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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 203-204

pacífica e feliz comunhão com eles.

Embarcando em Filipos, Paulo e Lucas alcançaram os companheiros cinco dias mais tarde, em Trôade, e demoraram-se sete dias com os crentes naquele lugar. Na última noite de sua estada ali os irmãos se ajuntaram “para partir o pão”. O fato de que seu amado mestre ia partir, promoveu um ajuntamento maior que o de costume. Reuniram-se num “cenáculo” (At 20:7, 8), no terceiro andar. Ali, no fervor de seu amor e solicitude por eles, o apóstolo pregou até a meia-noite.

Numa das janelas abertas estava assentado um jovem por nome Êutico. Nessa perigosa posição adormeceu, e caiu ao solo. Num momento tudo era alarma e confusão. O jovem foi levantado morto, e muitos se acercaram dele com gritos e lamentações. Mas Paulo, passando por entre os irmãos atribulados, abraçou-o e fez uma fervorosa oração para que Deus restaurasse a vida ao morto. Sua petição foi atendida. Sobrepondo-se aos clamores e lamentações, ouviu-se a voz do apóstolo dizendo: “Não vos perturbeis, que a sua alma nele está.” Com júbilo, os crentes voltaram a se reunir no cenáculo. Havendo participado da comunhão, Paulo “ainda lhes falou largamente até à alvorada” (At 20:10, 11).

O navio em que Paulo e seus companheiros deviam prosseguir viagem estava prestes a partir e os irmãos apressaram-se a subir a bordo. O apóstolo, porém, preferiu tomar o caminho mais perto, por terra, entre Trôade e Assôs, encontrando-se com seus companheiros nesta cidade. Isto lhe deu um pouco de tempo para meditação e oração. As dificuldades e perigos relacionados com sua próxima visita a Jerusalém, a atitude da igreja ali para com ele e sua obra, bem como a condição das igrejas e o interesse da obra evangélica em outros campos, eram assuntos de ardente e solícito pensar; e ele aproveitou esta oportunidade especial para buscar de Deus força e guia.

Enquanto os viajantes navegavam rumo ao sul, para Assôs, passaram pela cidade de Éfeso, que fora por tanto tempo cenário dos trabalhos do apóstolo. Paulo havia desejado muito visitar a igreja ali; pois tinha importante instrução e conselho a dar-lhes. Havendo, porém, ponderado, determinou apressar-se; pois desejava “estar, se lhe fosse possível, em Jerusalém no dia do Pentecostes” (At 20:16). Chegando porém a Mileto, cerca de trinta milhas de Éfeso, soube que lhe seria possível comunicar-se com a igreja antes que o navio partisse. Enviou portanto uma mensagem imediatamente aos anciãos, pedindo para que viessem depressa a Mileto, para que pudesse vê-los antes de continuar a viagem.

Em resposta a seu chamado vieram, e ele lhes dirigiu palavras ardentes e tocantes de admoestação e despedida. “Vós bem sabeis”, disse ele, “desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós, servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram; como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas, testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20:18-21).

Paulo sempre exaltara a lei divina. Ele havia mostrado que não há poder na lei para salvar os homens da penalidade da desobediência; que os pecadores precisam arrependerse

de seus pecados, e humilhar-se perante Deus, em cuja justa ira incorreram pela transgressão de Sua lei, e precisam também exercer fé no sangue de Cristo como o único meio de perdão. O Filho de Deus havia morrido como sacrifício por eles, e havia subido ao Céu para permanecer como seu Advogado perante o Pai. Mediante arrependimento e fé podiam ficar livres da condenação do pecado, e pela graça de Cristo ser capacitados daí por diante a render obediência à lei de Deus.

“E agora”, continuou Paulo, “eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto” (At 20:22-25).

Paulo não tencionara dar esse testemunho, mas enquanto falava veio sobre ele o Espírito de inspiração, confirmando seus pressentimentos de que esse seria seu último encontro com os irmãos efésios.

“Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos, porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20:26, 27). Nenhum temor de causar escândalo, nenhum desejo de amizade ou de aplausos, poderiam levar Paulo a reter as palavras que Deus lhe dera para instrução deles, advertência ou correção. Dos Seus servos hoje Deus requer destemor na pregação da Palavra e na exposição de seus preceitos. O ministro de Cristo não deve apresentar ao povo apenas as verdades mais agradáveis, retendo outras que lhes possam causar mágoa. Deve ele observar com profunda solicitude o desenvolvimento do caráter. Se vir que alguém no rebanho está acariciando o pecado, precisa como fiel pastor dar-lhe instrução da Palavra de Deus que se aplique ao caso. Permitisse-lhes ele prosseguirem confiadamente sem advertência, e seria responsabilizado por suas almas. O pastor que cumpre seu alto encargo deve dar a seu povo, fiel instrução sobre cada ponto da fé cristã, mostrando-lhes o que precisam ser e fazer para se apresentarem perfeitos no dia de Deus. Unicamente aquele que é um fiel ensinador da verdade poderá, ao fim de seu trabalho, dizer como Paulo: “Estou limpo do sangue de todos” (At 20:26).

“Olhai por vós”, advertiu o apóstolo a seus irmãos, “e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que Ele resgatou com Seu próprio sangue” (At 20:28). Se os ministros do evangelho mantiverem sempre em mente que estão tratando com a aquisição do sangue de Cristo, terão mais profundo senso da importância de seu trabalho. Devem ter cuidado de si e do rebanho. Seu próprio exemplo deve ilustrar e fortalecer suas instruções. Como ensinadores do caminho da vida, não devem dar ocasião de ser blasfemada a verdade. Como representantes de Cristo, devem manter a honra de Seu nome. Mediante devoção, pureza de vida, pia conversação, devem provar-se dignos de sua alta vocação.

Os perigos que assaltariam a igreja de Éfeso foram revelados ao apóstolo. “Eu sei

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

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