Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 278
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Leitura do livro
O Grande Conflito, páginas 384-386
Uma obra católica romana argumenta que, “se a Igreja de Roma foi culpada de idolatria, com relação aos santos, sua filha, a Igreja Anglicana, tem a mesma culpa, pois tem dez igrejas dedicadas a Maria para uma dedicada a Cristo.” — Dr. Challoner, The Catholic Christian Instructed, no prefácio. E o Dr. Hopkins, no “Tratado Sobre o Milênio”, declara: “Não há motivo para se considerar o espírito e prática anticristãos como sendo restritos ao que hoje se chama a Igreja de Roma. Nas igrejas protestantes muito se encontra do anticristo, e longe estão de se acharem completamente reformadas das ... corrupções e impiedade.” — Obras, Samuel Hopkins.
Com respeito à separação da Igreja Presbiteriana da de Roma, escreve o Dr. Guthrie: “Há trezentos anos, nossa igreja, com uma Bíblia aberta em seu estandarte, e ostentando esta divisa — ‘Examinai as Escrituras’ — saiu das portas de Roma.” Faz logo a significativa pergunta: “Saíram de Babilônia limpos?” — O Evangelho em Ezequiel, de John Guthrie.
“A Igreja Anglicana”, diz Spurgeon, “parece estar profundamente minada pelo sacramentarismo; mas os dissidentes parecem quase tão contaminados pela incredulidade filosófica quanto ela. Aqueles de quem esperávamos melhores coisas estão se desviando, um a um, dos fundamentos da fé. O coração da Inglaterra mesmo, creio eu, está completamente carcomido por uma condenável incredulidade, que ousa todavia ir ao púlpito e intitular-se cristã.”
Qual foi a origem desta grande apostasia? Como, a princípio, se afastou a igreja da simplicidade do evangelho? Conformando-se com as práticas do paganismo, a fim de facilitar a aceitação da doutrina cristã pelos pagãos. O apóstolo Paulo, em seus dias declarou: “Já o mistério da injustiça opera.” 2 Tessalonicenses 2:7. Durante a vida dos apóstolos a Igreja permaneceu relativamente pura. Mas, “pelo fim do século II, a maioria das igrejas tomou nova forma; desapareceu a primitiva simplicidade, e, insensivelmente, ao baixarem ao túmulo os velhos discípulos, seus filhos, juntamente
com os novos conversos, ... puseram-se à frente da causa e lhe deram novo molde.” — Pesquisas Eclesiásticas, Roberto Robinson. Para conseguir conversos, aviltou-se o elevado estandarte da fé cristã, e, como resultado, “uma inundação pagã, invadindo a igreja, trouxe consigo seus costumes, práticas e ídolos.” — Conferências de Gavazzi. Como o cristianismo conseguisse o favor e apoio dos príncipes seculares, foi nominalmente aceito pelas multidões; mas, conquanto muitos se intitulassem cristãos, “na realidade permaneciam no paganismo, e, especialmente em segredo, adoravam os ídolos.” — Ibidem.
Não se tem repetido o mesmo caso em quase todas as igrejas que se intitulam protestantes? Com o desaparecimento dos fundadores, dos que possuíam o verdadeiro espírito de reforma, seus descendentes põem-se na dianteira e “dão novo molde à causa.” Embora se apeguem cegamente ao credo dos pais, e se recusem a aceitar qualquer verdade além da que lhes foi dada conhecer, os filhos dos reformadores se afastam grandemente do exemplo paterno de humildade, abnegação e renúncia do mundo. Assim, “a primitiva simplicidade desaparece.” Um dilúvio de mundanismo invade a igreja e “leva consigo seus costumes, práticas e ídolos”.
Ai! até que ponto terrível a amizade do mundo, que é “inimizade contra Deus”, é hoje acalentada entre os professos seguidores de Cristo! Quão largamente se têm as igrejas populares de toda a cristandade afastado da norma bíblica da humildade, abnegação, simplicidade e piedade! Falando a respeito do uso correto do dinheiro, disse João Wesley: “Não dissipeis parte alguma de tão precioso talento, simplesmente em satisfazer o desejo dos olhos, com vestuário supérfluo ou dispendioso, ou com adornos desnecessários. Não gasteis parte dele em ornar extravagantemente vossas casas; em mobília desnecessária, ou dispendiosa; em quadros custosos, pinturas, douraduras. ... De nada disponhais para satisfazer o orgulho da vida, para obter a admiração ou louvor dos homens. ... ‘Tanto quanto fizeres bem a ti mesmo, falarão bem de ti os homens.’ Tanto quanto vos vistais ‘de púrpura e de linho finíssimo’,
e vivais ‘todos os dias regalada e esplendidamente’, não há dúvida de que muitos aplaudirão vossos gostos elegantes, vossa generosidade e hospitalidade. Mas não compreis tão caro o aplauso. Estai antes contentes com a honra que vem de Deus.” — Obras de Wesley. Entretanto, em muitas igrejas de nosso tempo, este ensino é desatendido.
Professar uma religião tornou-se moda no mundo. Governantes, políticos, advogados, médicos, negociantes, aderem à igreja como o meio de alcançar o respeito e confiança da sociedade, e promover os seus próprios interesses mundanos. Procuram, assim, encobrir, sob o manto do cristianismo, todas as suas transações injustas. As várias corporações religiosas, robustecidas com a riqueza e influência dos mundanos batizados, mais ainda se empenham em obter maior popularidade e proteção. Pomposas igrejas, embelezadas de maneira a mais extravagante, erguem-se nas movimentadas avenidas. Os adoradores vestem-se com luxo e de acordo com a moda. Elevado salário é pago ao talentoso pastor para entreter e atrair o povo. Seus sermões não devem tocar nos pecados populares, mas deverão ser suaves e agradáveis aos ouvidos da aristocracia. Deste modo, ímpios de elevada posição são alistados nos registros da igreja, e os modernos pecados escondidos sob o véu da piedade.
Comentando a atitude atual dos professos cristãos para com o mundo, diz um dos principais jornais seculares: “Insensivelmente a igreja tem seguido o espírito da época e adaptado suas formas de culto às necessidades modernas.” “Todas as coisas, na verdade, que contribuem para tornar atraente a religião, a igreja hoje emprega como seus instrumentos.” E um escritor, no Independent, de Nova Iorque, assim fala a respeito do metodismo atual: “A linha de separação entre os religiosos e irreligiosos se desvanece numa espécie de penumbra, e homens zelosos de ambos os lados estão labutando para obliterar toda diferença entre seu modo de agir e seus prazeres.” “A popularidade da religião tende grandemente a aumentar o número dos que desejam haurir-lhe os benefícios sem, de maneira honrada, fazer frente aos seus deveres.”
O Grande Conflito · Ellen G. White