Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 131
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 211-212
reunidas foram lançadas em violento despertar. A notícia rapidamente se espalhou por Jerusalém, e “alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo” (At 21:30).
Que um apóstata de Israel ousasse profanar o templo na mesma ocasião em que milhares de todas as partes do mundo tinham vindo ali para adorar, despertou as mais violentas paixões da multidão. “Pegando de Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam.”
“E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão.” Cláudio Lísias bem conhecia os elementos turbulentos com quem tinha de tratar, e, “tomando logo consigo soldados e centuriões, correu para eles. E, quando viram o tribuno e os soldados, cessaram de ferir a Paulo”. Ignorando a causa do tumulto, mas vendo que a raiva da multidão se dirigia contra Paulo, o tribuno romano concluiu que ele deveria ser um certo egípcio rebelled de quem ouvira falar e que até aí conseguira escapar de ser capturado. Portanto ele “o prendeu e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era e o que tinha feito”. De pronto muitas vozes se levantaram em altas e raivosas acusações: “uns clamavam duma maneira, outros doutra; mas, como nada podia saber ao certo, por causa do alvoroço, mandou conduzi-lo para a fortaleza. E sucedeu que, chegando às escadas, os soldados tiveram de lhe pegar por causa da violência da multidão. Porque a multidão do povo o seguia, clamando: Mata-o”.
No meio do tumulto o apóstolo estava calmo e senhor de si. Seu pensamento permanecia em Deus, e sabia que anjos do Céu estavam ao redor dele. Sentia-se indisposto a afastar-se do templo sem fazer qualquer esforço por apresentar a verdade a seus compatriotas. Quando estava para ser conduzido à fortaleza, disse ao tribuno: “É me permitido dizer-te alguma coisa?” Lísias respondeu: “Sabes o grego? Não és tu porventura aquele egípcio que antes destes dias fez uma sedição e levou ao deserto quatro mil salteadores?” Em resposta disse Paulo: “Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo.”
O pedido foi satisfeito, e “Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo”. O gesto atraiu a atenção deles, enquanto o seu porte impunha respeito. “E, feito grande silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo: Varões irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós.” Ao soarem as familiares palavras hebraicas, “maior silêncio guardaram” (At 21:30-40); e no completo silêncio ele continuou:
“Quanto a mim, sou varão judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de Deus, como todos vós hoje sois” (At 22:3). Ninguém podia negar as afirmações do apóstolo, porquanto os fatos a que se referia eram bem conhecidos de muitos que ainda estavam vivendo em Jerusalém. Falou então de seu antigo zelo em perseguir os discípulos de Cristo, até mesmo à morte; e narrou as circunstâncias de sua conversão, contando a seus ouvintes como seu próprio orgulhoso coração tinha sido levado a se render ao crucificado Nazareno. Tivesse ele procurado entrar em discussão com seus oponentes, e ter-se-iam recusado teimosamente a ouvir suas palavras; mas o relato de sua experiência foi
acompanhado de um convincente poder que naquele momento pareceu abrandar e subjugar-lhes o coração.
Ele procurou então mostrar que não tinha entrado de livre escolha na obra pelos gentios. Havia desejado trabalhar por sua própria nação; mas nesse mesmo templo a voz de Deus lhe falara em santa visão, dirigindo seu caminho “aos gentios de longe”.
Até aqui o povo escutou com toda a atenção; mas quando Paulo chegou em sua história ao ponto em que fora designado como embaixador de Cristo aos gentios, seu furor irrompeu de novo. Acostumados a considerarem-se como único povo favorecido por Deus, não estavam dispostos a permitir que os desprezados gentios participassem dos privilégios que até então tinham sido considerados como exclusivamente deles. Erguendo suas vozes mais alto que a do orador, clamaram: “Tira da Terra um tal homem, porque não convém que viva.”
“E, clamando eles, e arrojando de si os vestidos, e lançando pó para o ar, o tribuno mandou que o levassem para a fortaleza, dizendo que o examinassem com açoites, para saber por que causa assim clamavam contra ele.
“E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado? E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é romano. E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu sou-o de nascimento. E logo dele se apartaram os que o haviam de examinar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, visto que o tinha ligado.
“E no dia seguinte, querendo saber ao certo a causa por que era acusado pelos judeus, soltou-o das prisões, e mandou vir os principais dos sacerdotes, e todo o seu conselho; e, trazendo Paulo, o apresentou diante deles” (At 22:22-30).
O apóstolo deveria agora ser julgado pelo mesmo tribunal de que ele próprio fora membro antes de sua conversão. Estando perante os príncipes judeus, seu porte era calmo, e o rosto revelava a paz de Cristo. “E pondo Paulo os olhos no conselho, disse: Varões irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência.” Ao ouvirem estas palavras, reacendeu-se-lhes o ódio; e “o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca”. A esta ordem desumana, Paulo exclamou: “Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus?” Com sua cortesia costumeira Paulo respondeu: “Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo.
“E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: Varões irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado.
“E, havendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e saduceus, e a multidão se dividiu.” Os dois partidos começaram a discutir entre si, e assim se quebrara a força de sua oposição contra Paulo. “Levantando-se os escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Nenhum mal achamos neste homem, e, se algum espírito ou anjo lhe falou, não
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White