Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 101
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 186-187
muito tempo desfalecia na fornalha da aflição. Este ato de Moisés era-lhes segurança de que Deus Se lembrava de Seu concerto, e de que era vindo o tempo para o seu livramento.
Ao ser a cinza espalhada para o céu, as minúsculas partículas espalharam-se por toda a terra do Egito, e onde quer que caíam produziam sarna, que arrebentava “em úlceras nos homens e no gado”. Os sacerdotes e magos até ali haviam incentivado Faraó em sua obstinação, mas agora viera um juízo que atingia mesmo a eles. Acometidos de uma moléstia repugnante e dolorosa, tornando-se seu alardeado poder apenas desprezível, não mais podiam contender contra o Deus de Israel. A nação inteira foi levada a ver a loucura de confiar nos magos, quando não eram eles capazes de proteger mesmo sua própria pessoa.
Ainda o coração de Faraó se tornou mais endurecido. E então o Senhor lhe enviou uma mensagem, declarando: “Esta vez enviarei todas as Minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibais que não há outro como Eu em toda a terra. [...] Mas deveras para isto te mantive, para mostrar o Meu poder em ti.” Não que Deus lhe tivesse dado existência para este fim; mas Sua providência encaminhara os acontecimentos de modo a colocá-lo no trono, no próprio tempo destinado ao libertamento de Israel. Embora este altivo tirano houvesse pelos seus crimes se privado das misericórdias de Deus, todavia a vida lhe fora preservada para que mediante sua teimosia, o Senhor pudesse manifestar Seus prodígios na terra do Egito. A disposição nos acontecimentos é da providência de Deus. Ele poderia ter posto no trono um rei mais misericordioso, que não tivesse ousado resistir às poderosas manifestações do poder divino. Mas nesse caso os propósitos do Senhor não se teriam cumprido. Foi permitido que Seu povo experimentasse a esmagadora crueldade dos egípcios, para que não se enganassem com relação à influência aviltante da idolatria. Em Seu trato com Faraó, o Senhor manifestou Seu ódio à idolatria, e Sua decisão de punir a crueldade e a opressão.
Deus havia declarado com referência a Faraó: “Eu endurecerei o seu coração, para que não deixe ir o povo”. Êxodo 4:21. Não houve o exercício de poder sobrenatural para endurecer o coração do rei. Deus deu a Faraó a mais notável prova do poder divino; mas o rei obstinadamente se recusou a atender à luz. Cada manifestação do poder infinito, por ele rejeitada, tornava-o mais resoluto em sua rebelião. As sementes de rebelião que semeara quando rejeitou o primeiro prodígio, produziram a sua colheita. Como ele continuasse a aventurar-se em sua conduta, indo de um grau de teimosia a outro, seu coração se tornou mais e mais endurecido, até que ele foi chamado para olhar o rosto frio e morto dos primogênitos.
Deus fala aos homens por meio de Seus servos, dando avisos e advertências, e repreendendo o pecado. Dá a cada um oportunidade para corrigir seus erros antes que eles se fixem no caráter; mas, se alguém recusa
ser corrigido, o poder divino não intervém a fim de contrariar a tendência de sua ação. Essa pessoa acha mais fácil repetir a mesma conduta. Está a endurecer o coração contra a influência do Espírito Santo. Nova rejeição da luz a coloca onde uma influência muito mais forte será ineficaz para produzir uma impressão duradoura.
Aquele que cedeu uma vez à tentação, cederá mais facilmente segunda vez. Cada repetição do pecado diminui seu poder de resistência, cega os seus olhos, e suprime a convicção. Cada semente de condescendência, que é semeada, produzirá fruto. Deus não opera milagre para impedir a ceifa. “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Gálatas 6:7. Aquele que manifesta dura incredulidade, uma obstinada indiferença à verdade divina, não está senão a colher o fruto do que ele próprio semeou. É assim que multidões vêm a escutar, com rígida indiferença, verdades que outrora lhes abalavam a própria alma. Semearam negligência e resistência à verdade, e tal é a colheita que fazem.
Aqueles que estão a acalmar a consciência culpada, com o pensamento de que podem modificar um caminho de males quando o desejarem, de que podem ter em pouca conta os convites de misericórdia, e ser contudo repetidas vezes impressionados, seguem tal caminho com perigo para si. Acham que depois de lançarem toda a sua influência ao lado do grande rebelde, em momento de maior angústia, quando o perigo os rodeia, mudarão de chefes. Mas isto não se faz tão facilmente. A experiência, a educação, a disciplina de uma vida de satisfação pecaminosa, tão completamente modelaram o caráter que não podem então receber a imagem de Jesus. Se nenhuma luz lhes houvesse mostrado o caminho, o caso teria sido diferente. A misericórdia poderia interpor-se, e dar-lhes oportunidade de aceitar suas providências; mas, depois que durante muito tempo a luz foi rejeitada e desprezada, será enfim retirada.
Faraó foi em seguida ameaçado com uma praga de saraiva, dando-se-lhe o aviso: “Agora pois envia, recolhe o teu gado e tudo o que tens no campo; todo o homem e animal, que for achado no campo, e não for recolhido a casa, a saraiva cairá sobre eles, e morrerão.” A chuva ou a saraiva não eram comuns no Egito, e uma tempestade como a que fora predita nunca havia sido testemunhada. A notícia espalhou-se rapidamente, e todos os que creram na palavra do Senhor recolheram seu gado, enquanto os que desdenharam o aviso o deixaram no campo. Assim, em meio do juízo, ostentou-se a misericórdia de Deus, o povo foi provado, e mostrou-se quantos foram levados a temer a Deus pela manifestação de Seu poder.
A tempestade veio conforme fora predita: trovão e saraiva, e fogo misturado com a mesma, “mui grave, qual nunca houve em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação. E a saraiva feriu em toda a terra do Egito, tudo quanto havia no campo, desde os homens até os animais; também a saraiva feriu a toda a erva do campo, e quebrou todas as árvores do
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White