Cristo A Igreja

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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 133-134

conversão de muitos. “E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram, e foram batizados” (At 18:8).

O ódio com que os judeus haviam sempre olhado os apóstolos foi então intensificado. A conversão e o batismo de Crispo tiveram o efeito de exasperar em vez de convencer esses obstinados oponentes. Não podiam apresentar argumentos que refutassem a pregação de Paulo; e, à falta de tais provas, recorreram ao engano e maldosos ataques. Blasfemaram do evangelho e do nome de Jesus. Em seu cego ódio, palavra nenhuma era bastante acre, nenhum ardil demasiadamente vil para não ser por eles usados. Não podiam negar que Cristo havia operado milagres, mas declaravam que Ele os realizara pelo poder de Satanás; e ousadamente afirmavam que as maravilhosas obras feitas por Paulo, o eram por intermédio, do mesmo instrumento.

Embora Paulo tivesse tido certa medida de êxito em Corinto, a impiedade que viu e ouviu naquela corrupta cidade quase o desanimou. A depravação que testemunhou entre os gentios, e o desdém e insultos recebidos dos judeus, produziram-lhe grande angústia de espírito. Duvidou da sabedoria de procurar estabelecer uma igreja com o material que ali se encontrava.

Como estivesse planejando deixar a cidade para ir a um campo mais promissor, e buscasse fervorosamente compreender o seu dever, o Senhor lhe apareceu em visão, e disse: “Não temas, mas fala, e não te cales; porque Eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18:9, 10). Paulo compreendeu ser isto uma ordem para permanecer em Corinto e uma garantia de que o Senhor faria germinar a semente lançada. Fortalecido e animado, continuou a trabalhar lá, com zelo e perseverança.

Os esforços do apóstolo não estavam restringidos à pregação pública; muitos havia que não poderiam ser alcançados desta maneira. Ele gastou muito tempo no trabalho de casa em casa, prevalecendo-se assim das relações familiares do círculo doméstico. Visitava os enfermos e tristes, confortava os aflitos, animava os oprimidos. Em tudo o que dizia e fazia engrandecia o nome de Jesus. Trabalhava assim “em fraqueza, e em temor, e em grande tremor” (1Co 2:3). Ele tremia ao pensamento de que seus ensinos pudessem revelar mais o humano que o divino.

“Falamos sabedoria entre os perfeitos”, declarou Paulo depois, “não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu, porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que O amam. Mas Deus no-las revelou pelo Seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Por que, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.

“Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito

Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1Co 2:6-13).

Paulo reconheceu que sua suficiência não estava em si próprio, mas na presença do Espírito Santo, cuja benigna influência enchia-lhe o coração trazendo cada pensamento em sujeição a Cristo. Ele falava de si como “trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no... corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos” (2Co 4:10). Nos ensinos do apóstolo, Cristo era a figura central. “E vivo”, declarou ele, “não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). O eu fora apagado; Cristo foi revelado e exaltado.

Paulo era um orador eloqüente. Antes de sua conversão havia ele muitas vezes procurado impressionar seus ouvintes com rasgos de oratória. Mas agora pusera tudo isto de lado. Em vez de se demorar em descrições poéticas e fantasiosas representações, que poderiam lisonjear os sentidos e alimentar a imaginação, mas que não encontrariam eco na experiência diária, buscava ele pelo uso de linguagem simples, convencer os corações com as verdades de importância vital. Representações fantasistas da verdade podem provocar um êxtase dos sentidos, mas não raro, verdades apresentadas desta maneira não suprem o alimento necessário ao fortalecimento e robustecimento do crente para as batalhas da vida. As necessidades imediatas, as provas presentes das almas em conflito, devem ser enfrentadas com instrução prática e sadia com base nos princípios fundamentais do cristianismo.

Os esforços de Paulo em Corinto não ficaram sem fruto. Muitos abandonaram a adoração dos ídolos para servirem ao Deus vivo, e uma grande igreja se alistou sob a bandeira de Cristo. Alguns foram salvos dentre os mais devassos gentios e tornaram-se monumentos da misericórdia de Deus e da eficácia do sangue de Cristo para limpar do pecado.

O crescente sucesso que teve Paulo em apresentar a Cristo, despertou a mais determinada oposição da parte dos judeus incrédulos. Levantaram-se “concordemente contra Paulo, e o levaram ao tribunal” de Gálio, então procônsul da Acaia. Esperavam eles que as autoridades, como em ocasiões anteriores, se poriam ao lado deles; e vociferando irados, apresentaram sua acusação contra o apóstolo: “Este persuade os homens a servir a Deus contra a lei” (At 18:12, 13).

A religião judaica estava sob a proteção do poder romano; e os acusadores de Paulo pensavam que se pudessem aplicar-lhe a pecha de violador das leis de sua religião, provavelmente ele lhes seria entregue para julgamento e sentença. Assim esperavam eles poder conseguir a sua morte. Mas Gálio era um homem de integridade, e recusou tornar-se instrumento da inveja e da intriga dos judeus. Aborrecido com sua hipocrisia e justiça própria, não tomou conhecimento da acusação. Como Paulo se preparasse para falar em defesa própria, Gálio lhe disse não ser necessário. Então, voltando-se para os irados acusadores, disse: “Se houvesse, ó judeus, algum agravo ou crime enorme, com razão vos sofreria, mas, se a questão é de palavras, e de nomes, e da lei que entre vós há, vede-o vós mesmos; porque eu não quero ser juiz dessas coisas. E expulsou-os do tribunal” (At 18:14-16).

Tanto judeus como gregos haviam ansiosamente esperado pela decisão de Gálio; e sua imediata rejeição do caso, como sendo destituído de qualquer interesse público, foi o

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

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