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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 131-132

Exaltar como o Salvador da humanidade Aquele que havia encontrado a morte sobre a cruz, poderia naturalmente despertar o ridículo e a oposição.

Paulo bem sabia como sua mensagem seria considerada tanto pelos judeus como pelos gregos de Corinto. “Nós pregamos a Cristo crucificado”, admitiu ele, “que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1Co 1:23). Entre seus ouvintes judeus havia muitos que ficariam irados com a mensagem que ele estava para proclamar. Na estimação dos gregos, suas palavras seriam absurda loucura. Ele seria considerado como um débil mental ao tentar mostrar como a cruz poderia ter qualquer relação com o reerguimento da raça ou a salvação da humanidade.

Mas para Paulo, a cruz era o único objeto de supremo interesse. Desde que fora detido em sua carreira de perseguição contra os seguidores do crucificado Nazareno, jamais cessara de se gloriar na cruz. Nesse tempo fora-lhe dada uma revelação do infinito amor de Deus, como revelado na morte de Cristo; e maravilhosa transformação tinha-se operado em sua vida, pondo em harmonia com o Céu todos os seus planos e propósitos. Desde esse momento tornara-se um novo homem em Cristo. Ele sabia por experiência pessoal que quando um pecador uma vez contempla o amor do Pai, como se vê no sacrifício de Seu Filho, e se rende à divina influência, tem lugar uma mudança de coração, e desde então Cristo é tudo em todos.

Por ocasião de sua conversão, Paulo foi inspirado com o incontido desejo de ajudar seus semelhantes a contemplar a Jesus de Nazaré como o Filho do Deus vivo, poderoso para transformar e para salvar. Desde então sua vida fora inteiramente dedicada ao esforço para retratar o amor e o poder do Crucificado. Seu grande coração de simpatia abrangeu todas as classes. “Eu sou devedor”, declarou, “tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Rm 1:14). O amor para com o Senhor da glória, a quem tão implacavelmente perseguira na pessoa de Seus santos, era o princípio que atuava em sua conduta, o móvel que o impelia. Se acontecia afrouxar o seu amor no caminho do dever, um olhar à cruz e ao amor admirável ali revelado, era suficiente para fazê-lo cingir os lombos de seu entendimento e impeli-lo na senda da renúncia de si mesmo.

Eis o apóstolo pregando na sinagoga de Corinto, argumentando com os escritos de Moisés e dos profetas, e levando seus ouvintes até ao advento do prometido Messias! Considerai como ele torna clara a obra do Redentor como o grande Sumo Sacerdote da humanidade - Aquele que, mediante o sacrifício da Sua própria vida, devia fazer expiação pelo pecado de uma vez por todas e assumir Seu ministério no santuário celestial. Os ouvintes de Paulo foram levados a compreender que o Messias, por cujo advento haviam eles estado a suspirar, tinha já vindo; que Sua morte fora o antítipo de todas as ofertas sacrificais, e que Seu ministério no santuário do Céu era o grande objeto que projetava sua sombra para o passado, e tornava claro o ministério do sacerdócio judaico.

Paulo testificou aos judeus que Jesus era o Cristo. Baseando-se nas escrituras do Antigo Testamento, ele mostrou que de acordo com as profecias e com a universal expectativa dos judeus, o Messias seria da linhagem de Abraão e de Davi; então traçou a descendência de Jesus do patriarca Abraão ao salmista real. Leu o testemunho dos profetas referentes ao caráter e obra do prometido Messias, e a maneira como seria

recebido e tratado na Terra; mostrou então que todas essas predições tinham sido cumpridas na vida, ministério e morte de Jesus de Nazaré.

Paulo mostrou que Cristo tinha vindo para oferecer salvação antes de tudo à nação que aguardava a vinda do Messias como a consumação e glória de sua existência nacional. Mas essa nação havia rejeitado Aquele que lhes teria dado vida, e tinha escolhido outro líder cujo reino terminaria em morte. Ele procurou impressionar seus ouvintes com o fato de que somente o arrependimento poderia salvar a nação judaica da ruína impendente. Revelou-lhes a ignorância do significado dessas passagens de que principalmente se orgulhavam e se gloriavam de entender profundamente. Recriminou-lhes a mundanidade, o amor a posições, títulos e ostentação, e seu anormal egoísmo.

No poder do Espírito, Paulo relatou a história de sua própria miraculosa conversão, e de sua confiança nas Escrituras do Antigo Testamento, que tão completamente se haviam cumprido em Jesus de Nazaré. Suas palavras foram faladas com solene fervor, e seus ouvintes não podiam deixar de compreender que ele amava com todo o coração o Salvador crucificado e ressurgido. Viam que sua mente estava centralizada em Cristo, que toda a sua vida estava unida a seu Senhor. Tão impressivas foram suas palavras, que somente os que estavam cheios do mais amargo ódio contra a religião cristã não se deixaram mover por elas.

Mas os judeus de Corinto fecharam os olhos às provas tão claramente apresentadas pelo apóstolo, e recusaram atender a seus apelos. O mesmo espírito que os havia levado a rejeitar a Cristo, encheu-os de ira e fúria contra Seu servo; e não o houvesse Deus especialmente protegido, para que ele pudesse continuar levando a mensagem do evangelho aos gentios, e teriam posto fim a sua vida.

“Mas resistindo e blasfemando eles, sacudiu os vestidos, e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios. E, saindo dali, entrou em casa de um homem chamado Tito Justo, que servia a Deus, e cuja casa estava junto da sinagoga” (At 18:7).

Silas e Timóteo “desceram da Macedônia”, para ajudar a Paulo, e juntos trabalharam pelos gentios. Aos pagãos, bem como aos judeus, Paulo e seus companheiros pregaram a Cristo como o Salvador da raça caída. Evitando o arrazoado complicado e sutil, os mensageiros da cruz demoraram-se nos atributos do Criador do mundo, o supremo Governador do Universo. Coração inflamado com o amor de Deus e de Seu Filho, eles apelavam aos pagãos para contemplarem o infinito sacrifício feito em favor do homem. Sabiam que se os que tinham por tanto tempo estado a tatear nas trevas do paganismo, pudessem apenas ver a luz a jorrar da cruz do Calvário, seriam atraídos para o Redentor. “E Eu, quando for levantado da terra”, declarou o Salvador, “todos atrairei a Mim” (Jo 12:32).

Os obreiros do evangelho em Corinto reconheceram os terríveis perigos que ameaçavam aqueles por quem estavam trabalhando; e foi com o senso de responsabilidade que sobre eles repousava que apresentaram a verdade como é em Jesus. Límpida, clara e decidida foi sua mensagem - um cheiro de vida para vida ou de morte para morte. E não apenas em suas palavras, mas em sua vida diária, era o evangelho revelado. Anjos cooperavam com eles, e a graça e poder de Deus eram vistos na

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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