Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 22
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 47-48
agora digo-vos: dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará. Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus” (At 5:35-39).
Os sacerdotes viram a racionalidade destas opiniões, e foram obrigados a concordar com Gamaliel. Contudo seu preconceito e ódio dificilmente se podiam restringir. Muito relutantemente, depois de castigarem os discípulos, e ordenando-lhes de novo, sob pena de morte, a não mais pregarem no nome de Jesus, soltaram-nos. “Retiraram-se pois da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo” (At 5:41, 42).
Pouco tempo antes de Sua crucifixão, Cristo tinha garantido a Seus discípulos um legado de paz. “Deixo-vos a paz,” disse Ele, “a Minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14:27). Esta paz não é a paz que se obtém mediante a conformação com o mundo. Cristo jamais comprou a paz condescendendo com o mal. A paz que Cristo deixou a Seus discípulos é antes interna que externa, e sempre devia permanecer com Suas testemunhas nas lutas e contendas.
Falando de Si, Cristo disse: “Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mt 10:34). Príncipe da paz, era Ele não obstante causa de divisão. Aquele que veio proclamar alegres novas e promover a esperança e alegria no coração dos filhos dos homens, abriu uma controvérsia que arde profundamente e desperta intensa paixão no coração humano. E Ele adverte Seus seguidores: “No mundo tereis aflições” (Jo 16:33). “Lançarão mão de vós, e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, e conduzindo-vos à presença de reis e presidentes, por amor do Meu nome.” “E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós” (Lc 21:12, 16).
Essa profecia tem sido marcadamente cumprida. Toda indignidade, toda injúria, toda crueldade que Satanás podia instigar o coração humano a imaginar, têm recaído sobre os seguidores de Jesus. E isso será de novo notadamente cumprido; pois o coração carnal está ainda em inimizade com a lei de Deus, e não se sujeitará a Seus mandamentos. O mundo não está hoje em maior harmonia com os princípios de Cristo, do que esteve no dia dos apóstolos. O mesmo ódio que motivou o clamor: “Crucifica-O! Crucifica-O!” (Lc 23:21), o mesmo ódio que levou a perseguição aos discípulos, ainda opera nos filhos da desobediência. O mesmo espírito que nos séculos escuros enviou homens e mulheres à prisão, ao exílio, e à morte; que concebeu as atrozes torturas da inquisição; que planejou e executou o massacre de São Bartolomeu e acendeu as fogueiras de Smithfield, está ainda agindo com maligna energia em corações não regenerados. A história da verdade tem sido sempre o relato da luta entre o direito e o erro. A proclamação do evangelho sempre tem sido levada avante neste mundo em face de oposição, perigos, perdas e sofrimentos.
Em que consistia a força daqueles que no passado sofreram perseguição por amor a Cristo? Era a união com Deus, união com o Espírito Santo, união com Cristo. A acusação e a perseguição têm separado muitos de seus amigos terrestres, mas nunca do amor de Cristo. Nunca a alma, provada pela tempestade, é mais encarecidamente amada por seu
Salvador do que quando sofre a perseguição por amor à verdade. “Eu o amarei”, disse Cristo, “e Me manifestarei a ele” (Jo 14:21). Quando, por causa da verdade, o crente se acha perante os tribunais terrestres, Cristo Se acha a seu lado. Quando é encerrado entre as paredes da prisão, Cristo Se lhe manifesta e com Seu amor lhe anima o coração. Quando sofre a morte por amor a Cristo, o Salvador lhe diz: Eles podem matar o corpo, mas não podem matar a alma. “Tende bom ânimo, Eu venci o mundo” (Jo 16:33). “Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou teu Deus: Eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da Minha justiça” (Is 41:10).
“Os que confiam no Senhor serão como o Monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre. Como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o Senhor está em volta do Seu povo desde agora e para sempre” (Sl 125:1, 2). “Libertará as suas almas do engano e da violência, e precioso será o seu sangue aos olhos dEle” (Sl 72:14).
“O Senhor dos exércitos os amparará.” “E o Senhor seu Deus naquele dia os salvará, como ao rebanho do Seu povo; porque como as pedras de uma coroa eles serão exaltados na sua terra” (Zc 9:15, 16).
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White