Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 102
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 188-190
campo”. A ruína e a desolação assinalavam o caminho do anjo destruidor. Unicamente a terra de Gósen foi poupada. Ficou demonstrado aos egípcios que a Terra está sob a direção do Deus vivo, que os elementos obedecem a Sua voz, e que a única segurança está na obediência a Ele.
Todo o Egito tremeu ante a terrível visitação do juízo divino. Faraó apressadamente mandou chamar os dois irmãos e clamou: “Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo somos ímpios. Orai ao Senhor (pois que basta) para que não haja mais trovões de Deus nem saraiva; e eu vos deixarei ir, e não ficareis mais aqui.” A resposta foi: “Em saindo da cidade, estenderei minhas mãos ao Senhor; os trovões cessarão, e não haverá mais saraiva; para que saibas que a terra é do Senhor. Todavia, quanto a ti e a teus servos, eu sei que ainda não temereis diante do Senhor Deus.”
Moisés saiba que a contenda não estava finalizada. As confissões e promessas de Faraó não eram o resultado de qualquer mudança radical em seu espírito ou coração, mas foram extorquidas dele pelo terror e angústia. Moisés prometeu, entretanto, atender-lhe o pedido; pois não lhe daria ocasião para mais obstinação. O profeta saiu, sem tomar em consideração a fúria da tempestade, e Faraó e todo o seu exército foram testemunhas do poder de Jeová para preservar Seu mensageiro. Tendo saído fora da cidade, Moisés “estendeu suas mãos ao Senhor; e cessaram os trovões e a saraiva, e a chuva não caiu mais sobre a terra”. Mas, mal se refez o rei de seus temores, voltou seu coração à perversidade.
Então disse o Senhor a Moisés: “Entra a Faraó, porque tenho agravado o seu coração, e o coração de seus servos, para fazer estes Meus sinais no meio dele. E para que contes aos ouvidos de teus filhos, e dos filhos de teus filhos, as coisas que obrei no Egito, e os Meus sinais, que tenho feito entre eles; para que saibais que Eu sou o Senhor.” O Senhor estava a manifestar o Seu poder, para confirmar a fé de Israel nEle, como o único Deus vivo e verdadeiro. Daria prova inequívoca da diferença que estabelecera entre eles e os egípcios, e faria com que todas as nações soubessem que os hebreus, a quem tinham desprezado e oprimido, estavam sob a proteção do Deus do Céu.
Moisés advertiu o rei de que se ainda permanecesse obstinado, seria enviada uma praga de gafanhotos, que cobriria a face da terra, e comeria toda a coisa verde que restasse; encheriam as casas, mesmo o palácio; tal flagelo, disse ele, seria “como nunca viram teus pais, nem os pais dos teus pais, desde os dias em que eles foram sobre a terra até o dia de hoje”.
Os conselheiros de Faraó ficaram estarrecidos. A nação tinha experimentado grande perda com a morte do gado. Muitas pessoas haviam sido mortas pela saraiva. As florestas estavam derribadas, e as colheitas destruídas. Estavam perdendo rapidamente tudo que havia sido ganho com o trabalho dos hebreus. Toda a terra estava ameaçada de morrer de fome. Príncipes e cortesãos acercavam-se do rei, e com ira pediam: “Até
quando este nos há de ser por laço? deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor seu Deus; ainda não sabes que o Egito está destruído?”
Moisés e Arão foram de novo convocados, e o rei lhes disse: “Ide, servi ao Senhor vosso Deus. Quais são os que hão de ir?”
A resposta foi: “Havemos de ir com os nossos meninos, e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa do Senhor temos.”
O rei se encheu de ira. “Seja o Senhor assim convosco”, exclamou ele, “como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos; olhai que há mal diante da vossa face. Não será assim; andai agora vós, varões, e servi ao Senhor; pois isso é o que pedistes. E os lançaram da face de Faraó.” Faraó se esforçava por destruir os israelitas pelo trabalho rude; agora, porém, pretendia ter um profundo interesse em seu bem-estar e terno cuidado pelas suas crianças. Seu verdadeiro objetivo era conservar as mulheres e crianças como garantia da volta dos homens.
Moisés estendeu então a vara sobre a terra, e soprou um vento oriental, que trouxe gafanhotos. “Mui gravosos foram; antes destes nunca houve tais gafanhotos, nem depois deles virão outros tais.” Encheram o céu até que a terra se escureceu; e devoraram toda a vegetação que restava. Faraó mandou chamar às pressas os profetas, e disse: “Pequei contra o Senhor vosso Deus, e contra vós. Agora, pois, peço-vos que perdoeis o meu pecado somente desta vez, e que oreis ao Senhor vosso Deus que tire de mim somente esta morte.” Assim fizeram, e um forte vento ocidental levou os gafanhotos para o Mar Vermelho. O rei ainda persistiu em sua pertinaz resolução.
O povo do Egito estava ao ponto do desespero. Os açoites que já haviam caído sobre eles pareciam quase além do que se podia suportar, e estavam cheios de temor pelo futuro. A nação tinha adorado a Faraó como o representante de seu deus; mas muitos agora estavam convencidos de que ele se achava opondo-se a um Ser que fez de todas as forças na natureza ministros de Sua vontade. Os escravos hebreus, tão miraculosamente favorecidos, estavam se tornando confiantes no livramento. Seus maiorais de tarefas não ousavam oprimi-los como até ali haviam feito. Por todo o Egito havia um temor secreto de que a raça escravizada se levantasse e vingasse seus males. Por toda parte homens estavam a indagar, com desalento: o que será depois disto?
Subitamente repousou sobre a terra uma escuridão, tão densa e negra que parecia “trevas que se apalpem”. Não somente estava o povo despojado de luz, mas a atmosfera era muito opressiva, de maneira que a respiração era difícil. “Não viu um ao outro, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações.” O Sol e a Lua eram objetos de culto para os egípcios; nestas trevas misteriosas o povo e seus deuses foram de modo semelhante atingidos pelo poder que tomara a Si a causa dos escravos. Contudo, por medonho
que tivesse sido, este juízo é uma prova da compaixão de Deus e de Sua indisposição para destruir. Ele dava ao povo tempo para refletir e arrepender-se, antes de trazer sobre eles a última e mais terrível das pragas.
A segunda praga trouxe rãs sobre a terra do Egito. Êxodo 8:6. As rãs eram consideradas sagradas pelos egípcios, e supunha-se que uma de suas divindades, a deusa Heqa, com cabeça de rã, possuía poder criador. Quando as rãs, como resultado da ordem de Moisés, se multiplicaram a tal ponto que encheram o país de um extremo a outro, os egípcios devem ter perguntado por que Heqa estava afligindo os seus fervorosos adoradores, ao invés de protegê-los. Destarte, os egípcios não somente foram punidos pela segunda praga, mas também supuseram estar sendo cobertos de ignomínia por um de seus deuses (Êxodo 9:3), muitos dos quais representavam poderosos deuses no panteão egípcio. Para mencionar apenas alguns, verificamos que o boi Ápis era dedicado a Ptah, o pai de todos os deuses, e a vaca sagrada a Hator, uma das divindades femininas mais amplamente adoradas na região do Nilo; ao passo que o carneiro representava vários deuses, como Khnemu e Amon, de cabeça de carneiro, que foi o principal deus do Egito no período do Novo Império. Por conseguinte, a doença que matou os animais dedicados a suas divindades revelou aos egípcios a inutilidade dos seus deuses na presença do Deus dos desprezados hebreus. O medo finalmente arrancou de Faraó mais uma concessão. No fim do terceiro dia de trevas, chamou Moisés, e consentiu na partida do povo, contanto que se permitisse ficarem os rebanhos e gado. “Nem uma unha ficará”, replicou o resoluto hebreu. “Não sabemos com que havemos de servir ao Senhor, até que cheguemos lá.” A ira do rei explodiu desenfreada. “Vai-te de mim”, exclamou ele, “guarda-te que não mais vejas o meu rosto; porque no dia em que vires o meu rosto, morrerás.”
A resposta foi: “Bem disseste; eu nunca mais verei o teu rosto.”
“O varão Moisés era mui grande na terra do Egito, aos olhos dos servos de Faraó, e aos olhos do povo.” Moisés era considerado com temor pelos egípcios. O rei não ousava fazer-lhe mal, pois o povo o considerava como o único que tinha poder para remover as pragas. Desejavam que aos israelitas fosse permitido deixar o Egito. Eram o rei e os sacerdotes que se opunham em extremo aos pedidos de Moisés.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White