Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 126
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 220-222
Estas leis deviam ser registradas por Moisés, e qual tesouro cuidadosamente guardadas como fundamento da lei nacional; e, juntamente com os dez preceitos para ilustração dos quais foram dadas, deviam ser a condição para o cumprimento das promessas de Deus a Israel.
Foi-lhes então dada esta mensagem da parte de Jeová: “Eis que Eu envio um Anjo diante de ti, para que te guarde neste caminho, e te leve ao lugar que te tenho aparelhado. Guarda-te diante dEle, e ouve a Sua voz, e não O provoques à ira, porque não perdoará a vossa rebelião; porque o Meu nome está nEle. Mas, se diligentemente ouvires a Sua voz, e fizeres tudo o que Eu disser, então serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários”. Êxodo 23:20-22. Durante todas as vagueações de Israel, Cristo, na coluna de nuvem e fogo, foi o seu dirigente. Ao mesmo tempo em que havia tipos que apontavam para um Salvador vindouro, havia também um Salvador presente, que dava ordens a Moisés para o povo, e que diante deles fora posto como o único conduto de bênção.
Ao descer do monte, Moisés veio e contou ao povo todas as palavras e estatutos do Senhor; então o povo respondeu a uma voz, e disse: “Todas as palavras que o Senhor tem falado, faremos”. Êxodo 24. Este compromisso, juntamente com as palavras do Senhor a que o mesmo os obrigava a obedecer, foi escrito por Moisés em um livro.
Seguiu-se então a ratificação do concerto. Foi construído um altar ao pé da montanha, e ao lado dele ergueram-se doze colunas, “segundo as doze tribos de Israel”, em testemunho de sua aceitação do concerto. Foram então apresentados sacrifícios pelos moços escolhidos para tal ato.
Havendo aspergido o altar com o sangue das ofertas, Moisés “tomou o livro do concerto, e o leu aos ouvidos do povo”. Assim foram solenemente proferidas as condições do concerto, e todos ficaram na liberdade de escolherem conformar-se com as mesmas ou não. Tinham a princípio prometido obedecer à voz de Deus; mas haviam depois disto ouvido proclamar a Sua lei; e seus princípios tinham sido particularizados, para que pudessem saber o quanto este concerto abrangia. Outra vez o povo respondeu unanimemente: “Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos.” “Havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue [...] e aspergiu não só o próprio livro como também todo o povo, dizendo: Este é o sangue do testamento que Deus vos tem mandado”. Hebreus 9:19, 20.
Deviam agora tomar-se disposições para o amplo estabelecimento da nação escolhida, sob a direção de Jeová como seu Rei. Moisés havia recebido a ordem: “Sobe ao Senhor, tu e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel; e inclinai-vos de longe. E só Moisés se chegará ao Senhor.” Esses homens escolhidos foram chamados ao monte, enquanto o povo adorava junto ao mesmo. Os setenta anciãos deviam ajudar a Moisés no governo de Israel, e Deus pôs sobre eles Seu Espírito, e honrou-os dando-lhes
uma visão de Seu poder e grandeza. “E viram o Deus de Israel, e debaixo de Seus pés havia como uma obra de pedra de safira, e como o parecer do céu na sua claridade.” Não viram a Divindade, mas viram a glória de Sua presença. Antes disso não poderiam ter suportado tal cena; mas a exibição do poder de Deus, infundindo-lhes temor, levou-os ao arrependimento; estiveram a contemplar Sua glória, pureza e misericórdia, até que puderam aproximar-se mais dAquele que era o objeto de suas meditações.
Moisés e “Josué seu servidor” foram agora chamados a encontrar-se com Deus. E, como devessem ficar algum tempo ausentes, o chefe designou Arão e Hur, auxiliados pelos anciãos, para agirem em seu lugar. “E, subindo Moisés ao monte, a nuvem cobriu o monte. E habitava a glória do Senhor sobre o monte de Sinai.” Durante seis dias a nuvem cobriu o monte, como sinal da presença especial de Deus; contudo, não fez revelação alguma de Si, nem comunicação de Sua vontade. Durante este tempo Moisés permaneceu à espera de um chamado à audiência com o Altíssimo. Havia-lhe sido determinado: “Sobe a Mim ao monte, e fica lá”; e, se bem que sua paciência e obediência fossem provadas, não se tornou cansado de esperar nem abandonou o posto. Este período de espera foi-lhe um tempo de preparo, de íntimo exame próprio. Mesmo este servo favorecido de Deus não poderia de pronto aproximar-se de Sua presença, e resistir às manifestações de Sua glória. Seis dias deviam ser empregados em dedicar-se a Deus, mediante o exame próprio, meditação e oração, antes de poder estar preparado para comungar diretamente com seu Criador.
No sétimo dia, que era o sábado, Moisés foi chamado para dentro da nuvem. A espessa nuvem abriu-se à vista de todo o Israel, e a glória do Senhor irrompeu semelhante a um fogo devorador. “Moisés entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte; e Moisés esteve no monte quarenta dias e quarenta noites.” Os quarenta dias de permanência no monte não incluíam os seis dias de preparo. Durante os seis dias Josué esteve com Moisés, e juntos comiam do maná e bebiam do ribeiro que descia do monte. Mas Josué não entrou com Moisés na nuvem. Ficou fora e continuou a comer e a beber diariamente enquanto esperava a volta de Moisés; Moisés, porém, jejuou durante todos os quarenta dias.
Durante sua permanência no monte, Moisés recebeu instruções para a construção de um santuário, no qual a presença divina se manifestaria de modo especial. “E Me farão um santuário, e habitarei no meio deles”, foi a ordem de Deus. Êxodo 25:8. Pela terceira vez foi ordenada a observância do sábado. “Entre Mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre”, declarou o Senhor, “para que saibais que Eu sou o Senhor que vos santifica. Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós: [...] qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será extirpada do meio de seu povo”. Êxodo 31:17, 13, 14. Acabavam de ser dadas instruções para o levantamento imediato do tabernáculo para o serviço de Deus; e agora, sendo
que o objeto em vista era a glória de Deus, e também porque tinham grande necessidade de um lugar de culto, poderia o povo concluir que estariam justificados trabalhando naquela construção ao sábado. Para os guardar de tal erro, foi feita uma advertência. Mesmo a santidade e urgência daquela obra especial para Deus não os deviam levar a infringir o Seu santo dia de repouso.
Dali em diante o povo seria honrado com a presença permanente de seu Rei. “Habitarei no meio dos filhos de Israel, e lhes serei por Deus”, “para que por Minha glória sejam santificados” (Êxodo 29:45, 43), foi a segurança dada a Moisés. Como símbolo da autoridade de Deus, e incorporação de Sua vontade, foi entregue a Moisés uma cópia do Decálogo gravada pelo dedo do próprio Deus em duas tábuas de pedra (Deuteronômio 9:10; Êxodo 32:15, 16), para que, de maneira sagrada, fosse encerrada no santuário, o qual, depois de feito, deveria ser o centro visível do culto da nação.
De uma raça de escravos os israelitas haviam sido exaltados acima de todos os povos, para serem o tesouro peculiar do Rei dos reis. Deus os separara do mundo a fim de que lhes pudesse confiar um sagrado depósito. Deles fizera os guardas de Sua lei, e propunha-Se, por meio deles, conservar entre os homens o Seu conhecimento. Assim a luz do Céu resplandeceria a um mundo rodeado de trevas, e ouvir-se-ia uma voz apelando para todos os povos para voltarem de sua idolatria a fim de servirem ao Deus vivo. Se os israelitas fossem fiéis ao seu encargo, tornar-se-iam um poder no mundo. Deus seria a sua defesa, e Ele os elevaria acima de todas as outras nações. Sua luz e verdade seriam reveladas por meio deles, e achar-se-iam sob o Seu governo sábio e santo, como um exemplo da superioridade de Seu culto sobre toda a forma de idolatria.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White