Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 21
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 45-46
doutrinas. Não podiam sequer admitir a possibilidade de não haverem entendido devidamente a Palavra, ou que tivessem interpretado mal ou mal aplicado as Escrituras. Agiam como homens que houvessem perdido a razão. Que direito têm esses ensinadores, diziam, alguns deles meros pescadores, para apresentar idéias contrárias às doutrinas que temos ensinado ao povo? Estando determinados a suprimir o ensino dessas idéias, aprisionavam os que o estavam apresentando.
Os discípulos não se intimidaram nem esmoreceram com tal tratamento. O Espírito Santo lhes trouxe à mente as palavras proferidas por Cristo: “Não é o servo maior do que o seu Senhor. Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a Minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do Meu nome; porque não conhecem Aquele que Me enviou” (Jo 15:20, 21). “Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus.” “Tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito” (Jo 16:2, 4).
O Deus do Céu, o poderoso Governador do Universo, tomou em Suas mãos a questão do aprisionamento dos discípulos; pois homens estavam a guerrear contra a Sua obra. À noite, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão e disse aos discípulos: “Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida” (At 5:20). Esta ordem era diretamente contrária à ordem dada pelos chefes judeus; porventura disseram os apóstolos: Não podemos fazer isto sem ter consultado os magistrados e recebido deles permissão? Não! Deus dissera: “Ide”, e eles obedeceram. “Entraram de manhã cedo no templo, e ensinavam” (At 5:21).
Quando Pedro e João apareceram entre os crentes e contaram como o anjo os havia guiado diretamente através do grupo de soldados que guardavam a prisão, ordenando-lhes retomar a obra interrompida, os irmãos se encheram de espanto e alegria.
Nesse ínterim, o sumo sacerdote e os que com ele estavam convocaram o conselho, “e a todos os anciãos dos filhos de Israel”. Os sacerdotes e príncipes resolveram atribuir aos discípulos a acusação de insurreição, acusando-os do assassínio de Ananias e Safira e de conspiração para despojarem os sacerdotes de sua autoridade. Esperavam despertar a turba de tal maneira que esta decidisse tomar a questão nas mãos e tratar com os discípulos como haviam feito com Jesus. Eles sabiam que muitos que não haviam aceitado os ensinos de Cristo estavam cansados do arbitrário governo das autoridades judaicas, e ansiosos por alguma mudança. Os sacerdotes temiam que se esses descontentes fossem levados a aceitar as verdades proclamadas pelos apóstolos e a reconhecer a Jesus como o Messias, a ira de todo o povo se levantaria contra os guias religiosos, fazendo-os responder pelo assassínio de Cristo. Decidiram então tomar medidas drásticas para prevenir isto.
Quando mandaram trazer os prisioneiros a sua presença, grande foi o seu espanto ante a resposta de que as portas da prisão foram encontradas seguramente fechadas e a guarda estacionada perante elas, mas não se encontravam os prisioneiros em parte alguma.
Logo chegou a estranha notícia: “Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo. Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não
com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo)” (At 5:25, 26).
Embora os apóstolos tivessem sido miraculosamente libertados da prisão, não escaparam ao interrogatório e castigo. Cristo dissera, quando estava com eles: “Mas olhai por vós mesmos, porque vos entregarão aos concílios” (Mc 13:9). Enviando um anjo para os livrar, Deus lhes dera um sinal de Seu amor e certeza de Sua presença. Tocava-lhes agora sofrer por amor dAquele cujo evangelho estavam pregando.
Na história dos profetas e apóstolos, existem muitos nobres exemplos de lealdade para com Deus. As testemunhas de Cristo têm suportado a prisão, tortura e a própria morte, de preferência a violar os mandamentos de Deus. O relatório deixado por Pedro e João é tão heróico como qualquer da dispensação cristã. Achando-se eles pela segunda vez perante os homens que pareciam empenhados em efetuar a sua destruição, nenhum temor ou hesitação se poderia divisar em suas palavras e atitudes. E quando o sumo sacerdote disse: “Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome?
E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem”, Pedro respondeu: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:28, 29). Foi um anjo do Céu que os livrou da prisão e os mandou ensinar no templo. Seguindo suas instruções estavam obedecendo à ordem divina; e isto deveriam continuar a fazer, custasse o que custasse.
Então o Espírito de Inspiração sobreveio aos discípulos; os acusados se tornaram os acusadores, denunciando como assassinos de Cristo aqueles que compunham o concílio. “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus,” declarou Pedro, “ao qual vós matastes, suspendendo-O no madeiro. Deus com a Sua destra O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados. E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo que Deus deu àqueles que Lhe obedecem” (At 5:30-32).
Tão enraivecidos ficaram os judeus com estas palavras que se decidiram a fazer justiça pelas próprias mãos, e, sem mais processo, ou sem autoridade dos oficiais romanos, matar os presos. Já culpados do sangue de Cristo, estavam agora ávidos de manchar as mãos com o sangue de Seus discípulos.
Mas no concílio houve um homem que reconheceu a voz de Deus nas palavras proferidas pelos discípulos. Este homem foi Gamaliel, fariseu de boa reputação e homem de saber e alta posição. Seu claro intelecto viu que o passo violento que tinham em vista os sacerdotes, traria terríveis conseqüências. Antes de se dirigir aos presentes, pediu que os presos fossem afastados. Bem conhecia os elementos com quem tinha de tratar; sabia que os assassinos de Cristo em nada hesitariam a fim de levar a efeito o seu propósito.
Falou então com grande ponderação e calma, dizendo: “Varões israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens. Porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém: a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada. Depois deste levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos. E
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White