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Leitura do livro

O Grande Conflito, páginas 387-389

Diz Howard Crosby: “É assunto para séria preocupação o encontrarmos a igreja de Cristo negligenciando o cumprimento dos desígnios do Senhor. Exatamente como os antigos judeus permitiram que o intercâmbio familiar com as nações idólatras lhes roubasse de Deus o coração, ... assim a igreja de Jesus, hoje, mediante a falsa parceria com o mundo incrédulo, abandona os métodos divinos de sua verdadeira vida e entrega-se aos costumes de uma sociedade sem Cristo — hábitos perniciosos embora muitas vezes plausíveis — usando argumentos e chegando a conclusões, estranhos à revelação de Deus e diretamente antagônicos a todo o crescimento em graça.” — The Health Christian, An Appeal to the Church.

Nesta maré de mundanismo e busca de prazeres, a abnegação e sacrifício por amor de Cristo acham-se quase inteiramente esquecidos. “Alguns dos homens e mulheres ora em vida ativa em nossas igrejas foram ensinados, quando crianças, a fazer sacrifícios a fim de se habilitarem a dar ou efetuar alguma coisa para Cristo.” Mas, “se são necessários fundos agora, ... ninguém deve ser convidado a contribuir. Oh, não! fazei uma quermesse, representações, espetáculos, jantares à antiga, ou alguma coisa para se comer — algo que divirta o povo”.

Já o governador Washburn, de Wisconsin, em sua mensagem anual, a 9 de janeiro de 1873, declarou: “Parece que precisamos de uma lei para acabar com as escolas de jogo. Estas proliferam em toda parte. Mesmo a igreja (inadvertidamente, sem dúvida) algumas vezes faz a obra do diabo. Concertos com fins beneficentes, bingos e rifas, algumas vezes em auxílio de objetivos religiosos ou caritativos, mas freqüentemente com finalidades menos dignas, sorteios de prendas, jogos de prêmios, etc., são todos expedientes para se obter dinheiro sem retribuição correspondente. Nada é tão desmoralizador ou pernicioso, particularmente para os jovens, como a aquisição de dinheiro ou propriedade sem trabalho. Se pessoas respeitáveis se empenham nessas empresas de azar, e acalmam a consciência com o pensamento de que o dinheiro se destina a um bom fim, não é para se estranhar que a juventude do Estado tão a miúdo caia nos hábitos que, com quase toda a certeza, a tornarão afeiçoada aos jogos de azar.”

O espírito de condescendência com o mundo está a invadir as igrejas por toda a cristandade. Robert Atkins, num sermão pregado em Londres, pinta tenebroso quadro do declínio espiritual que prevalece na Inglaterra: “Os verdadeiros justos estão desaparecendo da Terra, e ninguém leva isto a sério. Os que, atualmente, em todas as igrejas, professam a religião, são amantes do mundo, condescendentes com o mundo, afeiçoados ao conforto pessoal e desejosos de honras. São chamados a sofrer com Cristo, mas temem o vitupério. ... Apostasia, apostasia, apostasia, está mesmo gravado na frente de cada igreja; e se elas o soubessem e o sentissem, poderia haver esperança; mas, ai, elas exclamam: ‘Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta’.” — Biblioteca do Segundo Advento.

O grande pecado imputado a Babilônia é que “a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição.” Esta taça de veneno que ela oferece ao mundo representa as falsas doutrinas que aceitou, resultantes da união ilícita com os poderosos da Terra. A amizade mundana corrompe-lhe a fé, e por seu turno a igreja exerce uma influência corruptora sobre o mundo, ensinando doutrinas que se opõem às mais claras instruções das Sagradas Escrituras.

Roma privou o povo da Escritura Sagrada e exigiu que todos os homens aceitassem seus ensinos em lugar da própria Bíblia. Foi obra da Reforma restituir a Palavra de Deus aos homens; não é, porém, sobejamente verdade que nas igrejas modernas os homens são ensinados a depositar fé no credo e dogmas de sua igreja em vez de nas Escrituras? Falando das igrejas protestantes, disse Carlos Beecher: “Horrorizam-se com qualquer palavra rude contra os credos, com a mesma sensibilidade com que os santos padres se teriam horrorizado com uma rude palavra contra a incipiente veneração dos santos e mártires, por eles fomentada. ... As denominações evangélicas protestantes por tal forma ataram as mãos umas às outras, bem como suas próprias, que, em qualquer dessas denominações, um homem não pode absolutamente se tornar pregador, sem, de alguma maneira, aceitar outro livro além da Escritura

Sagrada. ... Nada há de imaginário na declaração de que o poderio do credo está começando hoje a proibir a Bíblia tão realmente como o fez Roma, se bem que de maneira mais sutil.” — Sermão sobre A Bíblia Como um Credo Suficiente, pronunciado em Fort Wayne, Indiana, a 2 de fevereiro de 1846.

Quando ensinadores fiéis expõem a Palavra de Deus, levantam-se homens de saber, pastores que professam compreender as Escrituras, e denunciam a doutrina sã como heresia, desviando assim os inquiridores da verdade. Não fosse o caso de se achar o mundo fatalmente embriagado com o vinho de Babilônia, e multidões seriam convencidas e convertidas pelas verdades claras e penetrantes da Palavra de Deus. Mas, a fé religiosa parece tão confusa e discordante que o povo não sabe o que crer como verdade. O pecado da impenitência do mundo jaz à porta da igreja.

A mensagem do segundo anjo de Apocalipse, Capítulo 14, foi primeiramente pregada no verão de 1844, e teve naquele tempo uma aplicação mais direta às igrejas dos Estados Unidos, onde a advertência do juízo tinha sido mais amplamente proclamada e em geral rejeitada, e onde a decadência das igrejas mais rápida havia sido. A mensagem do segundo anjo, porém, não alcançou o completo cumprimento em 1844. As igrejas experimentaram então uma queda moral, em conseqüência de recusarem a luz da mensagem do advento; mas essa queda não foi completa. Continuando a rejeitar as verdades especiais para este tempo, têm elas caído mais e mais. Contudo, não se pode ainda dizer que “caiu Babilônia, ... que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição.” Ainda não deu de beber a todas as nações. O espírito de conformação com o mundo e de indiferença às probantes verdades para nosso tempo existe e está a ganhar terreno nas igrejas de fé protestante, em todos os países da cristandade; e estas igrejas estão incluídas na solene e terrível denúncia do segundo anjo. Mas a obra da apostasia não atingiu ainda a culminância.

A Escritura Sagrada declara que Satanás, antes da vinda do Senhor, operará “com todo o poder, e sinais e prodígios de

O Grande Conflito · Ellen G. White

Passagem bíblica

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