Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 219-220

com sabedoria e eqüidade infinitas, como porque deveriam os magistrados julgar de acordo com elas. Diferente dos Dez Mandamentos, foram transmitidas particularmente a Moisés, que as deveria comunicar ao povo.

A primeira destas leis referia-se aos servos. Nos tempos antigos, os criminosos eram algumas vezes vendidos como escravos pelos juízes; nalguns casos os devedores eram vendidos pelos seus credores; e a pobreza levava mesmo pessoas a vender a si ou a seus filhos. Um hebreu, porém, não podia ser vendido como escravo para toda a vida. Seu prazo de serviço limitava-se a seis anos; no sétimo deveria ser posto em liberdade. O furto de homens, o assassínio premeditado, e a rebelião contra a autoridade paterna, eram punidos com a morte. Era permitida a manutenção de escravos que não fossem israelitas de nascimento, mas sua vida e pessoa eram estritamente guardadas. O assassino de um escravo devia ser castigado; um agravo infligido a um deles pelo seu senhor, ainda que fosse a perda de um dente, dava o direito à liberdade.

Os próprios israelitas tinham sido recentemente escravos, e agora que iam ter servos sob suas ordens, deviam guardar-se de alimentar um espírito de crueldade e extorsão, de que haviam sofrido sob os maiorais de tarefas no Egito. A lembrança de sua amarga servidão devia habilitá-los a colocar-se no lugar do servo, levando-os a ser benévolos e compassivos, a tratar os outros como desejariam fossem eles mesmos tratados.

Os direitos das viúvas e órfãos eram especialmente resguardados, e ordenava-se uma escrupulosa atenção à sua desajudada condição. “Se de alguma maneira os afligirdes”, declarou o Senhor, “e eles clamarem a Mim, Eu certamente ouvirei o seu clamor. E a Minha ira se acenderá, e vos matará à espada; e vossas mulheres ficarão viúvas, e vossos filhos órfãos”. Êxodo 22:23, 24. Os estrangeiros que se uniam a Israel deviam ser protegidos de mal ou opressão. “Não oprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito”. Êxodo 23:9.

Era proibido tomar usura do pobre. As vestes ou o cobertor de um homem pobre tomados em penhor, deviam ser-lhes restituídos à tarde. Exigia-se daquele que era culpado de furto restituir o dobro. Ordenava-se o respeito aos magistrados e príncipes, e advertia-se aos juízes contra o perverter o juízo, auxiliando uma causa falsa, ou recebendo suborno. A mentira e a calúnia eram proibidas, e ordenados atos de bondade, mesmo para com inimigos pessoais.

De novo lembrou-se ao povo a sagrada obrigação do sábado. Designaram-se festas anuais, nas quais todos os homens da nação deviam congregar-se perante o Senhor, trazendo-Lhe suas ofertas de gratidão, e as primícias de Sua generosidade. O objetivo de todo este regulamento foi declarado: não procediam esses preceitos do exercício de mera soberania arbitrária; foram todos dados para o bem de Israel. O Senhor disse: “Ser-Me-eis homens santos” (Êxodo 22:31) — dignos de ser reconhecidos por um Deus santo.

Estas leis deviam ser registradas por Moisés, e qual tesouro cuidadosamente guardadas como fundamento da lei nacional; e, juntamente com os dez preceitos para ilustração dos quais foram dadas, deviam ser a condição para o cumprimento das promessas de Deus a Israel.

Foi-lhes então dada esta mensagem da parte de Jeová: “Eis que Eu envio um Anjo diante de ti, para que te guarde neste caminho, e te leve ao lugar que te tenho aparelhado. Guarda-te diante dEle, e ouve a Sua voz, e não O provoques à ira, porque não perdoará a vossa rebelião; porque o Meu nome está nEle. Mas, se diligentemente ouvires a Sua voz, e fizeres tudo o que Eu disser, então serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários”. Êxodo 23:20-22. Durante todas as vagueações de Israel, Cristo, na coluna de nuvem e fogo, foi o seu dirigente. Ao mesmo tempo em que havia tipos que apontavam para um Salvador vindouro, havia também um Salvador presente, que dava ordens a Moisés para o povo, e que diante deles fora posto como o único conduto de bênção.

Ao descer do monte, Moisés veio e contou ao povo todas as palavras e estatutos do Senhor; então o povo respondeu a uma voz, e disse: “Todas as palavras que o Senhor tem falado, faremos”. Êxodo 24. Este compromisso, juntamente com as palavras do Senhor a que o mesmo os obrigava a obedecer, foi escrito por Moisés em um livro.

Seguiu-se então a ratificação do concerto. Foi construído um altar ao pé da montanha, e ao lado dele ergueram-se doze colunas, “segundo as doze tribos de Israel”, em testemunho de sua aceitação do concerto. Foram então apresentados sacrifícios pelos moços escolhidos para tal ato.

Havendo aspergido o altar com o sangue das ofertas, Moisés “tomou o livro do concerto, e o leu aos ouvidos do povo”. Assim foram solenemente proferidas as condições do concerto, e todos ficaram na liberdade de escolherem conformar-se com as mesmas ou não. Tinham a princípio prometido obedecer à voz de Deus; mas haviam depois disto ouvido proclamar a Sua lei; e seus princípios tinham sido particularizados, para que pudessem saber o quanto este concerto abrangia. Outra vez o povo respondeu unanimemente: “Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos.” “Havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue [...] e aspergiu não só o próprio livro como também todo o povo, dizendo: Este é o sangue do testamento que Deus vos tem mandado”. Hebreus 9:19, 20.

Deviam agora tomar-se disposições para o amplo estabelecimento da nação escolhida, sob a direção de Jeová como seu Rei. Moisés havia recebido a ordem: “Sobe ao Senhor, tu e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel; e inclinai-vos de longe. E só Moisés se chegará ao Senhor.” Esses homens escolhidos foram chamados ao monte, enquanto o povo adorava junto ao mesmo. Os setenta anciãos deviam ajudar a Moisés no governo de Israel, e Deus pôs sobre eles Seu Espírito, e honrou-os dando-lhes

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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