20:3); isto é, desejavam ter sido do número dos que foram destruídos na rebelião de Coré.

Seus clamores eram dirigidos contra Moisés e Arão: “Por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para que morramos ali, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau? lugar não de semente, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber.”

Os chefes foram à porta do tabernáculo, e caíram sobre seu rosto. Novamente “a glória do Senhor lhes apareceu”, e determinou-se a Moisés: “Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha”. Números 20:4, 5, 8.

Os dois irmãos foram perante a multidão, indo Moisés com a vara de Deus na mão. Eles eram agora homens idosos. Muito tempo haviam suportado a rebelião e obstinação de Israel; mas agora, finalmente, mesmo a paciência de Moisés vacilou. “Ouvi, agora, rebeldes”, exclamou ele: “porventura, faremos sair água desta rocha para vós outros?” Números 20:10. E, em vez de falar à rocha, como Deus lhe mandara, feriu-a duas vezes com a vara.

A água jorrou em abundância, satisfazendo as hostes. Mas uma grande falta fora cometida. Moisés falara com sentimento de irritação; suas palavras eram uma expressão de paixão humana, em vez de santa indignação porque Deus houvesse sido desonrado. “Ouvi, agora, rebeldes”, disse ele. Esta acusação era verdadeira, mas mesmo a verdade não deve ser falada com paixão nem impaciência. Quando Deus mandara Moisés acusar Israel de rebelião, as palavras lhe foram dolorosas, e difícil lhes era suportarem-nas; contudo Deus o amparara ao transmitir a mensagem. Mas quando tomou sobre si o acusá-los, agravou o Espírito de Deus, e apenas fez mal ao povo. Sua falta de paciência e domínio próprio eram evidentes. Assim foi dada ao povo ocasião para porem em dúvida que sua atuação passada fora sob a direção de Deus, e desculparem seus próprios pecados. Moisés, bem como eles, haviam ofendido a Deus. Sua conduta, disseram, fora desde o princípio passível de crítica e censura. Tinham achado agora o pretexto que desejavam para rejeitarem todas as reprovações que Deus lhes enviara mediante Seu servo.

Moisés manifestou falta de confiança em Deus. “Faremos sair água?” perguntou, como se o Senhor não fizesse o que prometera. “Não Me crestes a Mim”, declarou o Senhor aos dois irmãos, “para Me santificar diante dos filhos de Israel”. Números 20:10-13. Na ocasião em que a água faltou, sua própria fé no cumprimento da promessa de Deus fora abalada pela murmuração e rebelião do povo. A primeira geração foi condenada a perecer no deserto, por causa de sua incredulidade; contudo o mesmo espírito apareceu em seus filhos. Deixariam estes também de receber a promessa?

Cansados e desalentados, Moisés e Arão não fizeram esforço algum para opor-se à corrente do sentimento popular. Houvessem eles manifestado fé inabalável em Deus, e poderiam ter posto a questão perante o povo sob um prisma que os teria habilitado a suportar esta prova. Mediante o exercício pronto e decisivo da autoridade a eles investida como magistrados, poderiam ter abafado a murmuração. Tinham o dever de fazer todo esforço possível para melhorar o estado de coisas, antes de pedirem a Deus que fizesse por eles o trabalho. Se a murmuração em Cades tivesse sido sustada de pronto, que cortejo de males se poderia ter evitado!

Por seu ato precipitado, Moisés tirou a força da lição que Deus Se propunha ensinar. A rocha, sendo um símbolo de Cristo, fora ferida uma vez, assim como Cristo uma vez seria oferecido. A segunda vez, era necessário apenas falar à rocha, assim como temos apenas de pedir bênçãos em nome de Jesus. Ferindo-se pela segunda vez a rocha, foi destruída a significação desta bela figura de Cristo.

Mais do que isto: Moisés e Arão tinham assumido poder que apenas pertence a Deus. A necessidade de intervenção divina tornava a ocasião de grande solenidade, e os chefes de Israel deviam tê-la aproveitado para impressionar o povo a fim de terem reverência para com Deus, e lhes fortalecer a fé em Seu poder e bondade. Quando iradamente exclamaram: “Tiraremos água desta rocha para vós?” (Números 20:10) puseram-se no lugar de Deus, como se o poder estivesse com eles, homens possuidores de fragilidades e paixões humanas. Cansado com a contínua murmuração e rebelião do povo, Moisés perdera de vista o seu todo-poderoso Auxiliador; e sem a força divina veio a macular o relato de seus feitos com uma exibição de fraqueza humana. O homem que poderia ter permanecido puro, firme e abnegado até o final de sua obra, fora finalmente vencido. Deus fora desonrado perante a congregação de Israel, quando devia ter sido engrandecido e exaltado.

Deus não pronunciou nesta ocasião juízos sobre aqueles cuja ímpia conduta de tal maneira provocara a Moisés e Arão. Toda a reprovação recaiu sobre os dirigentes. Os que se achavam como os representantes de Deus não O haviam honrado. Moisés e Arão sentiram-se ofendidos, perdendo de vista que a murmuração do povo não era contra eles mas contra Deus. Foi por olharem a si mesmos, por apelarem para sua própria simpatia, que inconscientemente caíram em pecado, e deixaram de pôr perante o povo o seu grande delito para com Deus.

Amargo e profundamente humilhante foi o juízo imediatamente pronunciado. “Porquanto não Me crestes a Mim, para Me santificar diante dos filhos de Israel, por isso não metereis esta congregação na terra que lhes tenho dado.” Juntamente com o rebelde Israel deviam morrer antes de atravessarem o Jordão. Se Moisés e Arão houvessem estado a acalentar uma elevada opinião de si mesmos, ou condescender com um espírito

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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