Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 132
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 213-214
resistamos a Deus” (At 23:1-9).
Na confusão que se seguiu, os saduceus esforçavam-se ardorosamente por apoderar-se do apóstolo, para que o pudessem matar; e os fariseus estavam igualmente empenhados em seus esforços para o proteger. “O tribuno, temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a soldadesca, para que o tirassem do meio deles, e o levassem para a fortaleza” (At 23:10).
Mais tarde, enquanto refletia sobre as experiências decisivas daquele dia, Paulo começou a recear que sua conduta pudesse não ter sido agradável a Deus. Seria, afinal, que houvesse cometido um erro visitando Jerusalém? Teria seu grande desejo de estar em união com seus irmãos levado a este desastroso resultado?
A posição que os judeus, como povo professo de Deus, ocupavam perante um mundo incrédulo, causava ao apóstolo intensa angústia de espírito. Como os considerariam esses oficiais pagãos? Alegando ser adoradores de Jeová, e exercendo sagrado ofício, entregavam-se não obstante ao controle de uma ira irrazoável e cega, procurando destruir até mesmo a seus irmãos que ousavam diferir deles em fé religiosa, e tornando o seu mais solene conselho deliberativo numa cena de batalha e selvagem confusão. Paulo sentia que o nome de seu Deus tinha sido desonrado aos olhos dos pagãos.
E agora estava ele na prisão, e sabia que seus inimigos em sua desesperada maldade recorreriam a todos os meios para dar-lhe a morte. Seria o caso de estar sua obra pelas igrejas terminada, e que lobos vorazes estivessem para se introduzir nela? A causa de Cristo estava muito perto do coração de Paulo, e com grande ansiedade pensava nos perigos das igrejas espalhadas, expostas como estavam às perseguições de homens precisamente como os que encontrara no conselho do Sinédrio. Com angústia e desfalecimento chorou e orou.
Nesta hora tenebrosa o Senhor não Se esqueceu de Seu servo. Guardara-o da multidão assassina nos pátios do templo; estivera com ele perante o conselho do Sinédrio; com ele estava na fortaleza; e Se revelou a Si mesmo a Sua fiel testemunha em resposta às fervorosas orações do apóstolo, em que pedia que o guiasse. “E, na noite seguinte, apresentando-Se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo; porque, como de Mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma” (At 23:11).
Havia muito tinha Paulo em vista visitar Roma; desejava muitíssimo testemunhar de Cristo ali, mas compreendera que seus propósitos se frustraram pela inimizade dos judeus. Mal imaginava, mesmo então, que seria como prisioneiro que haveria de ir.
Enquanto o Senhor encorajava Seu servo, os inimigos de Paulo estavam avidamente tramando sua destruição. “E, quando já era dia, alguns dos judeus fizeram uma conspiração, e juraram, dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo. E eram mais de quarenta os que fizeram esta conjuração” (At 23:12, 13).
Aqui estava um jejum tal como o Senhor condenara por intermédio de Isaías - um jejum para “contendas e debates”, e para darem “punhadas impiamente” (Is 58:4).
Os conspiradores “foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos, e disseram: Conjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo. Agora, pois, vós, com o conselho, rogai ao tribune
que vo-lo traga amanhã, como que querendo saber mais alguma coisa de seus negócios, e, antes que chegue, estaremos prontos para o matar” (At 23:15).
Em lugar de reprovar este plano cruel, os príncipes e sacerdotes mais que depressa o aceitaram. Paulo havia dito a verdade quando comparou Ananias a um sepulcro branqueado.
Mas Deus Se interpôs para salvar a vida de Seu servo. O filho da irmã de Paulo, ouvindo desta “cilada” dos assassinos, “foi e entrou na fortaleza e o anunciou a Paulo. E Paulo, chamando a si um dos centuriões, disse: Leva este mancebo ao tribuno, porque tem alguma coisa que lhe comunicar. Tomando-o ele, pois, o levou ao tribuno e disse: O preso Paulo, chamando-me a si, me rogou que te trouxesse este mancebo, que tem alguma coisa que dizer-te” (At 23:16, 18).
Cláudio Lísias recebeu o jovem bondosamente, e tomando-o à parte perguntou: “Que tens que me contar?” O jovem respondeu: “Os judeus se concertaram rogar-te que amanhã leves Paulo ao conselho, como que tendo de inquirir dele mais alguma coisa ao certo; mas tu não os creiais; porque mais de quarenta homens dentre eles lhe andam armando ciladas; os quais se obrigaram, sob pena de maldição, a não comerem nem beberem até que o tenham morto; e já estão apercebidos, esperando de ti promessa.”
“Então o tribuno despediu o mancebo, mandando-lhe que a ninguém dissesse que lhe havia contado aquilo” (At 23:19-22).
Lísias imediatamente decidiu transferir Paulo de sua jurisdição para a de Félix, o procurador. Como um povo, os judeus estavam num estado de agitação e irritação e eram freqüentes os tumultos. A presença permanente do apóstolo em Jerusalém podia levar a conseqüências perigosas para a cidade, e até mesmo para o próprio comandante. Assim pois, “chamando dois centuriões, lhes disse: Aprontai para as três horas da noite duzentos soldados, e setenta de cavalo, e duzentos arqueiros para irem até Cesaréia; e aparelhai cavalgaduras, para que, pondo nelas a Paulo, o levem salvo ao presidente Félix” (At 23:23, 24).
Nenhum tempo devia ser perdido em enviar Paulo. “Tomando pois os soldados a Paulo, como lhe fora mandado, o trouxeram de noite a Antipátride” (At 23:31). Deste lugar os cavaleiros foram com o prisioneiro para Cesaréia, enquanto os quatrocentos soldados retornaram a Jerusalém.
O oficial a cujo cargo estava o destacamento, entregou a Félix o prisioneiro, apresentando também uma carta que lhe tinha sido confiada pelo tribuno:
“Cláudio Lísias, a Félix, potentíssimo presidente, saúde. Esse homem foi preso pelos judeus; e, estando já a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca, e o livrei, informado de que era romano. E, querendo saber a causa por que o acusavam, o levei ao seu conselho. E achei que o acusavam de algumas questões da sua lei; mas que nenhum crime havia nele digno de morte ou de prisão. E, sendo-me notificado que os judeus haviam de armar ciladas a esse homem, logo to enviei, mandando também aos acusadores que perante ti digam o que tiverem contra ele. Passa bem” (At 23:26-30).
Após ler a comunicação, Félix inquiriu de que província era o prisioneiro, e informado que da Cilícia, disse: “Ouvir-te-ei... quando também aqui vierem os teus
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White