Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 183-185

rei, mais decidido do que nunca, declarou serem os seus magos iguais em poder a Moisés e Arão; acusou os servos do Senhor como impostores, e sentiu-se fora de perigo ao resistir a seus pedidos. Todavia, ao mesmo tempo em que desprezava sua mensagem, foi reprimido pelo poder de Deus, de lhes fazer mal.

Foi a mão de Deus, e não influência ou poder humano possuído por Moisés e Arão, o que operou os prodígios que exibiram perante Faraó. Estes sinais e prodígios eram destinados a convencer Faraó de que o grande “EU SOU” (Êxodo 3:14) enviara Moisés, e de que era dever do rei deixar Israel ir, para que pudessem servir ao Deus vivo. Os magos também exibiram sinais e prodígios; pois agiam não somente pela sua própria habilidade, mas pelo poder de seu deus, Satanás, que os ajudava a contrafazer a obra de Jeová.

Os magos não fizeram realmente suas varas transformar-se em serpentes; mas, pela mágica, auxiliados pelo grande enganador, foram capazes de produzir esta aparência. Estava além do poder de Satanás transformar as varas em serpentes vivas. O príncipe do mal, possuindo embora toda a sabedoria e poder de um anjo decaído, não tem o poder de criar ou dar a vida; isto é prerrogativa de Deus somente. Mas tudo que estava no poder de Satanás fazer, ele o fez; produziu uma contrafação. À vista humana as varas tinham sido transformadas em cobras. E que assim fosse, acreditavam Faraó e sua corte. Nada havia em sua aparência para distingui-las da serpente produzida por Moisés. Se bem que o Senhor fizesse com que a serpente verdadeira tragasse as serpentes espúrias, contudo mesmo isto foi considerado por Faraó, não como uma obra do poder de Deus, mas como o resultado de uma espécie de mágica superior à de seus servos.

Faraó desejava justificar sua obstinação em resistir à ordem divina, e daí procurava ele algum pretexto para não tomar em consideração os prodígios que Deus operara por meio de Moisés. Satanás deu-lhe exatamente o que ele desejava. Pela obra que operara por intermédio dos magos, fez parecer aos egípcios que Moisés e Arão eram apenas magos e encantadores, e que a mensagem que traziam não podia impor respeito como provinda de um Ser superior. Assim a falsificação de Satanás cumpriu o seu objetivo de tornar ousados os egípcios em sua rebelião, e fazer com que Faraó endurecesse o coração contra a convicção. Satanás esperava também abalar a fé de Moisés e Arão na origem divina de sua missão, para que pudessem prevalecer os seus instrumentos. Não queria que os filhos de Israel fossem libertos do cativeiro, para servirem ao Deus vivo.

Todavia, tinha ainda o príncipe do mal um objetivo de maior alcance ao manifestar seus prodígios por meio dos magos. Ele bem sabia que Moisés, quebrando o jugo do cativeiro de sobre os filhos de Israel, prefigurava Cristo, que devia destruir o reino do pecado na família humana. Sabia que quando Cristo aparecesse, grandes milagres seriam operados

como prova para o mundo de que Deus O enviara. Satanás temia perder o seu poder. Contrafazendo a obra de Deus, efetuada por meio de Moisés, esperava não somente evitar o livramento de Israel, mas exercer influência através dos séculos futuros, para destruir a fé nos milagres de Cristo. Satanás está constantemente procurando contrafazer a obra de Cristo, e estabelecer seu poder e pretensões. Leva os homens a explicar os milagres de Cristo, fazendo parecer que são o resultado da perícia e poder humanos. Destrói assim em muitas mentes a fé em Cristo como o Filho de Deus, e os leva a rejeitar os graciosos oferecimentos de misericórdia pelo plano da redenção.

Foi determinado a Moisés e Arão que visitassem a margem do rio na manhã seguinte, aonde o rei costumava dirigir-se. Sendo o transbordamento do Nilo a fonte dos alimentos e riqueza para todo o Egito, era o rio adorado como um deus, e o rei ia para ali diariamente a fim de render as suas devoções. Ali os dois irmãos repetiram-lhe de novo a mensagem, e então estenderam a vara e feriram a água. A corrente sagrada mudou-se em sangue, os peixes morreram, e o rio exalou mau cheiro. A água nas casas, o suprimento preservado nas cisternas, foram semelhantemente transformados em sangue. Mas “os magos do Egito também fizeram o mesmo com os seus encantamentos”, e “virou-se Faraó, e foi para sua casa; nem ainda nisto pôs seu coração”. Êxodo 7:11, 23. Durante sete dias continuou a praga, mas sem resultado.

De novo foi estendida a vara sobre as águas, e rãs subiram do rio, e espalharam-se pela terra. Percorriam as casas, apoderavam-se dos quartos de dormir, e mesmo dos fornos e amassadeiras. A rã era considerada sagrada pelos egípcios, e não as destruíam; mas tal praga viscosa se tornara agora intolerável. Enxameavam mesmo no palácio dos Faraós, e o rei estava ansioso por vê-las removidas. Tinha parecido que os magos haviam produzido rãs, mas eles não as podiam remover. Vendo isto, Faraó ficou algo humilhado. Mandou chamar Moisés e Arão, e disse: “Rogai ao Senhor que tire as rãs de mim e do meu povo; depois deixarei ir o povo, para que sacrifiquem ao Senhor”. Êxodo 8:8. Depois de fazerem lembrar ao rei a sua anterior jactância, pediram-lhe designar um tempo em que devessem orar para a remoção da praga. Ele marcou o dia seguinte, esperando intimamente que no intervalo as rãs desaparecessem por si, salvando-o assim da amarga humilhação de sujeitar-se ao Deus de Israel. A praga, entretanto, continuou até o tempo especificado, em que por todo o Egito as rãs morreram; mas seus corpos deteriorados, que haviam ficado, poluíam a atmosfera.

O Senhor poderia tê-las feito voltar ao pó em um instante; mas não fez isto para que não acontecesse depois de sua remoção declararem o rei e seu povo ser aquilo o resultado da feitiçaria ou encantamento, como a obra dos magos. As rãs morreram, e foram então reunidas em montes.

Nisto o rei e todo o Egito tiveram uma prova, a qual sua vã filosofia não podia contradizer, de que esta obra não fora cumprida pela magia, antes era um juízo do Deus do Céu.

“Vendo Faraó que havia descanso, agravou o seu coração.” Por ordem de Deus Arão estendeu a mão, e o pó da terra se tornou em piolhos por toda a terra do Egito. Faraó chamou os magos para fazerem o mesmo, mas não puderam. Mostrou-se assim ser a obra de Deus superior à de Satanás. Os próprios magos reconheceram: “Isto é o dedo de Deus”. Êxodo 8:15, 19. Mas o rei ainda não se abalou.

Ineficazes o apelo e a advertência, outro juízo foi infligido. O tempo de sua ocorrência foi predito, para que se não pudesse dizer ter vindo por acaso. Moscas encheram as casas e enxamearam por sobre a terra, de modo que “a terra foi corrompida destes enxames”. Estas moscas eram grandes e venenosas; sua picada era extremamente dolorosa ao homem e aos animais. Como fora predito, esta visitação não se estendeu à terra de Gósen.

Faraó ofereceu então aos israelitas permissão para sacrificarem no Egito; mas recusaram-se a aceitar tais condições. “Não convém que façamos assim”, disse Moisés, “por que sacrificaríamos ao Senhor nosso Deus a abominação dos egípcios; eis que se sacrificássemos a abominação dos egípcios perante os seus olhos, não nos apedrejariam eles?” Os animais que os hebreus deviam sacrificar, estavam entre os que eram considerados sagrados pelos egípcios; e tal era a reverência em que eram tidas essas criaturas que matar uma delas mesmo acidentalmente, era um crime punível com a morte. Seria impossível aos hebreus prestarem culto no Egito sem escandalizar os seus senhores. Moisés novamente propôs irem caminho de três dias ao deserto. O rei consentiu, e pediu que os servos de Deus intercedessem para que a praga fosse removida. Prometeram fazer isto, mas o advertiram quanto a tratar enganosamente com eles. A praga cessou, mas o coração do rei se havia endurecido pela rebelião persistente, e ainda recusou-se a ceder.

Seguiu-se um golpe mais terrível: peste em todo o gado do Egito que estava nos campos. Tanto os animais sagrados como as bestas de carga — vacas, bois e ovelhas, cavalos, camelos e jumentos, foram destruídos. Havia sido distintamente declarado que os hebreus seriam isentos; e Faraó, enviando mensageiros à casa dos israelitas, constatou a veracidade de tal declaração de Moisés. “Do gado dos filhos de Israel não morreu nenhum.” Ainda o rei se achava obstinado.

Ordenou-se em seguida a Moisés que tomasse cinzas do forno, e as espalhasse “para o céu diante dos olhos de Faraó”. Este ato era profundamente significativo. Quatrocentos anos antes, mostrara Deus a Abraão a opressão futura de Seu povo, sob a figura de uma fornalha fumegante e uma tocha de fogo. Declarara que mandaria juízos sobre os seus opressores, e tiraria os cativos com grande riqueza. No Egito, Israel durante

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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