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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 134-135

Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1Co 2:6-13).

Paulo reconheceu que sua suficiência não estava em si próprio, mas na presença do Espírito Santo, cuja benigna influência enchia-lhe o coração trazendo cada pensamento em sujeição a Cristo. Ele falava de si como “trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no... corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos” (2Co 4:10). Nos ensinos do apóstolo, Cristo era a figura central. “E vivo”, declarou ele, “não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). O eu fora apagado; Cristo foi revelado e exaltado.

Paulo era um orador eloqüente. Antes de sua conversão havia ele muitas vezes procurado impressionar seus ouvintes com rasgos de oratória. Mas agora pusera tudo isto de lado. Em vez de se demorar em descrições poéticas e fantasiosas representações, que poderiam lisonjear os sentidos e alimentar a imaginação, mas que não encontrariam eco na experiência diária, buscava ele pelo uso de linguagem simples, convencer os corações com as verdades de importância vital. Representações fantasistas da verdade podem provocar um êxtase dos sentidos, mas não raro, verdades apresentadas desta maneira não suprem o alimento necessário ao fortalecimento e robustecimento do crente para as batalhas da vida. As necessidades imediatas, as provas presentes das almas em conflito, devem ser enfrentadas com instrução prática e sadia com base nos princípios fundamentais do cristianismo.

Os esforços de Paulo em Corinto não ficaram sem fruto. Muitos abandonaram a adoração dos ídolos para servirem ao Deus vivo, e uma grande igreja se alistou sob a bandeira de Cristo. Alguns foram salvos dentre os mais devassos gentios e tornaram-se monumentos da misericórdia de Deus e da eficácia do sangue de Cristo para limpar do pecado.

O crescente sucesso que teve Paulo em apresentar a Cristo, despertou a mais determinada oposição da parte dos judeus incrédulos. Levantaram-se “concordemente contra Paulo, e o levaram ao tribunal” de Gálio, então procônsul da Acaia. Esperavam eles que as autoridades, como em ocasiões anteriores, se poriam ao lado deles; e vociferando irados, apresentaram sua acusação contra o apóstolo: “Este persuade os homens a servir a Deus contra a lei” (At 18:12, 13).

A religião judaica estava sob a proteção do poder romano; e os acusadores de Paulo pensavam que se pudessem aplicar-lhe a pecha de violador das leis de sua religião, provavelmente ele lhes seria entregue para julgamento e sentença. Assim esperavam eles poder conseguir a sua morte. Mas Gálio era um homem de integridade, e recusou tornar-se instrumento da inveja e da intriga dos judeus. Aborrecido com sua hipocrisia e justiça própria, não tomou conhecimento da acusação. Como Paulo se preparasse para falar em defesa própria, Gálio lhe disse não ser necessário. Então, voltando-se para os irados acusadores, disse: “Se houvesse, ó judeus, algum agravo ou crime enorme, com razão vos sofreria, mas, se a questão é de palavras, e de nomes, e da lei que entre vós há, vede-o vós mesmos; porque eu não quero ser juiz dessas coisas. E expulsou-os do tribunal” (At 18:14-16).

Tanto judeus como gregos haviam ansiosamente esperado pela decisão de Gálio; e sua imediata rejeição do caso, como sendo destituído de qualquer interesse público, foi o

sinal de retirada dos judeus, mal-sucedidos e irados. A decidida atitude do procônsul abriu os olhos à vociferante multidão que estivera a incitar os judeus. Pela primeira vez durante os trabalhos de Paulo na Europa, a multidão tomou o seu partido; diante das próprias vistas do procônsul, e sem interferência de sua parte, acometeram violentamente contra o mais preeminente dos acusadores do apóstolo. “Então todos agarraram Sóstenes principal da sinagoga, e o feriram diante do tribunal; e a Gálio nada destas coisas o incomodava” (At 18:17). Assim obtivera o cristianismo assinalada vitória.

Paulo depois disto, permaneceu “ainda ali muitos dias”. Tivesse o apóstolo sido a este tempo compelido a deixar Corinto, e os conversos à fé de Jesus teriam sido colocados em perigosa posição. Os judeus ter-se-iam empenhado em aproveitar a vantagem obtida, até mesmo à exterminação do cristianismo naquela região.

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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