Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 133
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 215-216
acusadores. E mandou que o guardassem no pretório de Herodes” (At 23:35).
O caso de Paulo não era o primeiro em que um servo de Deus encontrava entre os pagãos um abrigo da maldade do professo povo de Jeová. Em sua cólera contra Paulo, os judeus haviam acrescentado mais um crime ao tenebroso catálogo que marcava a história deste povo. Haviam endurecido ainda mais o coração contra a verdade e tornado mais certa a sua condenação.
Poucos compreendem o amplo significado das palavras ditas por Cristo quando, na sinagoga de Nazaré apresentara-Se como o Ungido. Ele anunciara Sua missão de confortar, abençoar e salvar os aflitos e pecadores; e então, vendo que a incredulidade e o orgulho controlavam o coração de Seus ouvintes, Ele recordou que no passado Deus Se havia retirado de Seu povo escolhido por causa de sua incredulidade e rebelião, e Se tinha manifestado aos das terras pagãs que não haviam rejeitado a luz do Céu. A viúva de Sarepta e Naamã da Síria tinham vivido à altura de toda a luz que possuíam; assim foram eles considerados mais justos que o povo escolhido de Deus que se tinha desviado dEle, e sacrificado o princípio à conveniência e à honra mundana.
Cristo disse aos judeus de Nazaré uma terrível verdade quando declarou que com o apóstata Israel não havia segurança para o fiel mensageiro de Deus. Eles não reconheceriam seu valor nem apreciariam seus labores. Enquanto os dirigentes judeus professavam ter grande zelo pela honra de Deus e o bem de Israel, eram inimigos de ambos. Por preceito e exemplo estavam levando o povo mais e mais longe da obediência a Deus - guiando-o onde Deus não poderia ser sua defesa no dia da angústia.
As palavras de reprovação do Salvador, aos homens de Nazaré, aplicavam-se, no caso de Paulo, não apenas aos incrédulos judeus, mas a seus próprios irmãos na fé. Houvessem os dirigentes na igreja abandonado inteiramente seus sentimentos de amargura contra o apóstolo, aceitando-o como alguém especialmente chamado por Deus para levar o evangelho aos gentios, e o Senhor o teria poupado para eles. Deus não havia ordenado que os trabalhos de Paulo tão cedo tivessem fim; mas não operou um milagre para conter o encadeamento de circunstâncias que a atitude dos dirigentes da igreja em Jerusalém haviam provocado.
O mesmo espírito está ainda produzindo os mesmos resultados. A negligência em apreciar e aproveitar as provisões da divina graça, tem privado a igreja de muitas bênçãos. Quantas vezes teria o Senhor prolongado a obra de um fiel ministro, tivessem seus labores sido apreciados! Mas se a igreja permite ao inimigo das almas perverter o entendimento, de maneira que representam e interpretam mal as palavras e atos do servo de Cristo; se se permitem opor-se-lhe e estorvar a utilidade própria, o Senhor às vezes remove deles a bênção que Ele deu.
Satanás está constantemente operando por meio de seus agentes para desanimar e destruir aqueles a quem Deus tem escolhido para realizar uma grande e boa obra. Podem eles estar prontos para sacrificar mesmo a própria vida para o avançamento da causa de Cristo, não obstante o grande enganador sugerirá a seus irmãos dúvidas referentes a eles que, se mantidas, minarão a confiança em sua integridade de caráter, impedindo assim sua utilidade. Muitas vezes ele alcança êxito em acarretar sobre eles, por intermédio de seus próprios irmãos, tal tristeza de coração que Deus graciosamente Se interpõe para dar
repouso a Seus perseguidos servos. Depois que as mãos estão dobradas sobre o peito que já não vibra, quando a voz de advertência e encorajamento está em silêncio, então os obstinados podem ser despertados para ver e apreciar a bênção que eles repeliram. Sua morte pode realizar o que sua vida não conseguiu fazer.
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White